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Cardeal-patriarca veio lembrar que a última exortação do papa visa a santificação de cada pessoa

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O cardeal-patriarca de Lisboa veio ao Algarve nos dias 24 e 25 do mês passado apresentar a última exortação do papa Francisco.

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Gaudete et Exsultate [Alegrai-vos e Exultai] é a terceira exortação apostólica do atual pontificado, foi apresentada em abril deste ano e é dedicada à “santidade no mundo contemporâneo”.

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Na apresentação, que contou com cerca de 1250 pessoas, feita no primeiro dia em Faro no salão da paróquia de São Luís e no segundo em Portimão na igreja matriz, D. Manuel Clemente deixou claro que a finalidade do documento é a santificação de cada pessoa porque “Deus tem um projeto” para cada uma.

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“Para cada um de nós Deus tem um projeto e uma expetativa. Mesmo aqueles nossos irmãos que, por deficiência física ou mental, não têm consciência disso, não existem por acaso”, frisou em Faro, lembrando que “não pode haver iniciação cristã que não leve à pergunta: Senhor, que queres que eu faça?”.

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O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa considerou, por isso, que a “grande crise de vocações em todas as Igrejas de Portugal” deve-se em parte à “falta de atenção” das comunidades a esta dimensão que deve levar o ser humano a perceber que “Deus tem um destino e um apelo para cada um e esse é o caminho da sua santificação e essa é a sua missão que se não for feita fica por cumprir”.

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“O que o papa está a dizer é que tudo aquilo que se chama Igreja e que se faz na Igreja tem como única finalidade a nossa santificação”, afirmou, lembrando que “a Igreja é a santa Igreja dos pecadores”. “Pecadores somos todos, mas, no entanto, é santa porque Deus não desiste de nós e nos dá a possibilidade de conversão e santificação”, justificou, considerando que a exortação “causou alguma surpresa” nos media porque “era um tema inesperado”.

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Prosseguindo, D. Manuel Clemente exortou cada pessoa a olhar para a sua “vida de cada dia como um caminho de santificação, de correspondência a Deus” que o levará à felicidade. “O que está em jogo é a nossa vida, é a nossa realização. Quando, geralmente, se fala em realização é fazer aquilo que eu quero. Quando se fala em santificação é fazer aquilo que Deus quer”, distinguiu, observando que “quem quer o que Deus quer tem tudo quanto quer”.

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Lembrando que os “meios de santificação” existem, mas que a dificuldade está ao nível da “assimilação”, o cardeal-patriarca advertiu para os “dois grandes perigos” – o gnosticismo e o pelagianismo – identificados pelo papa e que “dificultam o caminho da santidade”. “A santidade não se conquista longe dos outros, cá com os nossos deslumbramentos pessoais ou grupais, nem se conquista a pulso. É um dom de Deus”, garantiu, frisando que “a santificação é um caminho comunitário”.

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D. Manuel Clemente, que destacou a importância de conhecer e praticar os mandamentos e as bem-aventuranças, defendeu que “a rendição à graça de Deus é a primeira condição da santidade” e ser por isso que a primeira bem-aventurança exalta os “pobres em espírito”. “Pobres em espírito não quer dizer deficientes mentais como, às vezes, se dizia – esses com certeza que também são salvos porque são criaturas divinas e Deus gosta de todos, especialmente dos mais fracos –, mas não é disso que se trata. É ter esta pobreza espiritual, sabendo que estamos diante de Deus sem nada, a não ser a nossa disponibilidade para o que ele quiser”, explicou.

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Por isso, acrescentou que o “sinal da santidade” e o “primeiro degrau do caminho espiritual é a humildade”. “É a pobreza de espírito de estarmos diante de Deus”, afirmou, rejeitando “reduções mentais do Cristianismo” ou “voluntaristas” para se alcançar a santidade. “O que devemos é permitir e, cada vez mais deixar, que a graça de Deus e o Espírito de Jesus Cristo nos faça santos. E pedi-la! Eu não sei se pedimos suficientemente a graça de Deus”, alertou.

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Foto © Carla Ventura

D. Manuel Clemente lembrou que os santos são “gente que teve esta disponibilidade diante da graça de Deus e a graça de Deus fez prodígios neles exatamente porque eram humildes” e desafiou os formadores a “explicar que se aquelas figuras foram reconhecidas como santos e santas pela Igreja e postas à adoração dos fiéis não são gente do outro mundo”. “São gente bem deste mundo”, recordou.

Foto © Carla Ventura

O cardeal-patriarca lembrou ainda que as “caraterísticas que o papa Francisco acha particularmente importantes para a santidade” no contexto atual são “suportar, alegrar-se e ousadia”, realizadas “em comunidade e em oração”.

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O orador – que na sua passagem pelo Algarve visitou ainda a costa vicentina ligada a São Vicente, (padroeiro comum à Diocese do Algarve e ao Patriarcado de Lisboa), a cidade de Lagos e o concelho de Monchique, atingido no início de agosto passado pelo incêndio – recordou igualmente que as “armas” para “lutar”, tendo em vista a santificação, são “a fé que se expressa na oração, a meditação da Palavra de Deus, a celebração da missa, a adoração eucarística, a reconciliação sacramental, as obras de caridade, a vida comunitária e o compromisso missionário”.

Conferência em Faro de D. Manuel Clemente

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