A Igreja do Algarve celebrou na quarta-feira à noite a Missa de Sétimo dia de falecimento da irmã Beatriz Rodrigues dos Santos agradecida pelo seu serviço de quase 45 anos e pelo seu “triplo testemunho”.

Aquela carmelita missionária, de 84 anos, faleceu no passado dia 12 deste mês em Vitória, Espanha, para onde tinha sido transferida dois dias antes, tendo os seus restos mortais ficado sepultados no cemitério de El Salvador daquela localidade espanhola do País Basco, na província de Ávala.

Na Eucaristia de anteontem que teve lugar na catedral da diocese, o bispo do Algarve, que presidiu à celebração “em ação de graças pelo dom da sua vida, da sua consagração como carmelita missionária e da sua missão”, realçou que o testemunho da religiosa falecida teve três dimensões. “O primeiro testemunho que encontrei nela foi a alegria. Era uma mulher alegre. Era uma consagrada alegre. Uma alegria contagiante”, começou por destacar D. Manuel Quintas.

O bispo diocesano evidenciou, de seguida, a caraterística mais marcada da vida da irmã Beatriz dos Santos: a “centralidade da pessoa de Jesus”. “O importante não era ela quando abordava alguém, sobretudo os jovens – e vi-o nestes dias pelo testemunho de tantos –, mas orientar para Cristo porque é Ele que dá consistência à nossa fé e às nossas opções”, desenvolveu.

Por último, D. Manuel Quintas lembrou que “a irmã Beatriz falava com todos e com cada um – mesmo que fosse a primeira vez – como se há muito tempo fossem conhecidos”. “Hoje fala-se muito na proximidade, no pôr-se ao nível dos outros, estar próximo, não criar barreiras que dificultem o diálogo, a relação, a sintonia. Ela tinha esse dom, tinha esse condão. Quando nos abordava, parecia que já éramos conhecidos há muito tempo, parece que já tínhamos falado muitas vezes, que já nos tínhamos encontrado muitas vezes, ou seja, punha as pessoas à vontade”, valorizou, considerando ser um “dom importantíssimo naquilo que diz respeito à transmissão da fé, ao anúncio da pessoa de Jesus, à predisposição para o testemunhar na própria vida”.

O bispo do Algarve realçou assim o “triplo testemunho” daquela consagrada: “a alegria, a centralidade de Cristo na própria vida e a proximidade”. “Rezando hoje pela irmã Beatriz, abramos o nosso coração também ao testemunho que ela nos deixou e a tantos sinais que, certamente, cada um retém e guarda na sua vida, muitas pegadas de Cristo na vida daqueles com quem ela se cruzou, que certamente continuam vivas e que motivaram e nos mobilizaram a todos para estarmos aqui”, prosseguiu.

Para além de outras que serviram a diocese menos tempo, D. Manuel Quintas recordou ainda “algumas irmãs que marcaram no serviço” à Igreja diocesana pelo tempo que estiveram no Algarve: “da mesma congregação, a irmã Carmen; das Paulinas, a irmã Andreia; das Cooperadoras da Família, a Isabel da Luz; e no Colégio de Nossa Senhora do Alto, a irmã Alice”, e as restantes Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição que viveram ao serviço daquele colégio da diocese.

A celebração contou também com o breve testemunho de uma das pessoas que mais privou com a irmã Beatriz dos Santos. “Segura na mão de Deus e vai. Era este o lema que a irmã Beatriz nos ensinou. É isso que nós fazemos. Segurar e ir com confiança, com a alegria que o senhor D. Manuel há bocado dizia, a alegria que tanto a caraterizava. E foi esse exemplo de vida que ela nos transmitiu, foi a sua herança. «Vai pelo mundo mostrar a tua herança», é um cântico que vamos cantar a seguir, que é o hino dos Convívios Fraternos. É isso que vamos fazer”, afirmou João Cabral, explicando que a consagrada “representou muito” para “tantas gerações de jovens” que ali estiveram.
“Estamos aqui de Giões, estamos aqui de Tavira, estamos aqui de Olhão, estamos aqui de Bensafrim, estamos aqui de Quarteira, estamos aqui de Faro. Era isto que ela queria. Foi isto que ela fez ao longo de toda a sua vida: percorrer o Algarve todo, de uma ponta à outra, do litoral ao interior, do sotavento ao barlavento”, realçou, lembrando que “a Beatriz semeou neste Algarve tanto, tanto…”.

João Cabral justificou o motivo da alegria ali presente em todos aqueles que puderam privar com a falecida religiosa. “Nós, que cremos na vida eterna, que cremos na alegria eterna, que cremos no amor eterno, sabemos que ela já lá está à direita do Pai. E está a sorrir, a dar aquelas gargalhadas tão caraterísticas que só ela sabia dar e que nos entusiasmavam constantemente. Para nós, cristãos, a partida dela é uma alegria porque era isso que ela queria: juntar-se ao seu apaixonado, como ela dizia, que era Jesus Cristo. Foi à nossa frente e um dia seremos nós. Que alegria!”, afirmou, sublinhando que “a Beatriz não morreu”. “Ela apenas está naquela dimensão que sabemos, nós que temos fé, a dimensão espiritual, a dimensão do amor eterno, a dimensão da alegria e da felicidade”, acrescentou.
“Que a nossa Beatriz também peça por nós, que continuamos a nossa caminhada, que nos ajude também a termos a alegria que ela tinha, a irmos pelo mundo mostrar a herança, que é a herança de batizados, de crentes em Deus, em Jesus Cristo e no Espírito Santo”, concluiu.

A Eucaristia foi concelebrada pelos cónegos Carlos de Aquino e Rui Barros Guerreiro e pelos padres António da Rocha e António Moitinho e contou com o serviço dos diáconos Albino Martins, Luís Galante e Rogério Egídio.
Faleceu a irmã Beatriz dos Santos que trabalhou no Algarve quase 45 anos










