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Nem nos piores pesadelos imaginávamos que o mundo estivesse a braços com uma pandemia voraz, que o vai deixando cada vez mais ligado às máquinas. Este vírus não pede autorização para avançar, não tem condescendência com ricos ou pobres, com gente do campo ou da cidade. Simplesmente vai seguindo o seu curso, transmitindo-se e fazendo com que muitas vidas sejam assoladas, e que outras acabem por tombar. Terá havido no mundo, catástrofe como esta, capaz de nos colocar a todos em pé de igualdade?

Como já alguns políticos têm referido, quer em Portugal, quer no estrangeiro, estamos em guerra. E a particularidade desta é que o exército adversário até tem nome (Covid-19), sabemos minimamente como ataca, mas não sabemos onde e quando. Fá-lo em silêncio, e coloca-nos em alerta máximo.

De um momento para o outro, muita gente foi remetida para a sua morada, trabalhando a partir daí, para que a desejada quarentena pudesse acontecer. O convite é evidente: pela tua saúde, e pela saúde dos outros, fica em casa! Talvez nunca tenhamos pensado que neste momento, a maior prova de amor é mesmo a distância. Tão contraditório perante o que sempre praticámos, mas, agora, mantermo-nos distantes é guardarmos a nossa saúde e a dos outros, para que ao passar a turbulência, voltemos a abraçar como dantes colocando o nosso coração junto ao coração do outro. E que bem nos sabe um bom abraço!

Esta situação tem obrigado o país a reinventar-se. Inúmeras são as originalidades deste tempo. Desde municípios ou grupos de pessoas que se juntam para fazerem as compras aos mais idosos; empresas, clubes de futebol ou até privados que oferecem ventiladores ao SNS, sendo mais uma ajuda neste combate; operadoras móveis que fazem promoções e ofertas tentando seduzir os clientes a permanecerm em casa; artistas que se uniram criando um festival musical (#EuFicoEmCasa) onde qualquer pessoa pode ouvir 7h de música diária com vários artistas, durante seis dias (de 17 a 22 de Março), sendo apenas necessário que nas horas estipuladas vá ao Instagram do artista em causa, continuando assim no conforto do seu lar. Enfim, muitas têm sido as boas iniciativas que têm surgido mostrando que há uma preocupação geral com tudo isto, e que há mais a unir-nos do que a separar-nos.

Mais do que apontar problemas quero enfatizar as coisas positivas. O mundo está a mudar e com ele todos nós. Há quanto tempo inúmeros pais não tinham a disponibilidade e o convívio com os filhos, que lhes tem sido proporcionado, mesmo em regime de teletrabalho? Quando foi a última vez que tantas famílias se reuniram verdadeiramente à volta da mesa fazendo tranquilamente as refeições e conversando sobre o amor que nutrem uns pelos outros, em deterimento dos problemas quotidianos laborais? Há quanto tempo os pais e as mães não tinham o desejado tempo para adormecerem os filhos contando-lhes uma história, porque era imprescindível que adormecessem rápido, pois o dia seguinte começaria demasiado cedo? Qual tinha sido a última vez onde tive oportunidade de mostrar àqueles que vivem comigo o quão valiosos me são, com a oportunidade de partilhar um bom filme, um bom livro, entre outras coisas?

Esta pandemia obrigou-nos a abrandar o ritmo, até mesmo a parar, e a redefinirmos prioridades. Não é o modo mais afável de nos fazer compreender que a correria que habitualmente levamos acaba por nos esgotar, mas, já que assim foi que este seja um tempo de reflexão, percebendo que o essencial continua a ser o mais simples, aquilo que realizamos com aqueles que vivem e fazem caminho connosco.

Se agora é tempo de nos recolhermos porque muito amamos, quando isto passar, concretizaremos o amor no bem que podemos fazer, esquecendo de vez as intrigas e mesquinhices, pois o verdadeiro tempero da vida é o amor. Aquele que damos e o que recebemos.

Como tão bem expressou o cantor e compositor uruguaio Jorge Drexler, a propósito desta pandemia, na sua recente música Codo con codo, “em breve voltarão os abraços/os beijos dados com calma/se encontrares um amigo/saúda-o com a alma”.

Enquanto vivemos dias difíceis, sigamos o conselho do movimento de acampamentos de férias inacianas (Campinácios) – FICA DENTRO DA TUA TENDA!

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