Vigário episcopal para Pastoral apresentou programa pastoral para 2026/2027, centrado no encontro com Cristo através da Eucaristia, da vida espiritual e da oração

«Neste último ano, o convite que nos é feito é à perseverança na oração», afirmou o padre António de Freitas, vigário episcopal para a Pastoral da Diocese do Algarve, na apresentação do programa pastoral para 2026/2027, realizada na Assembleia Diocesana.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Este novo ano pastoral corresponde ao último do atual triénio e tem como tema “Perseverantes na oração”. Segundo o responsável pela Pastoral, a oração deverá estar relacionada com o caminho que a Diocese tem vindo a realizar. “Só a partir da perseverança na oração conseguimos ser pacientes diante das tribulações, só alimentados pela perseverança na oração conseguimos encontrar alegria e esperança naquilo que é o nosso ser e o nosso agir enquanto Igreja”, afirmou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O programa mantém as orientações relacionadas com a “conversão das relações e dos processos”, no seguimento do caminho sinodal, e acrescenta uma atenção particular à vida espiritual, à oração e à dimensão litúrgica.

Na apresentação do programa, o padre António de Freitas identificou três dimensões para o próximo ano pastoral: “a dimensão eucarística, a dimensão vocacional e a dimensão performativa”.

Eucaristia como lugar de encontro

Relativamente à dimensão eucarística, o sacerdote afirmou que esta terá “uma visibilidade, uma centralidade ainda maior”. A proposta inclui a celebração da Eucaristia, o culto eucarístico, a visita ao sacrário e a adoração, entendidos como momentos de “encontro com Cristo”. “É desse encontro que cada cristão pode redescobrir a sua identidade e acolher o envio para a missão”, afirmou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O padre António de Freitas referiu ainda a necessidade de uma abordagem formativa e teológica da Eucaristia, para que esta seja vivida “como presença, relação e transformação”.

Neste contexto, apontou “encontro” como uma das palavras centrais deste novo ano pastoral. “Fazer do que celebramos, fazer dos momentos eucarísticos, de adoração, os momentos de oração comunitária ou pessoal, o momento de encontro com Cristo, de encontro dentro da própria comunidade entre os seus membros e que depois nos projeta ao encontro com os outros no dia a dia no mundo”, explicou. “Só a partir deste primeiro encontro com Cristo, que tem lugar por excelência na Eucaristia, é que tudo o resto acaba por se ir transformando”, acrescentou.

A dimensão vocacional

A segunda dimensão apresentada foi a vocacional. O padre António de Freitas explicou que esta não se limita às vocações sacerdotais ou à vida consagrada, devendo partir da vocação batismal, da vocação à santidade e do discipulado. “A vocação está antes de tudo isso”, afirmou, referindo-se à necessidade de considerar a diversidade de ministérios, serviços e carismas existentes na Igreja.

 

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Segundo o sacerdote, “uma comunidade que reza, que leva os outros a sentirem não só a obrigação de rezar, mas a necessidade de se encontrar com Cristo na vida interior, acaba por gerar sempre esta abertura ao dom da santidade e aos chamamentos que Cristo pode fazer a cada um na diversidade dos ministérios, dos serviços e dos carismas”.

Formação e configuração com Cristo

A terceira dimensão foi apresentada como “performativa”. “Não se trata de gerar momentos de formação que sejam apenas partilha de informação, mas momentos de formação que levem à configuração com Jesus Cristo”, explicou o vigário episcopal para a Pastoral. A formação surge, assim, associada à experiência de encontro com Cristo e à transformação da vida cristã.

A oração e a vida pastoral

Entre as orientações apresentadas está a realização de momentos de oração e reflexão, retiros, ações de formação e iniciativas destinadas às comunidades, aos agentes pastorais e aos diferentes organismos da Diocese. O padre António de Freitas afirmou que os momentos espirituais, litúrgicos e de oração deverão ser entendidos como lugares de encontro. Entre os desafios apresentados está “fazer de todos os momentos espirituais, litúrgicos, orantes, pessoais ou comunitários, lugares de encontro”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O sacerdote referiu também a necessidade de “promover a descoberta da vida interior e orante, o lugar de encontro e de amizade”, acrescentando que “os momentos de oração e de vida litúrgica sejam encontros de amizade e de amor, em que nos deixamos amar e expressamos na medida das nossas possibilidades o nosso amor por Jesus, por Deus, pela sua Igreja”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Outro dos objetivos apresentados consiste em “promover cada ação pastoral tendo como objetivo primordial a promoção do encontro com Cristo e não o sucesso da realização das ações”. “O fundamental das ações pastorais, quaisquer que elas sejam, é sempre promover o encontro da comunidade em si e da comunidade à volta de Jesus. Não é a atividade por si própria”, afirmou.

“Sem a Eucaristia (…) tudo se torna cansaço e fracasso”

A centralidade da Eucaristia foi também sublinhada pelo responsável pela Pastoral. “Na verdade, sem a Eucaristia, ou seja, sem Jesus Cristo, pão da vida, tudo se torna cansaço e fracasso, pois é nele que nos suporta, nele vivemos, nos movemos e existimos, e sem ele nada podemos fazer”, afirmou. “Na verdade, é sempre graças à Eucaristia que a Igreja renasce sempre de modo novo”, acrescentou.

O padre António de Freitas relacionou ainda a oração com a conversão e a mudança na vida dos cristãos. “É a oração, o encontro com Cristo, o elemento determinante daquilo que é a conversão e a mudança que todos precisamos permanentemente deixar que aconteça na nossa vida”, afirmou.

Continuidade do caminho sinodal

O programa pastoral para 2026/2027 mantém as orientações relativas à conversão das relações e dos processos, acrescentando as dimensões espiritual e litúrgica ao caminho pastoral da Diocese. Entre as propostas apresentadas encontram-se retiros e momentos de oração e reflexão para o clero, a continuidade da utilização do método da conversação no Espírito, iniciativas de formação sobre a oração e a Eucaristia e momentos de oração nas comunidades paroquiais.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O programa contempla também iniciativas a nível regional, nomeadamente o reforço da relação entre paróquias vizinhas, a realização do Dia da Região Pastoral, processos formativos e encontros entre catequistas e animadores juvenis.

A nível paroquial, mantém-se a atenção às relações humanas, à transparência e à prestação de contas nos âmbitos pastoral e económico, bem como à participação dos leigos na vida das comunidades.

 

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Na síntese apresentada no final da intervenção, o padre António de Freitas falou da necessidade de “recuperar e promover uma vida orante, espiritual e sacramental como encontro que seja mais relacional, encarnado e transformador da vida pessoal e comunitária de modo que se torne a grande fonte e a grande força”.

“Que este tempo pastoral possa ser bom e uma boa oportunidade de graça, para que cada comunidade possa redescobrir na Eucaristia o lugar de excelência do encontro com Jesus, que seja transformador de cada cristão e essa transformação pessoal se torne uma bênção para a transformação e conversão comunitária que todas as nossas comunidades precisam permanentemente”, concluiu.

Diocese do Algarve iniciou novo ano pastoral com apelo à oração, ao encontro e à caminhada conjunta