Na peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora da Piedade, popularmente invocada como «Mãe Soberana», em Loulé, que a Diocese do Algarve organizou ontem para celebrar o VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, o vigário-geral da instituição alertou que sem a ligação à raiz familiar que aquelas pessoas constituem, a humanidade corre o risco de desaparecer.


“Os mais novos continuarão a vida descobrindo coisas novas para que a vida seja ainda melhor, mas sempre agarrados à raiz: ao pai, à mãe, ao avô, à avó. Sem isso, a humanidade desaparece ou então passa a ser um conjunto de selvagens”, afirmou o cónego César Chantre, que presidiu à Eucaristia daquela peregrinação, participada sobretudo por inúmeros utentes de instituições canónicas solidariedade social, nomeadamente Santas Casas da Misericórdia e Centros Paroquiais de todo o Algarve, mas também por outros que vieram por sua livre iniciativa, alguns acompanhados dos netos.

Aquele responsável dirigiu-se mesmo a cada daqueles “irmãos mais velhos”. “O mundo precisa de ti, da tua sabedoria, da tua vivência, do teu amor”, afirmou, acrescentando: “O mundo precisa dos avós e dos mais velhos para que os mais novos sintam que são o resultado de uma história”. “E quem nos ensina a história da família é o nosso avô e a nossa avó. Os nossos pais são a presença de Deus na humanidade e os nossos avós são aqueles que defendem a tradição que receberam dos nossos bisavós”, sustentou.


O sacerdote referiu-se ainda à caridade que torna possível o apoio social àquelas pessoas. “O maior instrumento que temos para melhorar o mundo é a caridade e a Igreja, no meio das suas dificuldades, incentiva sempre grupos de cristãos para continuarem esta obra de amor que é abraçar os mais velhos”, afirmou. “Encontramo-nos uma vez por ano para que os avós e os mais velhos sintam que não estão sozinhos. Encontramo-nos para termos mais força. E qual é a força? A força de Deus. Todos os anos temos este encontro para sairmos daqui mais fortes”, observou.


O cónego César Chantre dirigiu-se ainda àqueles agentes do terceiro setor que “são o braço armado da Igreja”. “E qual é a arma? O amor e a caridade”, realçou, agradecendo ainda a “todos os responsáveis que tornam possível” aquele encontro anual. “Para os responsáveis, os presidentes das direções, os diretores de serviços, os educadores, os assistentes sociais, a administração de cada lar que são pessoas que trabalham, às vezes no escondimento, que ninguém se lembra delas, para essas pessoas que dão a sua vida a favor dos mais velhos peço uma grande salva de palmas”, concluiu, na Eucaristia concelebrada pelo capelão daquele santuário, o padre Carlos de Matos, que contou com o serviço do responsável pelo Departamento da Pastoral Social da Diocese do Algarve, que promoveu aquela peregrinação, o diácono Luís Galante.

A iniciativa teve início, após a chegada e acomodação dos participantes, com a recitação do terço e depois da Missa com o almoço que teve lugar no Centro Paroquial de Loulé.


A 26 de julho de cada ano, a Igreja Católica faz memória de São Joaquim e Santa Ana, pais da Virgem Maria e avós de Jesus. Associado a esta data, em 2021, o Papa Francisco instituiu o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, a celebrar no quarto domingo de julho, que neste ano de 2026 ocorre no próprio dia 26. Este VI Dia Mundial dos Avós e Idosos tem como tema “Eu nunca te esquecerei” (Is 49, 15), que foi publicada no passado dia 15 de junho.












