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Padre Carlos de Aquino alertou que a Igreja de Deus são as pessoas e não a casa onde se reúnem

Foto © Samuel Mendonça

Lembrando o que diz a Bíblia, o padre Carlos de Aquino evidenciou na última segunda-feira que “Deus não habita em templos construídos por mãos humanas”, mas na comunidade constituída pelas pessoas.

Na conferência que apresentou na paróquia de São Luís, no âmbito do programa festivo desta semana que marca a celebração dos 25 anos de ereção canónica daquela comunidade, o sacerdote começou por lembrar que “a presença de Deus na história é o corpo de Cristo porque nele Deus faz-se carne”. “E este corpo de Cristo são as «pedras vivas» que somos nós. Isto significa, na verdade, que a Igreja, comunidade nova dos discípulos de Jesus, é que é o santuário vivo onde Deus está presente, mas que nem sempre é evidente”, completou na intervenção que apresentou sobre o “sentido do espaço litúrgico e o mistério do verdadeiro templo de Deus”.

O orador destacou assim que Deus “habita na sua comunidade, na casa de «pedras vivas», que, por meio da pedra angular que é Cristo, é mantida unida no espírito como uma «casa viva»”. “Que nos sintamos, primeiramente, a verdadeira casa, o verdadeiro santuário. Às vezes, damos muita importância à pedra e não damos à carne. E o primeiro espaço onde Deus gosta de estar não é na pedra ou na madeira ou no soalho de cimento, é na carne que somos nós, é no nosso corpo”, sustentou, lamentando a falta de cuidado com as «pedras-vivas» comparativamente com as outras.

O sacerdote deixou assim claro que “no âmbito cristão, a igreja-edifício não é o lugar onde habita a divindade, mas o lugar onde a Igreja de pedras-vivas se reúne para o encontro com Cristo ressuscitado e se une a Ele”. “Nós é que damos valor e qualidade ao espaço. Onde a assembleia cristã se reúne, aí está a Igreja de Cristo. Nós é que somos a bonita casa onde Deus mora. E não é nós, a individualidade. É nós, o grupo, a comunidade”, reforçou.

Por outro lado, o conferencista que evocou a evolução e as caraterísticas arquitetónicas das igrejas com os seus diferentes estilos ao longo da história, lamentou a “dificuldade de cumprir a maior grandeza da reforma conciliar”: “levar os fiéis a participarem ativa e frutuosamente, por direito do batismo, nas celebrações cristãs”. Neste sentido, considerou que “cada celebração cristã devia ser uma antecipação do céu”.

Relativamente à construção de novos espaços litúrgicos, o liturgista citou a introdução geral do missal romano para lembrar que “quando se pretende construir uma igreja-casa, porque necessária a uma comunidade, tem de se tomar consciência porque ela não pode ser apenas harmoniosa e bela por fora”. “O novo templo tem de ser um meio específico que ajude também a edificar a Igreja-comunidade”, advertiu, lembrando que tanto a liturgia como a “casa” são “lugares de manifestação de Deus” e de “Jesus vivo” presente nas pessoas.

“O critério geral da construção da igreja-casa é a idoneidade litúrgica do espaço, isto é, o espaço não perder a dimensão de ser sinal simbólico para tornar possível a celebração que é sempre o mistério pascal. Só assim existem condições para que o mistério de Cristo e da sua Igreja possa ser adequadamente celebrado e vivido”, prosseguiu, considerando ser “fundamental nunca se anular a relação entre o espaço e a celebração”. “O espaço é sagrado. Por isso deve ser revelador da presença de um outro, no qual somos convidados a reunir e a participar”, acrescentou, exortando a “um outro olhar, um olhar purificado”.

O sacerdote, que indicou as caraterísticas a ter em conta na construção de novos espaços litúrgicos, exortou à dignidade e valorização dos mesmos. “Tudo na igreja tem de ser belo”, concluiu.

A conferência contou ainda a interpretação de peças de Bela Bartók e de Bach para violino pelo duo “Boémios”.

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