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Jornada no hospital de Faro refletiu sobre a importância da espiritualidade nos cuidados de saúde

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Realizou-se na passada sexta-feira, 22 de novembro, a primeira 1ª Jornada de Espiritualidade do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) que refletiu sobre a importância daquela dimensão nos cuidados de saúde.

Promovida pela Equipa de Apoio Psicossocial (EAPS) do CHUA, a iniciativa teve como tema “A espiritualidade em contextos de saúde” e contou com mais de uma centena de participantes, decorreu no auditório da unidade hospitalar de Faro no âmbito do Programa Humaniza da Fundação “la Caixa”.

Após a sessão de abertura, participada pela coordenadora do Programa de Apoio Integral a Pessoas com Doenças Avançadas em Portugal daquela fundação, Iciar Ancizu, pela vogal do conselho de administração do CHUA, Helena Leitão, pela representante da Coordenação Regional dos Cuidados Paliativos, Conceição Gago, e pelo coordenador de Serviço de Assistência Espiritual e Religiosa do CHUA, diácono Rogério Egídio, realizou-se a conferência da primeira convidada.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A médica Ana Cláudia Quintana Arantes, uma das pioneiras em cuidados paliativos no Brasil e autora do best-seller “A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver”, veio defender a valorização da espiritualidade na assistência médica.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A jornada prosseguiu com uma mesa de outros oradores subordinada ao tema “Integrar a dimensão da Espiritualidade nos cuidados de saúde”. O coordenador de Serviço de Assistência Espiritual e Religiosa do CHUA explicou que “a Lei de Liberdade Religiosa estabelece que o internamento em hospitais ou estabelecimentos de saúde não impede o exercício da liberdade religiosa, nomeadamente o direito à assistência religiosa e à prática de atos de culto”, para os membros de qualquer religião.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O diácono Rogério Egídio salientou que o enquadramento legislativo reconhece também que aquele serviço “contribui para a qualidade dos cuidados prestados” na saúde e disse que o mesmo no hospital de Faro é também assegurado aos “profissionais e doentes de confissão evangélica”, sempre a pedido destes ou de um familiar na impossibilidade de ser o próprio doente a requerê-lo. Aquele orador que perguntar ao doente na triagem para o internamento se precisa de assistência espiritual é “precisamente para salvaguardar” a sua liberdade religiosa.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A disposição da cama para uma parturiente muçulmana ou as especificidades da alimentação vegetariana para um paciente sikh foram alguns dos exemplos que deu a propósito da contribuição da assistência espiritual no meio hospitalar, considerando o acompanhamento espiritual e religioso “indispensável à cura e ao cuidar do doente”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A enfermeira Helga Martins, do serviço de neurologia na unidade de Faro do CHUA, fundamentou toda a sua intervenção em diversos estudos científicos para garantir haver “uma correlação positiva” entre o bem-estar espiritual e o menor risco de depressão. “As pessoas com maiores níveis de bem-estar espiritual têm menores níveis de ansiedade e depressão”, assegurou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Aquela doutoranda em enfermagem no Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa, com investigação na área da espiritualidade de pessoas com cancro”, disse que “está comprovado que a oração tem um papel fundamental na diminuição da angústia espiritual” e referiu “também uma associação entre o bem-estar espiritual e a qualidade de vida”. “A espiritualidade também tem um papel muito importante a nível da tolerância e no controlo da dor”, acrescentou, explicando que “a espiritualidade também é utilizada como uma estratégia de ajuste à doença” e que “também foi achada relação entre o bem-estar espiritual e a saúde mental”. “As pessoas que têm menores níveis de bem-estar espiritual também têm menores níveis de felicidade e maiores níveis de stresse”, sustentou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A enfermeira Cristina Francisco, da Equipa Comunitária de Suporte em Cuidados Paliativos do Agrupamento de Centros de Saúde do Barlavento, disse ser preciso “desmistificar esta ideia de que os cuidados e necessidades espirituais são confinadas aquele grupo de profissionais que lidam com sofrimento extremo da pessoa com a aproximação da morte”. “Sendo a espiritualidade uma dimensão humana, então ela diz respeito a todos os profissionais de saúde”, sustentou, acrescentando ser “importantíssimo que as equipas trabalhem este cuidado espiritual dos elementos que a compõem”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A oradora alertou para as competências daqueles profissionais. “Eu só posso estar aberto ao outro se estiver disponível para respeitar quem o outro é: as crenças que ele tem, a sua experiência de vida, o que ele entende como o sentido de vida”, advertiu, explicando ser preciso “estar presente através de uma compaixão focada”. “Tem de haver ligação, relação. Só posso acolher o outro e recebê-lo se ele me conhecer. Aceitar o outro, passa em primeira instância por me aceitar a mim, como sou”, complementou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Qual a influência da minha espiritualidade nos cuidados que presto? Faz diferença a minha crença religiosa? Não é para termos respostas. É para nos levar a interpretações e a buscarmos o sentido daquilo que fazemos”, prosseguiu, considerando possível, “sem ser conflituosa”, “a coexistência da espiritualidade do profissional, do doente e da família”.

A iniciativa, que contou com o patrocínio científico da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, continuou na parte da tarde com o workshop “Terapia da dignidade”, que teve como palestrante o médico paliativista e investigador da Equipa Comunitária de Suporte em Cuidados Paliativos de Sintra, Miguel Julião, e como moderadores a enfermeira Margarida Carrancha e o médico Giovanni Cerullo.

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