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Algarvios participaram na vigília em que o papa pediu aos jovens que sejam “influencers” de Deus

Foto © EPA/Esteban Biba

Os 28 jovens algarvios que estão na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) no Panamá participaram esta noite, no Campo São João Paulo II, na vigília de oração presidida pelo papa que terminou há pouco.

Francisco desafiou os jovens a usar o potencial das novas tecnologias para serem ‘influencers’, com a sua fé, a exemplo da Virgem Maria.

“Sem dúvida, a jovem de Nazaré não aparecia nas ‘redes sociais’ de então, não era uma influencer – uma influenciadora digital – mas, sem querer nem procurá-lo, tornou-Se a mulher que maior influência teve na história”, referiu, no discurso que pronunciou.

“Maria, a influencer de Deus. Com poucas palavras, soube dizer ‘sim’, confiando no amor e nas promessas de Deus, única força capaz de fazer novas todas as coisas”, acrescentou.

Foto © Vatican News

O maior encontro de peregrinos, até ao momento, na JMJ 2019, levou os participantes para fora da Cidade Velha e juntou centenas de milhares de pessoas num novo espaço ao ar livre, onde muitos vão passar a noite em tendas.

Francisco recorreu a vários termos do mundo digital, para passar a sua mensagem aos mais novos: “A vida não é uma salvação suspensa ‘na nuvem’ – no disco virtual – à espera de ser descarregada, nem uma nova ‘aplicação’ para descobrir ou um exercício mental fruto de técnicas de crescimento pessoal”.

Antes da chegada do papa, o local teve, ao longo de várias horas, momentos de animação musical, apresentações artísticas e multimédia.

Foto © EPA/Esteban Biba

Insistindo na necessidade de olhar para a realidade concreta, o pontífice sublinhou que “não basta estar conectado o dia inteiro para se sentir reconhecido e amado”.

A multidão aplaudiu várias passagens da intervenção, incluindo uma referência ao fundador dos Salesianos, São João Bosco, considerado uma referência da Igreja Católica na ação com as novas gerações.

“É preciso olhar os jovens com os olhos de Deus e ele (São João Bosco) assim fez”, afirmou.

A vigília incluiu testemunhos de uma família do Panamá, que recusou abortar uma filha com deficiência; de um antigo “pandillero”, ex-toxicodependente que esteve preso, também do Panamá; e de uma jovem cristã palestina, que falou sobre a perseguição religiosa.

O papa agradeceu ao casal Erika e Rogelio, pelo seu depoimento e pela defesa da sua filha Inês. “Acreditastes que o mundo não é só para os fortes. Obrigado”, observou.

A multidão respondeu “sim” às perguntas e repetiu uma frase sugerida pelo papa: “Só o que se ama pode ser salvo”. “Só o amor nos torna mais humanos” insistiu.

Francisco saudou depois o jovem Alfredo, de 20 anos, cuja fé o ajudou a superar os problemas ligados à droga, e sublinhou que, neste caso, foram visíveis as consequências de uma vida “sem trabalho, sem instrução, sem comunidade, sem família”.

“É a cultura do abandono e da falta de consideração. Não digo todos, mas muitos sentem que não têm nem muito nem pouco para dar, por falta de espaços reais que a isso os convoquem. Como hão de pensar que Deus existe se, para seus irmãos, há muito que deixaram de existir?”, acrescentou.

O papa regressou às linguagens do digital para defender que “ser um ‘influencer’ no século XXI significa ser guardião das raízes”, para que a vida não se evapore, “no nada”. “Maria não comprou um seguro de vida, arriscou, por isso é forte”, declarou Francisco.

A vigília continuou com um momento de adoração ao Santíssimo Sacramento; a hóstia consagrada foi apresentada à multidão numa custódia feita de balas fundidas, sinal do desejo de paz na América.

O momento de silêncio e reflexão é proposto como oportunidade de rezar pelas vocações, da família aos missionários.

Após a oração, o papa Francisco entregou aos jovens a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, presente no Campo São João Paulo II durante toda a noite, que saiu em procissão no meio dos jovens.

Para chegar ao Campo São João Paulo II, por volta das 13h30 (18h30, em Lisboa) os algarvios fizeram uma longa caminhada e estiveram cerca de três horas para conseguir entrar no local da vigília. Calcula-se que pernoitarão esta noite ali mais de 200 mil jovens.

A JMJ 2019, iniciada na terça-feira, conclui-se este domingo, neste mesmo espaço, com a missa de envio e o anúncio da próxima cidade-sede do maior evento juvenil promovido pela Igreja Católica.

com Ecclesia

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