O cónego Mário de Sousa completou no último domingo, 28 de junho, 30 de sacerdócio e as suas comunidades paroquiais quiseram assinalar a efeméride com a celebração de uma Eucaristia na igreja matriz de Portimão, seguida de um jantar-convívio.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O motivo de celebrar tão festivamente, por sugestão do Conselho Pastoral paroquial, uma data habitualmente menos comemorada foi explicado pelo padre Nelson Rodrigues. O sacerdote lembrou que há cinco anos, nos 25 de ordenação do aniversariante, a celebração decorreu muito limitada por ainda se viverem as contingências impostas pela pandemia de Covid-19. “Naquela celebração do jubileu de prata do senhor padre Mário faltava o abraço, faltava a proximidade, faltava o convívio paroquial”, considerou na intervenção que teve no final da Eucaristia.

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O cónego Mário de Sousa destacou a importância no exercício do seu ministério do escutado Evangelho da solenidade dos apóstolos Pedro e Paulo, em que Jesus estabelece diálogo com Pedro para aferir do seu amor por Ele. “Todos os anos escuto esta palavra, que foi a que ouvi no dia da minha ordenação, e recordo, com muito carinho e muita amizade, o D. Manuel Madureira que, atualizando a palavra, em nome de Jesus me perguntava «Mário, tu amas-me?» e como tenho procurado, ao longo destes anos, ser verdadeiro na minha resposta, apesar das minhas misérias, dos meus pecados e das minhas quedas: «Senhor, eu não consigo ainda amar-Te com esse amor incondicional como Tu me amas a mim, mas uma coisa eu sei e quero saber sempre: eu sou deveras teu amigo»”, referiu.

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O sacerdote da Diocese do Algarve lembrou que «Tu amas-me?» “é a pergunta fundamental que o Senhor faz a cada um, de um modo particular aos sacerdotes”. “Não é «sabes muita teologia?», «tens jeito para pregar?», «sabes o catecismo todo?», «rezas o terço todos os dias?», «celebras a Eucaristia?». Tudo isso é importante, mas é uma consequência daquilo que verdadeiramente importa: «Tu amas-me?»”, evidenciou na Eucaristia que contou com a participação da sua família.

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Realçando que aquela palavra “ilumina” a sua vida e a de todos os sacerdotes, lembrou que a sua missão “não é outra senão levar o nome de Jesus” a “tantas vidas que anseiam por encontrar luz, conforto, um horizonte de esperança e de salvação”. “Rezai por mim, rezai por todos os sacerdotes, para que sejamos verdadeiramente amigos de Jesus. O resto virá por acréscimo”, pediu o cónego Mário de Sousa, que quis associar à celebração “tanta gente” que foi para si “sinal da presença de Deus”. O sacerdote regozijou-se ainda com os dois seminaristas da diocese algarvia, oriundos das suas comunidades paroquiais. 

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Em nome do Conselho Pastoral paroquial e das comunidades da matriz de Portimão e da Pedra Mourinha, um membro da primeira comunidade apresentou o seu testemunho como o de alguém que fez o seu percurso de fé e iniciação cristã com o sacerdote aniversariante. “Deste tempo resultaram e continuam a resultar frutos imensuráveis do louvor e serviço a Deus e na vida destas vibrantes e empenhadas comunidades”, afirmou João Correia, enumerando o trabalho do sacerdote e a sua entrega na pastoral, na recuperação do património, entre outras áreas. “Deus concedeu-nos um pastor que se tem dedicado para que vivamos, com maior plenitude, a experiência do encontro com Cristo Jesus ressuscitado”, destacou sobre o sacerdote a quem foi feita a entrega de um ramo de flores e mais tarde, no jantar, uma lembrança das comunidades.

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Seguiu-se o testemunho do padre Nelson Rodrigues, de quem o cónego Mário de Sousa foi reitor no Seminário de Faro e professor de Teologia no Instituto Superior de Teologia de Évora, garantindo ter tido um “papel decisivo” no seu percurso vocacional. O padre Nelson Rodrigues disse ainda que o aniversariante é “um homem muito firme” que “nunca gostou de indecisões” e garantiu que “tem um coração rápido para se alegrar com a alegria dos outros”. “Isso é uma das mais belas qualidades de um pastor”, considerou, acrescentando tratar-se de “um coração de pastor apaixonado pela Igreja, dedicado ao povo que lhe foi confiado e sempre disponível para os seus irmãos sacerdotes”.

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Já o bispo do Algarve, que se juntou à Eucaristia no final da celebração, manifestou o seu reconhecimento pessoal, bem como o da diocese, pelo serviço do cónego Mário de Sousa e pelo modo como o tem prestado, seja em Portimão, seja também a nível da diocese. “Aqueles da primeira hora devem lembrar-se, e eu recordo-me ainda, que quando entrei aqui com o senhor padre Mário havia baldes espalhados para recolher a chuva. Chovia aqui dentro”, lembrou D. Manuel Quintas para valorizar as obras de restauro e conservação feitas naquela igreja. “Esta restauração da vossa igreja paralelamente contribuiu para a restauração e para o crescer da comunidade”, sustentou.

O bispo diocesano acrescentou ainda a aquisição das instalações do Centro Pastoral da matriz e que disse ter permitido “criar dinamismos impressionantes de evangelização e de consciencialização do ser cristão”, para além de ter servido para acolher escuteiros, crianças, adolescentes, jovens e adultos e também a Cáritas paroquial. “E a mesma coisa podemos dizer da Pedra Mourinha desde que o padre Mário assumiu a comunidade no que diz respeito à conclusão daquelas obras”, acrescentou, referindo-se à conclusão da construção da igreja do vicariato do Sagrado Coração de Jesus.

“É evidente que estas celebrações são muito importantes e não se trata de estar aqui a incensar ou a bajular, mas trata-se de reconhecer a ação de Deus na nossa vida, através daqueles que nos enviou”, considerou, certo de que aquela celebração contribuirá ainda mais para que todos possam “crescer no apreço” pelo pároco, “mas sobretudo pelo sacerdócio”. “É muito importante crescermos no apreço por este dom e tornarmo-nos todos agentes de uma pastoral vocacional”, conclui D. Manuel Quintas, apelando ainda à oração pela vocação sacerdotal.

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Após a celebração que contou com o presidente da Câmara de Vila Real de Santo António, Álvaro Araújo, terra natal do aniversariante, e da vice-presidente da Câmara de Portimão, Sandra Pereira, seguiu-se o jantar. Naquele contexto, o cónego Rui Barros Guerreiro apresentou também o seu testemunho, manifestando a influência do cónego Mário de Sousa no seu discernimento vocacional, bem como o cuidado pastoral e trabalho do aniversariante realizado no Seminário de Faro e na paróquia da Sé, mas também Movimento dos Convívios Fraternos e no Movimento dos Cursos de Cristandade, no Conselho Presbiteral e no Cabido da catedral.

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Também o presidente da Câmara de Portimão, Álvaro Bila, discursou, realçando sobretudo o seu trabalho na recuperação do património religioso da cidade.