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Citricultores algarvios consideram que contratação de estudantes nas férias pode ajudar setor

A criação de condições legais para contratar estudantes de forma sazonal na agricultura pode ser positiva para um setor que tem sentido dificuldades para encontrar mão-de-obra suficiente, disseram à Lusa representantes de duas organizações de citricultores do Algarve.

A Lusa falou com Pedro Madeira, da Frutas do Sotavento Algarvio (Frusoal), e com Horácio Ferreira, da Cooperativa Agrícola de Citricultores do Algarve (CACIAL), e ambos disseram ver com bons olhos essa possibilidade, caso o Governo venha a criar um regime de incentivos que torne legal a contratação de estudantes nas férias para trabalhar na agricultura.

Segundo o semanário o Expresso, o executivo está a estudar isenções de Imposto sobre o Rendimento Coletivo (IRC) para empresas agrícolas e de Imposto sobre o Rendimento Singular (IRS) para jovens que queiram trabalhar nas férias, bem como não haver agravamento para o imposto dos pais para tornar essa contratação possível.

Os representantes dos citricultores algarvios consideram que esse objetivo depende ainda da vontade dos próprios estudantes, que optam muitas vezes por fazer trabalho sazonal no setor do turismo.

Horácio Ferreira disse à Lusa que “neste momento já se está a verificar alguma escassez de mão-de-obra” para as colheitas e a possibilidade de os estudantes poderem ser contratados para ajudar é útil aos produtores.

“Virem para o setor estudantes para fazer a apanha de frutos ou fazer outros trabalhos parece-me uma boa medida”, afirmou.

O representante observou que “há dois grandes setores que precisam de mão-de-obra no Algarve, que são a hotelaria e a agricultura”, e ambos “são os que podem beneficiar mais” com o eventual trabalho de jovens.

“São as duas atividades que são a base da economia regional, portanto, acho que sim, acho que, havendo a possibilidade de contratação ou da vinda de estudantes para área, isso é bom. E penso até que salutar que os estudantes se dediquem a essa atividade, numa altura em que menos têm que fazer, até para não se dedicarem a outras coisas”, considerou.

Horácio Ferreira alertou, no entanto, para a existência de uma menor necessidade de mão-de-obra por parte dos citricultores nos períodos em que os estudantes estão mais disponíveis.

“Quando os estudantes podem ajudar mais é quando os produtores têm menos trabalho, porque as colheitas no verão declinam. Em agosto, já não temos grandes quantidades de laranjas nas árvores”, exemplificou.

Pedro Madeira, da Frusoal, disse que os produtores seriam beneficiados se houvesse alterações ao Código do Trabalho ou ao regime fiscal, mas manifestou dúvidas sobre o interesse que os jovens possam ter em trabalhar na colheita de fruta.

“Benefícios traz sempre, se houver benefícios para os jovens e as empresas. Agora, os jovens que querem trabalhar, trabalham. O problema é que muitos deles não querem trabalhar na agricultura”, alertou.

O gerente da Frusoal disse ainda que outra das questões passa pela “concorrência” que o turismo faz ao absorver muitos desses estudantes que querem trabalhar: “Muitos dos jovens que querem trabalhar, preferem fazê-lo na hotelaria e na restauração”, sustentou Pedro Madeira.

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