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Primeiro era uma simples desconhecida, que se candidatava pelo partido criado pelo credível e respeitado, antigo eurodeputado dissidente do Bloco de Esquerda e historiador Rui Tavares. Este partido tinha como característica uma forma de certo modo anárquica de organização, ao ponto de qualquer pessoa (mesmo sem ser militante) poder apresentar-se e candidatar-se a deputado por ele e, por isso, só se podia chamar Livre. O Livre é um caso à parte nos partidos políticos portugueses, já que todos podem ser tudo. Porém, parece que agora nem tudo serve para todos, já que Joacine passa a ser um caso à parte dentro do Livre, um caso de quem não se adaptou, quiçá, ou de um partido que, afinal, não será tão livre que permita a total independência dos seus membros eleitos!

Joacine também é um caso à parte no que toca aos deputados portugueses. E não é pela cor de pele nem sequer pela gaguez, já que o nosso Primeiro-ministro e a nossa Ministra da Justiça não são de todo os mais caucasianos da Assembleia da República e já tivemos deputados de origem africana noutras legislaturas e a gaguez certamente deve ser um dos menores problemas e lacunas que abundam naquele órgão de soberania. Joacine é um caso à parte, porque faz dessas características a sua principal (e quase única) ideia política. Desde a sua aparição no programa de humor do Ricardo Araújo Pereira, que Joacine ficou mediaticamente rotulada como a candidata a deputada, negra e gaga e quer ser deputada porque é negra e gaga, e isso porque é preciso dar voz aos negros e gagos.

Joacine volta a ser um caso à parte, porque escolhe um assessor que chama mais a atenção do que ela, e foi por isso, que provavelmente teve que chamar a GNR para a proteger de um perigoso bando de três jornalistas que a esperavam nos passos perdidos da Assembleia da República, episódio que mais uma vez deu nota da sua personalidade. Curiosamente, ela que antes de ser deputada fez várias declarações contra as forças policiais pelas intervenções em bairros maioritariamente habitados por portugueses de origem africana, chamou a GNR para a proteger de três delinquentes jornalistas, que usavam como perigosa arma um microfone.

Joacine é um caso à parte, porque dá a entender que interiormente pensa que não foi o partido que a elegeu, mas terá sido ela quem deu uma oportunidade ao Livre de ter um deputado, certamente pensando que todos os outros partidos estão, neste momento, a lamentarem-se por não terem conseguido a sua “contratação” como ponta de lança para as Legislativas 2019. Ela foi eleita sozinha e faz tudo sozinha e o partido Livre é que foi atrás dela, só por causa da imagem e da subvenção.

Joacine é lamentavelmente um caso à parte, porque não deixa de transmitir a ideia de que somos um país marcado pelo racismo, mas que lhe permite o gozo de toda a liberdade que usa para poder enunciar tudo o que diz, quer seja acertado ou não.

Gostaria de dizer que Joacine é um caso à parte por ser um modelo de mulher intelectual, investigadora científica e com créditos firmados, mas que também é um caso à parte de quem não tem sentido de oportunidade comunicacional, pois tão depressa conseguiu granjear apoios e admiradores, como conseguiu criar contra si um gangue de anti fans.

E por fim, até na determinação e na capacidade de criar sound bites Joacine é um caso à parte, pois será difícil ignorar ou esquecer nos próximos tempos a sua voz gritando: “mentira, é mentira”!

E é de Joacines que precisamos? E qual a dimensão em que queremos ver as Joacines? Ficam as perguntas para que cada um tire as suas conclusões.

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