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Abraçamos para nos protegermos, num gesto que, mais ou menos longo, conforta, consola, e empurra-nos para diante quando o caminho é inóspito e as pernas fraquejam, quando a solidão deixa de ser a melhor companheira, quando a visão subitamente fica turva e os acontecimentos parecem não ter sentido algum porque são de todo incompreensíveis à nossa limitação humana.

Há dias abracei alguém! Alguém que passa neste momento por uma situação que ninguém deseja e compreende, e poucos suportam. Os companheiros do abraço foram o silêncio e o choro, mais expressivos do que qualquer palavra bonita repescada de algum dicionário erudito para tentar preencher o momento.

Na simplicidade do abraço nada foi dito e nada ficou por dizer. O eterno fez-se presente e parti, desejando que um dia, se necessitar, tenha alguém a quem abraçar, e neste gesto terno, honroso e heróico, me recorde sempre que um abraço silencioso valerá muitíssimo mais do que qualquer atitude pomposa.

Obrigado “V” por me ter feito (re)descobrir o valor de um abraço quando as palavras são manifestamente insuficientes perante situações dolorosas que fazem o nosso coração sangrar.

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