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Jorge Carrega

Tendo surgido na Mesopotâmia e no Antigo Egipto, os mercados constituem uma característica das antigas civilizações do mediterrâneo, das quais Portugal é herdeiro. O Mercado de Faro – Uma Herança do Mediterrâneo, livro recentemente publicado pelo AMBIFARO, pretende dar a conhecer os mercados que existiram na cidade como resultado das tradições ancestrais que nos unem a culturas e civilizações mediterrânicas. Os autores; Sofia Fonseca, Daniela Pereira e Vítor Ribeiro, proporcionam aos leitores uma viagem pela história dos mercados de Faro, entre o século XV e a inauguração do atual edifício do Mercado Municipal em 2007.

Indissociável da história da capital algarvia, a evolução do mercado de Faro reflete em larga medida as características da cidade, estando as suas diferentes localizações intimamente ligadas à sua expansão urbana. Situados originalmente no interior da Vila-a-Dentro, os dois mercados da cidade deslocaram-se no século XVI para os arrabaldes da cidade. Até ao início do século XX, o mercado de peixe ficou situado na zona do Hotel Eva e da Alfândega, enquanto o mercado de carne, hortaliças, frutas e pão, se estabeleceu na zona do Jardim Manuel Bivar e junto à Igreja da Misericórdia, onde hoje se situa a delegação do Banco de Portugal.

Foi só em meados do século XX, que a população de Faro e a sua edilidade viram concretizado o sonho de dotar a capital algarvia de um mercado moderno e funcional, com boas condições de higiene e segurança. O novo edifício, construído entre 1948 e 1953, localizava-se no atual Largo Dr. Francisco Sá Carneiro, ficando a obra a dever-se ao arquiteto Jorge de Oliveira (nomeado pelo Ministro das Obras Públicas Duarte Pacheco), o qual adoptou um estilo arquitectónico característico do Estado Novo, o chamado “Português Suave”.

Este Mercado cumpriu admiravelmente as suas funções durante mais de meio século, até à sua demolição em 2001. No seu exato lugar foi construído um moderno edifício segundo projeto do arquiteto Miguel Branco, que apresenta uma fachada reminiscente do anterior Mercado (com um mirante e torre de relógio). Inaugurado em 2007, o novo edifício conjuga a tradição do comércio a retalho com a moderna oferta de um hipermercado, e acolhe serviços como a Loja do Cidadão e a Repartição de Finanças, que muito contribuem para a manter a importância deste espaço no quotidiano dos farenses.

Obra de inegável rigor científico, coordenada pelo Engenheiro Bruno Lage (ex. Presidente do Conselho de Administração da AMBIFARO e atual Presidente da União de Freguesias de Faro) e pela Professora Sofia Fonseca (Universidade do Algarve), O Mercado de Faro – Uma Herança do Mediterrâneo constitui um importante contributo para a história socioeconómica da cidade, e testemunha o empenho da AMBIFARO, na divulgação da história e do património cultural do concelho.

Por não se tratar de uma edição comercial, esta publicação foi desde logo oferecida a diversas bibliotecas públicas e escolares, assim como associações culturais. Deste modo, os munícipes que desejem possuir um exemplar devem contactar a AMBIFARO, solicitando a sua oferta.

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