Pub

Foto © Samuel Mendonça
Padre Miguel Neto

Desde 2003 e 2004 o Algarve tem sido fustigado por grandes incêndios, destruindo largas áreas de natureza e deixando marcas profundas na economia, sobretudo do interior da região.

Matas, animais e pessoas foram afetadas e este ano, mais uma vez, este flagelo assolou as nossas populações, trazendo a angústia e a destruição. Monchique, Portimão e Silves foram os concelhos mais afetados e foram muitas as centenas de homens e mulheres que combateram o fogo, procurando ajudar quem mais precisava.

Ora numa frente ativa, ora noutra que reacendeu ou mesmo num novo incêndio (como o que aconteceu em Silves na manhã do dia 8 de setembro), todas as corporações algarvias foram prontas na resposta e inexcedíveis nos seus esforços, que acabaram por resultar na extinção dos fogos. Dias e dias seguidos de contacto com o calor intenso, caminhando por locais onde se exigia mais ao corpo do que o que certamente é expectável, poucas horas dormidas, zero descanso: foi este o cenário real e não de filme ou série de TV, que todos pudemos acompanhar pelo trabalho da imprensa, que acorreu ao local e também se esforçou por dar a melhor imagem dos acontecimentos.

E este cenário regional foi, como sabemos, igual quando aplicado ao contexto nacional, senão vejamos: no norte foram milhares os hectares ardidos, quer no interior, quer no litoral; no centro repetiu-se a tragédia e certamente não mais esqueceremos as imagens da Madeira, com a cidade do Funchal a sucumbir às chamas.

Todos nos sentimos tocados. Todos sentimos que era necessário fazer algo, quer pela defesa da floresta, quer pela proteção destes homens e mulheres que a protegem. Todos falámos, desde o mais anónimo cidadão, até ao Presidente da República. Todos sabemos que não podemos deixar que esta situação continue por muitos mais anos, ou corremos o risco sério de destruir toda a riqueza florestal que possuímos.

Mas, na verdade, ficam várias perguntas no ar: não somos nós todos responsáveis pela limpeza das nossas terras, dos nossos jardins, das nossas casas e cidades?… Não somos todos responsáveis pela não identificação dos incendiários?… E dos interesses que os motivam?…. E por não haver penas pesadas para essas pessoas?…..

Ficam muitas ideias para refletirmos, mas fica uma certeza: nesta história há heróis de verdade, gente que tem família, gente que pode morrer, gente que sofre e que sente o sofrimento dos outros, gente que dá tudo de si e que aceita todos os riscos pondo-se ao serviço da comunidade. São os bombeiros, heróis a quem deixo o meu obrigado e a minha admiração e que gostaria de ver menos nas notícias e mais nos seus afazeres quotidianos, pois seria sinal de que haveria menos incêndios.

Pub