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Investigadora da Universidade do Algarve vai estudar florestas marinhas com bolsa de fundação norte-americana

A investigadora Ester Serrão, do Centro de Ciências Marítimas (CCMAR) da Universidade do Algarve, vai durante os próximos três anos estudar a biodiversidade das florestas marinhas, com uma bolsa atribuída por uma fundação norte-americana dedicada à conservação marítima.

A bolsa foi atribuída pela Fundação Pew, tem o valor de 150.000 dólares (cerca de 142.000 euros) e a investigadora explicou à agência Lusa que o trabalho que se propõe fazer foi um dos 11 escolhidos este ano por um júri que analisou as propostas previamente submetidas para seleção por um conjunto de investigadores, sobretudo norte-americanos.

Trata-se, frisou Ester Serrão, de “uma instituição muito conhecida na área da conservação marinha” que destacou a importância do trabalho a desenvolver pelo objetivo que se propõe alcançar e “identificar áreas de biodiversidade especialmente elevada em florestas submarinas de plantas marinhas e de algas castanhas”.

A investigadora explicou que estas espécies são chamadas de “florestas marinhas”, com as algas castanhas a “existirem tipicamente em áreas com águas frias e ricas em nutrientes”, enquanto “as plantas marinhas, chamadas ervas marinhas, ocorrem não em zonas de rocha, como as algas castanhas, mas em zonas com fundos de areia, desde as zonas tropicais às zonas frias”.

“O facto de existirem florestas é muito importante, porque criam abrigo, alimento, e criam um ambiente mais rico para outras espécies do ecossistema”, afirmou a investigadora do CCMAR, justificando a importância de conhecer esses ecossistemas para preservar a biodiversidade.

A investigadora deu como exemplo o caso dos corais, nas zonas tropicais, cujo desaparecimento tem impactos na biodiversidade: “Se os corais desaparecerem, desaparecem as outras espécies que o tornam num ecossistema rico. As florestas marinhas são como zonas de corais das zonas frias”, observou.

Mas Ester Serrão advertiu que se estão a “identificar fontes de grande diversidade genética em populações que eram desconhecidas e que são chamadas ‘hotspots’ [pontos quentes] de diversidade genética”, mas que podem não estar em zonas onde a conservação é habitualmente feita.

“Os sítios onde há mais florestas podem não ser os mais indicados para a conservação, porque pode haver maior diversidade em zonas onde a mancha de floresta é menor, por serem ou mais antigas ou por não serem tão afetadas por questões climáticas do passado”, argumentou, exemplificando que há casos de “florestas abundantes” no mar do norte, no Reino Unido, mas foram identificadas zonas de “muito maior biodiversidade” nas costas da Península Ibérica, de Marrocos e dos Açores.

A investigadora considera que, “se houver só conservação nas populações centrais do norte da Europa, perde-se a biodiversidade que existe” e que pode não haver em mais lado nenhum.

Outro dos fatores que a fundação norte-americana valorizou ao escolher o trabalho da investigadora portuguesa é a possibilidade de haver participação de voluntários no projeto, reunindo informação para ser centralizada ‘online’ numa “plataforma para o Mundo inteiro”.

“Já fizemos isto anteriormente com muito sucesso. Fizemos a primeira cartografia das florestas marinha em Portugal com base em voluntários. Tivemos cerca de 200 voluntários de cursos de mergulho de Portugal, de norte a sul. As pessoas vão mergulhar por motivos recreativos, mas se tirarem a fotografia e a colocarem ‘online’ estão a contribuir para o conhecimento sobre a biodiversidade da costa”, referiu.

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