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Com a interdição de atividades culturais com público devido à covid-19, as estruturas e os artistas algarvios viraram-se para o meio digital, depois de a maioria dos espetáculos terem sido adiados, disseram à Lusa fontes do setor.

As diversas autarquias, responsáveis pelas estruturas municipais, procuraram manter o apoio aos artistas e às associações culturais locais, canalizando verbas para apoios diretos ou através da criação de uma programação virtual que permita a produção de espetáculos com transmissão digital.

A Câmara Municipal de Faro foi das primeiras a anunciar um conjunto de apoios financeiros e iniciativas para o associativismo cultural, bem como uma medida de exceção para que as associações “demonstrem como a crise pode afetar a sua subsistência”, afirmou à Lusa o vereador da Cultura da Câmara de Faro, Paulo Santos.

A autarquia canalizou também “todas as verbas” que seriam usadas no “Teatro, na Biblioteca ou no Museu Municipal, agora encerrados”, para a “criação de espetáculos e performances a partir da casa dos artistas”, transmitidos em direto através de plataformas digitais.

Paralelamente, foi criado um apoio a “residências artísticas realizadas na própria casa ou ateliê do artista”, cujo resultado será apresentado em 2021, acrescentou.

Para Paulo Santos, “a cultura está a viver uma crise sem precedentes”, sendo necessário, nesta altura, “todo o apoio e solidariedade para com os artistas”, que são muitas vezes “os primeiros a unirem-se para angariar fundos para quem precisa”.

Em Loulé, a regra também foi a “reprogramação das atividades culturais canceladas até ao final de junho, mas o Festival MED e o Festival Sou Quarteira foram cancelados” e o Festival Som Riscado “adiado para novembro”, revelou à Lusa a diretora municipal de Cultura de Loulé, Dália Paulo.

A responsável garantiu que “não deixaram cair nenhuma produção ou coprodução programada, quer para este ano ou para próximo”, o que permite “algum fôlego ao tecido artístico”, mantendo também a ajuda às associações culturais “com apoios pontuais” e a trabalhos que “possam ser feitos neste tempo de pandemia como a edição de CD e livros”, sublinhou.

A autarquia procurou manter “o pagamento aos espetáculos adiados”, porque considera estar em causa “um tecido artístico que é muito frágil”.

Para maio e junho está a ser preparada uma oferta com “um cunho completamente digital”, anunciou.

A Companhia de Teatro do Algarve (ACTA) procurou “não anular e reagendar os espetáculos”, mantendo os 13 funcionários “a trabalhar em casa em projetos futuros” e adiando para julho a estreia da peça marcada para o dia 25 de abril, afirmou à Lusa o diretor artístico e de produção da ACTA.

Em termos financeiros, tiveram a garantia da Direção-Geral das Artes que ”iria manter os apoios previstos” e “não têm surgido problemas” com as autarquias, com quem “há protocolos”, estando também a “reprogramar essas atividades para outras datas”, adiantou o responsável Luís Vicente.

Uma das maiores preocupações da companhia é o Festival de Objetos e Marionetas – FOME, agendado para o mês de setembro e “que depende dos apoios de cinco municípios, mais concentrados nesta altura no combate às consequências da covid-19 no seu concelho”, revelou.

Já a associação Devir, sediada em Faro, viu-se obrigada a adiar o festival Encontros do Devir, “a poucos dias do seu início”, não tendo conseguido “recuperar algum do investimento já efetuado”, afirmou à Lusa o seu diretor artístico.

José Laginha revelou que “foi pago um mês a mais” a quem estava a trabalhar no festival, que entretanto “ficou suspenso para ser agendado até ao final do ano”, estando a aguardar “que os teatros indiquem as datas possíveis”.

Em termos financeiros, José Laginha disse que, “à semelhança de outras estruturas”, se estão “a fazer de mortos”, não havendo “grandes expectativas”.

Ma maioria dos “espetáculos mais pequenos”, as bilheteiras “não cobrem os custos”, por isso, “é preferível fazê-lo com menos espectadores”, sendo “fundamental que se avance com a atividade”.

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