O núcleo algarvio da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE) iniciou o ano de atividades 2026/2027, no passado dia 15 de outubro, com um jantar-palestra com quase 60 participantes, subordinado ao tema “As empresas e a luta contra a pobreza”, que também contou com a participação do bispo do Algarve, D. Vitorino Soares, e do presidente da BluePharma, Paulo Barradas.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A iniciativa, que teve lugar em Faro, foi precedida pela celebração da Eucaristia na igreja de São Luís, presidida pelo bispo diocesano, e incluiu a apresentação do projeto ‘Semáforo – Empresa sem Pobreza’, uma iniciativa da ACEGE adaptada do Poverty Stoplight, criado em 2013 pela organização não governamental Fundación Paraguaya.

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Na introdução à intervenção de Paulo Barradas, o responsável do núcleo algarvio da ACEGE, Paulo Lopes, salientou a responsabilidade dos empresários e gestores na criação e distribuição de valor, sublinhando que este “é muito mais do que a riqueza”. O responsável chamou ainda a atenção para o facto de “50% dos pobres” terem trabalho, considerando que esta realidade interpela as empresas quanto ao seu papel no combate à pobreza.

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Paulo Barradas partilhou a experiência da BluePharma na aplicação de princípios de gestão inspirados na Doutrina Social da Igreja, destacando o amor como critério de gestão, o respeito pelos trabalhadores e a procura do bem comum. “Identifico-me com esta organização, com a Doutrina Social da Igreja, com o amor como critério de gestão, respeito muito todos os colaboradores, trato-os como eu gostaria de ser tratado”, afirmou.

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O empresário explicou que a responsabilidade social das empresas não se limita ao apoio financeiro a pessoas e instituições, defendendo a necessidade de encontrar respostas que conciliem as necessidades de quem pede ajuda com a sustentabilidade da própria organização. Nesse sentido, relatou exemplos de iniciativas desenvolvidas pela BluePharma, nomeadamente nas áreas da saúde, da conciliação entre a vida profissional e familiar e do envolvimento dos trabalhadores em ações de solidariedade.

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Entre os projetos referidos esteve o programa ‘BlueCare’, que disponibiliza gratuitamente aos colaboradores serviços nas áreas da optometria, fisioterapia, psicologia e medicina do trabalho, bem como o programa ‘Bluelinks’, que promove a participação dos trabalhadores em iniciativas de utilidade social.

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Paulo Barradas destacou também a colaboração estabelecida com a Casa de Formação Cristã da Rainha Santa Isabel, em Coimbra, através da compra anual das laranjas produzidas num laranjal das Irmãs da Confraria da Rainha Santa Isabel, permitindo apoiar a sua obra e, simultaneamente, disponibilizar fruta aos trabalhadores da empresa.

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O presidente da BluePharma sublinhou ainda a importância de criar condições de trabalho que favoreçam a conciliação entre a vida profissional e familiar, considerando difícil, no atual contexto, recrutar e reter trabalhadores. A certificação como empresa familiarmente responsável, promovida pela ACEGE, permitiu, segundo explicou, organizar e desenvolver práticas já existentes e avaliar a sua evolução.

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Pobreza exige respostas para além da assistência

Na reflexão sobre o combate à pobreza, Paulo Barradas defendeu que este fenómeno não se limita à falta de rendimentos, abrangendo também dimensões como a nutrição, a saúde, a educação e a esperança. “A pobreza, não nos podemos resignar a ela, temos de a encarar e temos todos que fazer”, afirmou.

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O empresário apresentou a experiência da BluePharma na aplicação do projeto ‘Semáforo’, através do qual a empresa procurou identificar as necessidades dos seus colaboradores. Segundo referiu, 80% dos trabalhadores responderam ao inquérito realizado, que permitiu identificar situações de risco na área da saúde e necessidades de apoio jurídico. A empresa criou, por exemplo, protocolos que facilitam o acesso a cuidados de medicina dentária e disponibilizou consultas jurídicas gratuitas.

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O projeto ‘Semáforo’ foi apresentado por António Borges Sérgio, seu coordenador. Adaptado pela ACEGE a partir da metodologia desenvolvida pela Fundación Paraguaya, procura identificar situações de pobreza e promover respostas que contribuam para a melhoria das condições de vida das pessoas.

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Na intervenção final, D. Vitorino Soares agradeceu o contributo dos empresários e gestores para a vida das famílias, recorrendo à imagem de uma cinta que, em vez de sufocar, serve para suportar. O bispo do Algarve destacou a responsabilidade das empresas na sustentação da vida financeira e económica de pessoas concretas, considerando necessário reconhecer esse contributo e procurar que mais pessoas possam alcançar melhores condições de vida.

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O bispo diocesano alertou também para os limites de uma abordagem exclusivamente assistencialista à pobreza. “Não reduzir a pobreza naquilo que é uma assistência imediata que pontualmente será necessária. Mas dentro da pobreza também promover aqueles que estão nessa situação”, afirmou, defendendo a promoção das capacidades das pessoas e o desenvolvimento de mecanismos que lhes permitam ultrapassar as situações de vulnerabilidade.

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Por fim, D. Vitorino Soares destacou a dimensão espiritual presente no encontro, considerando que a ação empresarial orientada pelos valores cristãos deve ir além dos resultados materiais. “É um ambiente onde se respira espiritualidade que é algo que falta”, afirmou, acrescentando que também a Igreja necessita de aprofundar essa dimensão na vida quotidiana.

A abertura do ano de atividades da ACEGE Algarve proporcionou, assim, uma reflexão sobre a responsabilidade social das empresas, a promoção da dignidade dos trabalhadores e a necessidade de conjugar a sustentabilidade económica com a criação de condições para combater a pobreza.