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Messines acolheu a manifestação pela Paz integrada na campanha de Natal da Cáritas

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© Samuel Mendonça

Nem o frio que se fazia sentir desmobilizou as pessoas que se quiseram associar no sábado à noite, em São Bartolomeu de Messines, à manifestação pública pela paz, promovida pela Cáritas Diocesana do Algarve em colaboração com a paróquia local, integrada na campanha de Natal “10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz”, promovida pela Caritas Portuguesa.

Na Junta de Freguesia, depois do acolhimento feito por um dos párocos, o padre Vasco Figueirinha, o presidente da Cáritas algarvia explicou que a campanha teve origem num gesto de reconciliação em Annecy (França) em 1984, alastrando-se mais tarde a toda a França, a toda a Europa e a todo o mundo.

Carlos Oliveira destacou que a iniciativa pretende sensibilizar “não só os cristãos mas toda a sociedade” para a paz. “É isso que nós queremos: com a nossa presença na rua, sensibilizar quem nos vê, sensibilizar o nosso coração e abri-lo aos valores da paz para que quem nos observa, ao passar, se interrogue”, esclareceu, lembrando a finalidade da campanha deste ano.

A campanha de Natal da Cáritas incide este ano no combate à pobreza infantil e também na ajuda à população do Médio Oriente. Assim, das receitas conseguidas com a venda de velas, 65% destinam-se a apoiar crianças algarvias em situação de pobreza e este apoio irá centrar-se na área da saúde, concretamente, no pagamento de consultas médicas e no dentista, de aparelhos auditivos e óculos, entre outras necessidades. Os restantes 35% serão canalizados para um projeto internacional de apoio à população do Médio Oriente.

Depois do acolhimento e introdução na Junta de Freguesia, onde foram acesas as velas a partir da “Luz da Paz”, recebida pela paróquia de São Bartolomeu de Messines no passado 8 deste mês, seguiu-se a marcha pela paz até à igreja matriz.

Já no interior do templo, o presidente da Cáritas do Algarve, que citou diversas vezes a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz de 2015 (1 de janeiro), considerou ser “urgente falar de paz” e elencou diversas situações que contrariam a instauração de um verdadeiro contexto pacífico como o comércio de armas, a solidão e os maus-tratos a idosos, a violência doméstica, o aborto, a exploração e a precariedade laboral, a exploração sexual, a emigração forçada e a imigração ilegal, o desemprego e a pobreza de 30% em Portugal, nomeadamente a infantil, que lembrou ser vivida no país por uma em cada três crianças.

“Num mundo marcado por corações despedaçados será difícil construir a paz. É inútil falar de paz se não formos de paz. Comecemos então por nós próprios. Sem uma sincera conversão e reconciliação não experimentamos a paz. É portanto oportuno refletir e agir sobre as inúmeras situações que aqui apontei. São duras realidades da vida que dificultam a construção da paz”, advertiu aquele responsável, pedindo aos presentes que sejam “construtores da paz, com elevado empenho para que ela produza frutos verdadeiros e garanta dias de grande felicidade para todos, contribuindo ao mesmo tempo para uma sociedade mais justa e fraterna”.

Depois da atuação do Grupo Musical de Santa Maria que interpretou diversas peças de Natal tradicionais do Algarve, resultantes da sua recolha feita na região, o bispo do Algarve pediu aos presentes que sejam uma das 10 milhões de estrelas a “refletir a luz de Cristo”. “É evidente que esta luz e esta estrela são os nossos gestos solidários”, concretizou D. Manuel Quintas, explicando que “a paz constrói-se também desta maneira, com gestos simples e pequeninos, com esta participação solidária, este ano, a favor das crianças”.

A terminar, o padre Carlos de Aquino, o outro pároco daquela comunidade paroquial, desejou que aquela iniciativa ajude a “preparar melhor o acontecimento do Natal e a torná-lo mais profundo”. “Oxalá sejamos portadores dessa mensagem bonita de paz a todos pela nossa alegria de viver e pela nossa esperança”, afirmou.

A Cáritas convida então cada português a acender na noite de 24 de dezembro, véspera de Natal, a vela adquirida e a colocá-la à janela de casa. As velas estão à venda em diversas escolas do país, nas Cáritas Diocesanas e paróquias e também em estabelecimentos comerciais que se associaram à iniciativa, à imagem do que tem sucedido nos últimos anos, e podem ser adquiridas a um preço unitário de um euro ou quatro euros (pack de quatro velas).

Em declarações ao Folha do Domingo, Carlos Oliveira afirmou que a adesão no Algarve à campanha tem sido inferior à do ano passado, pese embora várias paróquias tenham realizado também iniciativas de sensibilização para a iniciativa.

A operação ‘10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz’ é uma iniciativa solidária que nasceu em França e que começou a ser promovida em Portugal em 2001, tendo como principal objetivo incentivar a sociedade civil, os cidadãos, a contribuírem para a melhoria das condições de vida de pessoas e povos desfavorecidos, atingidos por fenómenos como a pobreza, a guerra, as catástrofes naturais, as desigualdades sociais.

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