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Foto © Samuel Mendonça

A paróquia da Mexilhoeira Grande celebrou no passado domingo 40 anos de serviço do padre Domingos da Costa, considerando este como um período de “viragem” na comunidade e na freguesia “graças ao que Deus fez nelas”.

A ideia foi deixada na missa de ação de graças pelo serviço do pároco, sacerdote da Companhia de Jesus (jesuíta), que teve lugar ao ar livre na Quinta da Rocha, em plena Ria de Alvor, e que foi presidida pelo bispo do Algarve, D. Manuel Quintas.

“Poucos homens imaginam o que Deus faria deles se eles se lhe entregassem sem reservas. Foi assim que aconteceu comigo nos primeiros anos nesta terra”, afirmou o prior, citando o fundador da Companhia de Jesus, santo Inácio de Loiola.

O padre Domingos da Costa, de 75 anos, lembrou o ambiente adverso à Igreja e à propagação da fé em Jesus Cristo que se vivia naquela paróquia quando ali chegou a 4 de outubro de 1975, acrescentando que “foi possível a viragem, apesar de, praticamente, ninguém na altura o admitir”. “Quando o Senhor me enviou para esta paróquia também eu vim cheio de fraqueza e de temor e a tremer, como aconteceu com São Paulo quando entrou em Corinto”, confessou, explicando que a “sabedoria que não é deste mundo” acabou por “confundir os que se baseavam na sabedoria do mundo”.

O sacerdote, que ainda foi pároco em Odiáxere de 1978 a 1982, lembrou que “hoje, a instituição que goza de melhor e maior credibilidade na Mexilhoeira Grande é a Igreja”. “Temos hoje mais do que razões para dar graças ao Senhor, não só pela sua vida entregue por nós, mas pela viragem que ele operou nesta freguesia e nesta paróquia graças ao que a sua palavra e vida fizeram em tantos e tantos de nós”, acrescentou, afirmando esperar que a celebração destes 40 anos seja “um novo recomeço”.

Neste sentido, agradeceu ao Superior Provincial que concelebrou a eucaristia pelo envio de mais companheiros jesuítas para “continuar o trabalho”.

O bispo do Algarve destacou o sentimento de “gratidão humana” e de “reconhecimento da ação de Deus” manifestada “de maneira tão fecunda” pelo trabalho realizado pelo padre Domingos da Costa com o padre Arsénio da Silva, já falecido. “O senhor padre Domingos e o senhor padre Arsénio constituem a semente que foi lançada aqui há 40 anos, que frutificou e deu muitos frutos. A opção da Companhia de Jesus por marcar de uma maneira mais intensa ainda a sua presença e o seu serviço à nossa Igreja diocesana é o novo fruto destes 40 anos de sementeira, cuja gratidão humana hoje queremos manifestar”, afirmou.

O Superior Provincial da Companhia de Jesus agradeceu ao padre Domingos da Costa pelo “exemplo de fidelidade, tenacidade e entrega à missão”. “Para nós jesuítas mais jovens é muito inspirador ver esta dedicação. Passados 40 anos, o padre Domingos, seguramente, tem muitos frutos para colher”, afirmou o padre José Frazão Correia que pediu a oração pela renovação da Companhia de Jesus no Algarve. “Desejamos que seja o Senhor a chamar-nos novamente e que seja Ele a abrir o caminho. Gostaríamos de estar abertos à ação do Espírito [Santo] para perceber como é que Ele nos vai orientando agora nos tempos que se seguirão”, complementou, explicando que a Companhia de Jesus passará a ser constituída no Algarve por uma comunidade de quatro elementos. “Com a criação desta comunidade esperamos que o Senhor possa continuar a abençoar esta missão que foi começada com o padre Domingos e com o padre Arsénio que já está junto de Deus”, concluiu na eucaristia concelebrada também pelo padre João Mota, sacerdote da arquidiocese de Braga, conterrâneo do padre do aniversariante e pelos padres Paulo Duarte e Frederico Lemos, também jesuítas.

Natural da aldeia do Rego (Celorico de Basto), onde nasceu a 15 de março de 1940, o padre Domingos da Costa conheceu a Companhia de Jesus por meio de dois conterrâneos seus e entrou no noviciado a 8 de setembro de 1958. De 1969 a 1973 estudou na Alemanha (Frankfurt), tendo sido ordenado em 1972 na Covilhã, com 32 anos. De 1973 a 1975 estudou Ciências Sociais em Paris. Esteve para ser professor de Filosofia na Faculdade de Filosofia de Braga, mas quando soube que a congregação procurava abrir uma comunidade no Algarve, ofereceu-se. Tendo rumado ao Algarve em 1976 com o padre Arsénio da Silva, antigo pároco de Nossa Senhora do Amparo de Portimão, esteve para ir trabalhar também naquela cidade do barlavento algarvio. No entanto, poucos dias depois de terem chegado ao Sul do País, foi-lhes pedido para tomar conta da paróquia da Mexilhoeira Grande, desafio que somente o padre Domingos da Costa aceitou e que, desde o ano 2013 acumula também com Nossa Senhora do Amparo.

Ao longo destes 40 anos a sua ação na Mexilhoeira Grande é marcada, entre outras obras, pelos restauros da igreja paroquial, pela construção e restauro do jardim infantil e do Centro Cívico da Pereira, pela aquisição da casa das piscinas, a construção e remodelação do lar de idosos, a aquisição da residência paroquial, a construção da igreja da Figueira, de apartamentos sociais, do posto médico, da Aldeia de São José de Alcalar, do Centro Juvenil, da bênção da primeira pedra da Aldeia dos Querubins, do restauro do jardim Infantil e pela criação de postos de trabalho, uma vez que a paroquia emprega 70 pessoas.

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