O Carmelo algarvio em colaboração com o Secretariado Regional do Algarve da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP) promoveu no passado domingo, 01 de fevereiro, um encontro sinodal entre jovens e consagrados da diocese.

A iniciativa – promovida no âmbito do Dia Mundial do Consagrado, celebrado no dia seguinte, e inserida no programa comemorativo dos 50 anos da fundação do Carmelo de Nossa Senhora Rainha do Mundo, iniciado em julho passado que se estenderá até 16 de julho de 2026 – subordinou-se ao tema “A aventura começa quando escutas” e teve lugar no próprio convento carmelita no Patacão, no concelho de Faro.

O encontro teve início com o acolhimento dos jovens participantes. Durante as boas-vindas foram convidados a ver um vídeo sobre as congregações e institutos consagrados presentes no Algarve. Após uma dinâmica de apresentação dos jovens e dos consagrados presentes, em que estes foram convidados a dizer a congregação a que pertencem e qual a sua missão, foi feita uma oração com leitura de um texto bíblico de cariz vocacional, seguido de um tempo silencioso de reflexão pessoal com ajuda de algumas perguntas. No final desse momento foi realçado que “a vocação começa sempre pela escuta” e que “Deus chama de muitas formas, às vezes de maneira muito discreta”.

Seguiu-se o testemunho vocacional de uma irmã das Filhas de Maria Auxiliadora (salesianas). A irmã Rosa Maria, que trabalha no Colégio de Nossa Senhora do Alto com mais duas religiosas daquele instituto, apresentou um breve historial do mesmo.
A religiosa, natural de Viana do Castelo, contou que frequentou a catequese e pertenceu ao grupo de jovens da sua paróquia de Areosa. O primeiro contacto com as irmãs carmelitas e com as irmãs salesianas de Viana do Castelo, bem como a interpelação do bispo da diocese vianense de então, D. Júlio Tavares Rembimbas (que também foi bispo do Algarve), ao dizer-lhe que um dia seria salesiana, foi o detonador para o primeiro questionamento vocacional.
Em 1981 entrou no instituto, fez o aspirantado, o postulantado e o noviciado e em 1988 a primeira profissão religiosa. Trabalhou depois com meninas entregues pelo Tribunal de Menores ao instituto, realizou a sua licenciatura de Psicologia em Roma, voltou a Portugal e trabalhou em várias casas também com meninas entregues pelo Tribunal de Menores. Foi ainda responsável da Pastoral Juvenil salesiana nacional, trabalhou num colégio diocesano em Aveiro e foi diretora de outro colégio em Vendas Novas, antes de vir para o Algarve. Na diocese algarvia trabalha também na catequese.
“Tinha os meus planos, mas Deus trocou-me os planos. Percebi que aquilo que eu queria para a minha vida era estar com os jovens e as crianças. Comecei a discernir a minha vocação. A minha capacidade de amar canalizei-a para esta entrega radical a Deus. Deus chama, desconcerta-nos. E sou muito feliz”, testemunhou aquela religiosa que deixou um pedido aos jovens. “Não tenhais medo de abrir as portas a Cristo. Garanto-vos que seremos sempre muito felizes”, exortou.









Convidados a escreverem a palavra que os tocou mais do testemunho vocacional ouvido, os jovens tiveram depois um lanche e foram instados a partilhar em grupos as palavras escolhidas e a pensar nas perguntas que gostariam de fazer aos consagrados no momento que se seguiu. Algumas das curiosidades foram “se alguma vez pensaram casar e ter filhos” e “como é viver em clausura”. Intercalada com as respostas foi feita também a explicação, pelos religiosos dos diversos institutos, dos aspetos específicos ligados à vida consagrada de cada um.



O bispo do Algarve, que também participou no encontro e também ele consagrado pertencente à Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (dehonianos), garantiu aos jovens que “Deus compromete-se no chamamento e nunca abandona aqueles que chama”. “Chama, mas não nos deixa sozinhos, vem connosco, acompanha-nos, está ali ao lado”, sustentou D. Manuel Quintas.

O encontro, participado também pelo presidente do Secretariado Regional do Algarve da CIRP, o padre Tiago Pereira, terminou com a celebração da Eucaristia presidida pelo bispo do Algarve na qual foi feita a oferta de uma lembrança a uma religiosa das Dominicanas de Santa Catarina de Sena, a irmã Maria do Céu, pelos seus 60 anos de vida consagrada.










