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As 12 Santas Casas da Misericórdia do barlavento algarvio decidiram reativar a suspensão das visitas aos utentes das suas Estruturas Residenciais para Idosos (ERPI) e Unidades de Cuidados Continuados (UCC).

Na verdade, no caso da Misericórdia de Aljezur até nem se trata de uma reativação, mas de um prolongamento da medida, uma vez que ela ainda não tinha sido levantada desde março.

A decisão afeta as Misericórdias de Albufeira (4 instituições, entre as quais uma ERPI, um lar de jovens e uma unidade de saúde mental), Alcantarilha (uma ERPI), Aljezur (uma ERPI), Alvor (uma ERPI), Armação de Pêra (uma ERPI), Boliqueime (uma ERPI), Estômbar (uma UCC), Lagos (6 ERPI), Monchique (uma ERPI), Portimão (uma ERPI e uma UCC), Silves (2 ERPI e uma UCC) e Vila do Bispo (2 ERPI), num total de 24 estruturas sociais.

O presidente do Secretariado Regional de Faro da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) explicou ao Folha do Domingo que a decisão surgiu após uma “recomendação” da delegada regional de saúde, articulada com a diretora do Centro Distrital de Faro da Segurança Social, depois do surto de Covid-19 originado com a festa em Odiáxere.

Armindo Vicente explicou que a taxa de contaminação resultante daquele acontecimento “é muito alta”, sustentando que dos 80 testes realizados no primeiro dia, 37 tiveram resultado positivo. “O perigo não está só nas visitas. Está também nos funcionários”, considerou, explicando que “as visitas são realizadas em períodos de 30 minutos e cada utente tem apenas uma visita por semana”, enquanto que “os funcionários podem estar em contágio nas linhas sociais e podem estar contaminados sem saberem”.

No entanto, e pese embora a contaminação possa acontecer por via indireta por existirem familiares, amigos ou vizinhos dos participantes, aquele responsável garantiu que nenhum dos participantes da festa trabalha nas instituições de Portimão e Vila do Bispo, faltando ainda confirmar nas de Lagos.

Consciente das consequências que aquela decisão tem nos idosos, Armindo Vicente disse tratar-se de “uma ação concertada e apenas preventiva”, uma vez que, “para já, não há confirmação de nenhum caso” confirmado de infeção naquelas instituições e adiantou haver IPSS que também já tomaram a medida. Sobre um eventual alargamento da mesma às Misericórdias de todo o Algarve é perentório: “tudo está dependente do resultado dos testes”.

O presidente do Secretariado Regional de Faro da UMP adianta que a suspensão “durará o tempo que a Direção-Geral da Saúde achar pertinente”. “O cenário epidemiológico é que vai ditar os parâmetros da suspensão”, reforça.

O também provedor da Misericórdia de Vila do Bispo considera que o plano de contingência para aquelas instituições, elaborado pela UMP e “o mais aproximado à realidade de execução” de cada uma delas, tem originado o balanço “muito positivo” até ao momento. “Passámos quase incólumes a esta situação toda”, refere, sustentando que em 8.000 testes, ter havido cerca 40 positivos na Misericórdia de Boliqueime “é uma taxa muito baixa”, não obstante ter havido 5 mortes de pessoas que já estariam em “situações de grande debilidade”.

Armindo Vicente considera que para estes resultados têm contribuído também os procedimentos assumidos e lembra que nos casos de admissões de novos funcionários ou de dúvida, “o processo é muito rápido”. “Fazemos a comunicação ao ABC [ABC-Algarve Biomedical Center] e ao Instituto de Segurança Social e, normalmente, no dia seguinte a pessoa está a fazer o teste. No caso de utentes que vão ao hospital, sempre que passem o período de 24h em estrutura hospitalar fazem o teste”, contou.

Covid-19: Armindo Vicente diz que suspensão das visitas “está a infligir danos fortes aos idosos”

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