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Ao longo dos séculos várias epidemias assolaram o Reino do Algarve. A Igreja fez tudo para acudir aos doentes. Vários sacerdotes faleceram contaminados por socorrerem os enfermos.

• Pe. António Afonso. Da Companhia de Jesus. Natural de Lagoa. Faleceu contagiado pela peste de 1569.

• Pe. Luís Bravo. Da Companhia de Jesus. Natural de Tavira. Seguiu a carreira militar e foi cativo dos mouros durante seis anos. Regatado, entrou na Companhia em Florença. Faleceu durante a peste em 1569.

• Pe. Gaspar de Estrela. Confessor do Mosteiro de Nossa Senhora da Piedade, Tavira (1648). Morreu de peste.

• Manuel Fernandes. Da Companhia de Jesus. Em Faro, durante a peste de 1649-1650, teve notável ação junto dos doentes

• Pe. Vicente Pereira Sarmento. Foi incansável durante a peste que assolou Tavira em 1580.

• Pe. Domingos Rebelo. Da Companhia de Jesus. Residia na comunidade de Faro. Durante a peste de 1601 teve notável ação junto dos doentes e acaba também por morrer em 1601.

• Pe. Fernando Martins. Da Companhia de Jesus. Residia na comunidade de Faro. Durante a peste de 1601 teve uma notável ação junto dos doentes. Foi contagiado e acaba por morrer em 1601.

• Pe. António Vasconcelos. Da Companhia de Jesus., durante a peste que assolou Faro, em 1601, teve uma notável ação em acudir aos doentes. Faleceu em 1604.

• Pe. Gaspar de Estrela. Confessor do Mosteiro de Nossa Senhora da Piedade, Tavira (1648). Morreu de peste.

• Manuel Fernandes. Da Companhia de Jesus. Em Faro, durante a peste de 1649-1650, teve notável ação junto dos doentes

• Pe. Gonçalo Seabra. Faleceu em Tavira, em 1651.

• Pe. António Manuel Pires. Natural de Estoi. Beneficiado em S. Pedro, Faro. Colaborou com o Prior de Estoi durante a epidemia de 1785.

• Pe. Manuel Madeira Nobre. Prior em Estoi. Vivia com a sobrinha Francisca Teresa. Irmão de Domingos Fernandes casado com Beatriz da Palma, moradores nos Caliços, Moncarapacho, e de António de Oliveira Nobre, casado com Maria Correia, moradores na freguesia de Moncarapacho. Sobre a epidemia de 1785 anotou no livro de Óbitos da freguesia de Estoi:
«Epidemia de 1785: Relação minha deixando lamentável socesso da grauissima epidemia que houe em esta freguesia no verão de 1785 das incuráveis treçans que padecerão os moradores della principiou no fim de junho te dezembro principalmente Junho, Agosto e Setembro.
Forão tão incuráveis por os mesmos médicos que titubiarão e não acertarão com os remedios competentes as recahidas inumeráveis falecerão nesta freguesia neste tempo mais de de 220 tantas pessoas principalmente em Agosto e Setembro 114 pessoas, e as mais que escaparão ficaram sempre recahindo, e as mais delas com quartaas muito mais de hum anno, e nunca mais ficarão com perfeita saúde e por não caberem os defuntos já na igreja forão sepultados no Adro quase 150 pessoas. foi tal a epidemia que havendo nesta freguesia quase 2000 pessoas maiores me parece não ficaram 30 livres deste pernicioso flagelo, neste povo, que consta de quase 200 fogos não ficou casa alguma sem ter doentes. enfim no dito lugar sói conheci outo pessoas que não adoecessem. Tal foi o surtum das febres que neste lugar houe, que pessoa alguma de fora de freguesia que lá viece. E se demorasse duas outras hortas, que não focem com as ditraçans de sorte, que pessoa alguma de forra queria já vir a este lugar. em todo este Bispado houe no dito tempo as mesmas moléstias. porem nesta freguesia forão com muito mais excesso, e mais perigosas. so aos enfermos dos montes houe dia de 24 confeçoins a que fomos e os mais dias a dez, ou doze. Foi grande a aflição em que me vi, porque cahindo eu com as mesmas treçans, logo adoecerão os mais R.dos PP., me vi sem ter quem admenistrace os Sacramentos aos enfermos recolhi ao R.do Doutor Provisor que me mandace hum Clérigo, ou Religioso, que eu o sustentaria e lhe pagaria, não foi possível achar-ce quem me viece acudir a tão grande aflição, e dezamparou o que me abravava mais a minha molestia, por cuja causa recolhi muitas vezes. porem como Deus he fiel em acudir ás afliçoins, e necessidade, e conhecia a grande deligencia, que eu fazia por achar quem me acudisse então grande aperto, me inspirou para que eu chamasse o R.do António Manoel Pires natural desta fr4eguezia, que tinha dechado hum Beneficio, que servia na Igreja Colegiada de Sam Pedro de Faro, e agora assistente nas suas fazendas perto de Sam Bras, lhe mandei pedir me acudia então grande aperto, e logo sem a mínima demora, nem repugnância veio para minha casa quase 4 mezes suprindo com muito trabalho e charidade a nossa falta trabalhando de dia e de noite na administração dos sacramentos, e encomendar os defuntos. e foi Deus servido como tam bom pai. que se lhe nada apagarão as febres não obstante o ter alguma febretura do muito trabalho. Chegou a tal estremo a aflição das criaturas, que esteve hum defunto 3 dias no monte sem haver quem o trocece para se sepultar, por estarem os vizinhos doentes dous maridos trocerão suas mulheres e mesmo ellas as sepultarão. por não haver quem o fizesse. He para considerar, que penas terião os ditos maridos dous enfermos nos mandarão avizar para se lhe hir administrar os Sacramentos e por handa o R.do Beneficiado ocupado com outros infermos foi no fim de dous dias a socurre-los, e enfim em todo esse aperto não faleceu pessoa alguma sem receber os Sacramentos, não consta, que nesta freguesia em tempo algum hovesse tantos doentes, e tantas mortes. Muito mais tinha que declarar porem basta para se julgar o aperto em que se virão os meus freguezes no dito tempo e por verdade fis esta breue relação. Estoi 27 de Dezembro de 1785. O Prior Manuel Madeira Nobre».

• Pe. Domingos Gonçalves Lapa da Rocha. Natural de Estômbar. Apanhou a pneumónica na Paróquia de Ferragudo e veio a falecer em Alcoutim Ferragudo em 1918

• Pe. José Joaquim Costa. Natural de Albufeira. Na Paróquia de S. Brás de Alportel, ao visitar os doentes, apanhou a pneumónica e veio a falecer em Alcoutim em 1918.

Pe. Afonso Cunha

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