A Câmara de Monchique homenageou esta manhã o cónego Firmino Ferro, antigo vigário-geral da Diocese do Algarve, falecido em 2016, com a atribuição do seu nome a um arruamento daquela vila.

A artéria em causa é a que percorre a Estrada Nacional 266-3 (até agora vulgarmente conhecida como Estrada da Fóia) no troço urbano na vila de Monchique e que liga a rotunda de São Sebastião até ao lote 1 da Urbanização da Ceiceira.

Na cerimónia desta manhã, o presidente da autarquia considerou o Dia da Vila e do Concelho o “ideal para fazer este tipo de homenagens”. “Vamos fazer também esta justa homenagem ao padre Ferro que é uma pessoa que nos toca a todos de uma forma especial, principalmente àquelas gerações que tiveram o privilégio de conviver com ele”, começou por referir Paulo Alves.
O autarca defendeu ter sido em Monchique que o homenageado “teve a maior projeção em termos pessoais e da função que desempenhava como pároco”. “Recordo-me bem do padre Ferro, principalmente na minha adolescência, do salão que ele criou naquele centro paroquial. Eu era criança quando ele decidiu avançar com aquelas obras. Procurou apoios em todo o lado, falou com os empresários locais. Era uma pessoa extremamente dinâmica, era focado naquilo que queria fazer. Deixou ali uma obra feita ao serviço de todos e principalmente dos jovens”, lembrou Paulo Alves, explicando que a juventude era um setor da sociedade com que o falecido sacerdote “se preocupava muito”.
“E foi por isso que ele fez aquele salão que lá está, que na altura era do melhor que tínhamos em Monchique para a juventude. Passávamos lá tardes incríveis, matinés, convívios”, acrescentou.

O edil recordou ainda que o cónego Firmino Ferro “tinha uma biblioteca fantástica” no seu gabinete, que teve também a “oportunidade de visitar várias vezes”. “Pessoalmente, deu-me muito apoio em 1992 quando o meu pai faleceu, quando eu tinha 22 anos. Estava numa altura muito difícil e conversei muitas vezes com ele”, testemunhou ainda.
O autarca disse ainda que o homenageado “sabia conversar com toda a gente sobre todos os assuntos”. “Dava conselhos. Não era uma pessoa muito aberta, muito expansiva, mas sabia estar, sabia conversar, sabia dar esses bons conselhos e é daquelas pessoas que nos deixa incríveis saudades”, sustentou.
Paulo Alves considerou que aquela homenagem “diz muito não só do executivo, mas da população, porque o nome do padre Ferro é unanimemente reconhecido como uma pessoa muito querida em Monchique”, assim como “noutros sítios também”. “Mas, efetivamente, em Monchique acho que foi onde ele deixou maiores saudades e onde deixou a sua maior marca”, realçou.

Também a presidente da Mesa da Assembleia Municipal destacou a obra do homenageado. “Se alguém fez coisas por Monchique, o padre Ferro foi um deles”, afirmou Maria da Graça Mira, explicando que, após sair de Monchique, “em Silves fez uma obra enormíssima também”.
Graça Mira considerou, por isso, que deveria ser noutro local a toponímia de homenagem ao antigo pároco. “Acho isto muito, muito bem, mas esta vai ser sempre a Estrada da Foia. Nunca vai ser conhecida como a Rua do Padre Firmino Ferro. Desculpem dizer isto, mas não ficava bem se o não dissesse”, afirmou.
O presidente da Câmara Municipal aproveitou o desabafo para dizer que “haverá, com certeza, oportunidade de colocar o nome do padre Ferro noutro local que não seja só uma rua”.

O atual pároco de Monchique também usou da palavra para dizer que conheceu o cónego Firmino Ferro “ainda no tempo de Seminário”. “A ideia que eu tenho dele é que era um homem da Igreja, um homem muito dado. Dado àquilo que eram as suas funções, dado àquilo que era a missão que lhe era confiada. E um homem que procurava ser próximo das pessoas”, disse o padre Tiago Veríssimo.
“Quando eu estava no Seminário e nos encontrávamos, de vez em quando, ele perguntava como é que estava a correr”, prosseguiu, explicando que conheceu o antigo vigário-geral já nos seus últimos anos de vida dele.

Quem melhor conheceu e também se referiu ao homenageado foi o diácono Manuel Chula, natural de Monchique. “Ele veio aqui para Monchique num tempo difícil, em 1974, depois do 25 de Abril. A população tinha-se amotinado um pouco contra o padre que cá estava anteriormente, o padre José Melo, e o padre Ferro veio para cá, nessa situação difícil”, contou, lembrando que o sacerdote ficou a residir “numa casa que estava adstrita aos padres coadjutores” que vinham para a vila.
“Todos nós o conhecemos, sabemos que ele era um homem forte, mas dizia-se que tinha um coração maior do que ele”, prosseguiu, explicando que no início “não aceitava nada de ninguém”, mas depois rendeu-se à “maneira de ser” e à “generosidade” dos monchiqueiros. “Começámos a oferecer-lhe coisas e ele começou a aceitar e disse que em Monchique aprendeu a dar e a receber”, testemunhou o diácono, lembrando que o antigo pároco “era de uma generosidade extrema”. “Tinha este dom de criar empatia com as pessoas e daí que ter ficado no coração das pessoas de Monchique e o recordarmos com saudade pelos 15 anos que ele esteve aqui”, afirmou, lembrando que os jovens “receberam muito”.

“Talvez alguém se lembre ainda, por exemplo, dos fins de semana que fazíamos por aí, dispersos pelas localidades”, disse ainda, acrescentando que o sacerdote “tinha de estar sempre a fazer qualquer coisa” e destacando o “entusiasmo que ele tinha e que ele punha no exercício do seu ministério”. “E por isso hoje nós, monchiqueiros, estamos muito agradecidos a ele pelo trabalho que ele aqui fez. Em boa altura o município resolveu fazer esta homenagem dando-lhe o nome desta rua”, disse ainda o diácono Manuel Chula.
Antes, a autarquia atribuiu também o nome do investigador e escritor José Rosa Sampaio ao arruamento em São Roque que serve a fachada principal da Escola Básica e os lotes 4 a 8 e os edifícios E1 e E2 da Urbanização de São Roque e depois realizou ainda a homenagem aos antigos combatentes do Ultramar, junto ao monumento que lhes é dedicado.










