D. Vitorino Soares presidiu à Eucaristia de abertura do ano académico da Universidade do Algarve, na Sé de Faro

O bispo do Algarve, D. Vitorino Soares, presidiu à Eucaristia de abertura do novo ano académico da Universidade do Algarve (UAlg), celebrada ontem à noite na Sé de Faro, numa iniciativa promovida pela Capelania daquela academia e concelebrada pelo respetivo capelão, o padre António de Freitas.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A celebração contou com a participação de estudantes, docentes, funcionários não docentes, familiares e amigos, tendo sido marcada pelo apelo à construção de uma comunidade académica unida, solidária e capaz de acolher cada pessoa.

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Na homilia, D. Vitorino Soares propôs três palavras para orientar a reflexão sobre os textos litúrgicos do dia: “divisão, redução e união”.

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A propósito da divisão, o bispo do Algarve refletiu sobre a diferença entre cumprir normas e compreender o seu sentido, recorrendo ao exemplo da sinalização rodoviária. “Porque quando entendemos, segundo o Espírito, diz lá São Paulo, nós fazemos a experiência de uma liberdade”, afirmou, defendendo que o cumprimento das regras deve resultar também da compreensão daquilo que procuram proteger. “Eu não sou escravo da lei. Eu sou cumpridor da lei, mas estou acima da lei”, disse, ao explicar que a compreensão do sentido das normas permite agir de forma consciente, para além da mera obrigação. “Fazemos a experiência de alguém que cumpre, mas se não fosse imposto cumpria na mesma. Isto é, se não houvesse semáforos, eu tinha capacidade de dar a prioridade a outros?”, interrogou.

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Sobre a segunda palavra – “redução” – D. Vitorino Soares distinguiu a redução de exigências e encargos da imposição de novos fardos. “Este Jesus não vem para oprimir, este Jesus não vem para carregar fardos. Este Jesus vem para reduzir fardos, vem para aliviar, vem para nos tornar também mais capazes de suportar as propostas que Ele próprio também faz”, afirmou.

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O bispo acrescentou que Jesus “é capaz de reduzir aquilo que é mau e é capaz de multiplicar aquilo que é bom”, sublinhando a importância de aliviar os outros em vez de lhes impor exigências que não se está disposto a assumir.

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A terceira palavra – “união” –, foi apresentada como o caminho para compreender o sentido das normas e viver essa atitude de alívio e proximidade. “A união é o mudarmos de lugar”, afirmou, defendendo a importância de cada pessoa se colocar na posição do outro. “Se eu estivesse no lugar do outro, como é que eu gostaria que atuassem comigo? Se eu estivesse no lugar do outro, que palavras é que eu gostaria que chegassem também ao meu coração? Se eu estivesse no lugar do outro, que incentivo, que estímulo é que eu também gostaria que fosse colocado no meu percurso?”, questionou.

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Para D. Vitorino Soares, esta atitude deve marcar o início do ano académico, vivido não de forma isolada, mas em comunidade. “É fundamental. Mas convencidos que cada um no seu lugar é uma peça fundamental”, afirmou, desejando que Deus acompanhe a comunidade universitária ao longo do novo ano letivo.

Vice-reitora destacou importância das relações humanas

A vice-reitora da Universidade do Algarve, Patrícia Pinto, que representou a reitora, ausente numa viagem institucional, considerou a celebração “um momento de encontro e reflexão, no qual todos nós renovamos a esperança e a confiança com que iniciamos cada ano letivo”.

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Na sua intervenção, salientou que a universidade se constrói não apenas através do conhecimento, mas também das relações entre as pessoas. “É também uma oportunidade para reconhecermos que uma universidade se constrói através do conhecimento, isso é um facto, mas igualmente através das relações humanas, da solidariedade, da interajuda e do respeito por cada pessoa”, afirmou.

Patrícia Pinto destacou a mensagem do bispo do Algarve sobre a importância de cada um se colocar no lugar do outro, considerando que essa atitude pode contribuir para ultrapassar dificuldades nas relações humanas. “Gostaria muito que os nossos estudantes que aqui estão tivessem esse cuidado com os seus colegas, com aquele colega que está mais isolado, que pode estar com um problema pessoal, que pode estar com um problema académico, com alguma dificuldade, que tenham sempre esta atitude de interajuda, de colocarem-se no lugar do colega”, disse.

A responsável estendeu este apelo à relação entre docentes e estudantes, defendendo a importância da compreensão mútua no quotidiano académico.

Dirigindo-se particularmente aos novos alunos, Patrícia Pinto deu-lhes as boas-vindas à instituição. “Sejam muito bem-vindos à nossa casa”, afirmou, desejando que encontrem na universidade “não apenas um local de espaço de aprendizagem e crescimento académico, mas também uma comunidade, uma família, tal como sentimos aqui hoje, que vos apoia, que vos desafie e que vos ajude a concretizar os vossos sonhos e os vossos projetos”.

A vice-reitora agradeceu ainda o empenho de estudantes, docentes, investigadores e trabalhadores não docentes, desejando à comunidade académica um ano letivo marcado pelo entusiasmo, pela solidariedade, pela responsabilidade e pela amizade.

No final, D. Vitorino Soares agradeceu a presença dos participantes e a intervenção da vice-reitora, destacando a mensagem de esperança para o novo ano letivo. O bispo manifestou o desejo de que a comunidade académica possa corresponder e fortalecer os dons e as sementes colocados “no nosso coração, na nossa mente e nas nossas dores”.

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O bispo do Algarve procedeu à bênção dos estudantes após a homilia e à bênção dos docentes e funcionários não docentes após a comunhão.

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Capelão destacou que “pedir a bênção de Deus para a comunidade académica é pedir o melhor bem”

O padre António de Freitas agradeceu a presença do bispo do Algarve, referindo que a celebração correspondia a um desejo manifestado pelos estudantes e concretizado com a colaboração da equipa da Pastoral Universitária.

O capelão explicou que “pedir a bênção de Deus para a comunidade académica é pedir o melhor bem”. Recordando uma intervenção anterior de D. Vitorino Soares, por ocasião da inauguração das novas residências universitárias, citou a expressão “que invocar a bênção de Deus, é invocar o bem para todos”.

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O sacerdote convidou ainda os participantes a acompanharem as atividades da Capelania através da sua página no Instagram e a prolongarem o encontro num momento de convívio nos claustros da Sé de Faro. “Desafio-vos porque construir comunidade não pode ser sem relações humanas”, disse.