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O Papa convocou hoje um “ano especial” dedicado a família, a partir de 19 de março de 2021, assinalando o 5.º aniversário da exortação ‘Amoris Laetitia’, resultado de duas assembleias do Sínodo dos Bispos.

“Vai haver um ano de reflexão sobre a Amoris Laetitia. Será uma oportunidade para aprofundar os conteúdos do documento. Estas reflexões vão ser colocadas à disposição das comunidades eclesiais e das famílias, para os acompanhar no caminho”, indicou, durante a recitação do ângelus, na biblioteca do Palácio Apostólico do Vaticano.

O anúncio foi feito no dia em que a Igreja Católica celebra a festa litúrgica da Sagrada Família (primeiro domingo depois do Natal).

Esta celebração, observou Francisco, propõe “o ideal do amor conjugal e familiar, como foi destacado na exortação apostólica Amoris Laetitia, cujo quinto aniversário da sua promulgação acontece no próximo dia 19 de março”.

Este ano especial vai ser inaugurado na próxima solenidade de São José (19.03.2021) e decorre até à celebração do X Encontro Mundial das Famílias, em Roma (26.06.2022).

O Papa convidou todos a unir-se às iniciativas que vão ser promovidas durante o ano, coordenadas pelo Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (Santa Sé).

O Papa publicou a 8 de abril de 2016 a sua exortação apostólica sobre a Família, ‘Amoris laetitia’ (A Alegria do Amor), uma reflexão que recolhe as propostas de duas assembleias do Sínodo dos Bispos (2014 e 2015) e dos inquéritos aos católicos de todo o mundo.

Ao longo de nove capítulos, em mais de 300 pontos, Francisco dedica a sua atenção à situação atual das famílias e os seus numerosos desafios, desde o fenómeno migratório à “ideologia de género”; da cultura do “provisório” à mentalidade “antinatalidade”, passando pelos dramas do abuso de menores.

A exortação apresenta um olhar positivo sobre a família e o matrimónio, face ao individualismo que se limita a procurar “a satisfação das aspirações pessoais”.

O Papa observa que a apresentação de “um ideal teológico do matrimónio” não pode estar distante da “situação concreta e das possibilidades efetivas” das famílias “tais como são”, desejando que o discurso católicos supere a “simples insistência em questões doutrinais, bioéticas e morais”.

Nesse sentido, propõe uma pastoral “positiva, acolhedora” e defende um caminho de “discernimento” para os católicos divorciados que voltaram a casar civilmente, sublinhando que não existe uma solução única para estas situações.

Em Portugal, várias dioceses que publicaram documentos sobre a aplicação das propostas para a pastoral familiar, após as duas assembleias sinodais (2014 e 2015) sobre o tema, nomeadamente no que respeita ao capítulo VIII da ‘Amoris Laetitia’.

A Santa Sé preparou, para o ano especial dedicado às famílias, um conjunto de propostas espirituais, pastorais e culturais, além de 12 percursos de reflexão, partilhados num documento que apresenta os objetivos desta iniciativa do Papa.

Agência Ecclesia

Em comunicado enviado à Agência Ecclesia, a Santa Sé sublinha “o papel central da família como Igreja doméstica e também a importância dos laços entre as famílias”, como ficou visível na pandemia.

Por meio das iniciativas espirituais, pastorais e culturais planeadas no Ano ‘Família Amoris Laetitia’, o Papa Francisco “quer dirigir-se a todas as comunidades eclesiais do mundo, exortando cada pessoa a ser uma testemunha do amor familiar”.Tendo em vista a abertura, no dia 19 de março, o Dicastério para os Leigos, Família e Vida preparou um folheto informativo para ser partilhado com as dioceses, as paróquias e as famílias, disponível online.

O ano tem como objetivos “difundir a mensagem cristã sobre a família à luz dos desafios do nosso tempo; aprofundar o texto da exortação apostólica e do magistério do Papa Francisco; convidar as Conferências Episcopais, as dioceses e as paróquias, juntamente com os movimentos, associações e famílias, a dedicar-se com vigor à pastoral da família, implementando a Amoris Laetitia”.

Nas paróquias, dioceses, universidades, movimentos eclesiais e associações familiares serão divulgados “instrumentos de espiritualidade familiar, de formação e ação pastoral sobre a preparação para o matrimónio, a educação ao afeto dos jovens, sobre a santidade dos cônjuges e das famílias que vivem a graça do sacramento na vida diária”.

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