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Livro de professor da UAlg defende que dieta mediterrânica “mais do que um padrão alimentar, é um modelo cultural”

Livro_dieta_mediterranicaO autor da obra “Dieta Mediterrânica – Uma herança milenar para a humanidade”, que hoje é apresentada, em Lisboa, defende que este regime alimentar é “mais do que um padrão alimentar, é um modelo cultural de inestimável valor”.

A obra de Jorge Queiroz, responsável técnico da candidatura transnacional da Dieta Mediterrânica a Património da Humanidade, é apresentada pelo catedrático da Universidade Nova de Lisboa, Jorge Crespo, na quinta-feira às 18:00, na Biblioteca Nacional, em Lisboa.

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Capa do livro

A dieta mediterrânica foi inscrita em dezembro do ano passado, pela UNESCO, na lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade, o que, segundo o autor, é “reconhecimento universal de um dos mais saudáveis padrões alimentares, que através da sábia combinação de alimentos como os cereais e os legumes, os frutos secos e o peixe, há muito demonstrou a sua eficácia na prevenção de doenças, pelo efeito protetor que oferece”.

Jorge Queiroz argumenta que a dieta traduz, sobretudo, “a vivência quotidiana de uma cultura sedimentada pelos séculos”.

Os benefícios da dieta mediterrânica começaram a ser divulgados nos anos 50 do século passado, através dos estudos do fisiologista norte-americano Ancel Keys, mas Jorge Queiroz salienta a importância do “modo de vida que lhe está subjacente”.

Este modo de vida corresponde a um “modelo cultural evolutivo, que se adaptou a diferentes contextos geoclimáticos, históricos e culturais” e que é analisado nesta obra de 260 páginas, com fotografias de Luís Ramos, editada pela Althum.

Segundo a editora, nesta obra, Jorge Queiroz “convida a conhecer os traços identitários do mundo mediterrânico, desde as suas cidades, pontilhadas por praças que são espaços de luz e partilha comunitária, até à sacralização de certos alimentos, como o pão, o azeite e o vinho”.

“Tais alimentos, de secular importância nas economias do espaço mediterrânico, possuem igualmente um marcado pendor espiritual, tendo dado origem a festividades cíclicas que chegaram aos nossos dias”, acrescenta a Althum em comunicado.

Queiroz sublinha que o interesse pela dieta mediterrânica “não é a nostalgia do retorno a economias de subsistência ou a busca de um paraíso terrestre de vidas solares em mares azul-turquesa”.

Também não é, acrescenta, “uma ‘mezinha’ para os sérios riscos socio-ambientais que a humanidade enfrenta”, mas pode “ajudar a reabilitar comportamentos e práticas de proteção da biodiversidade, de agricultura sustentável, de estilos de vidas saudáveis, de cooperação entre as pessoas e respeito pelas culturas locais”.

O autor defende todavia que este regime alimentar, é voltar a dar importância “ao convívio em torno da mesa, uma tradição em tudo avessa ao conceito de ‘fast-food’ que a vida moderna pretende impor”.

Para Jorge Queiroz, a mais mediterrânica das regiões portuguesas é o Algarve, tendo a cidade de Tavira sido escolhida por Portugal para representar a dieta mediterrânica junto da UNESCO.

Esta cidade, refere a Althum, “teima em manter as suas antigas tradições alimentares e festivas, apesar da concorrência de outros estilos de vida que já dominam noutros pontos do Algarve”.

Jorge Queiroz, professor convidado da Universidade do Algarve, é sociólogo e gestor cultural, concebeu projetos de cultura e artes mediterrânicas em Itália, Grécia, Espanha e Portugal. Foi programador de Faro 2005 – Capital Nacional da Cultura para a área de Exposições e Artes Visuais. Atualmente é diretor do departamento de Cultura da Câmara de Tavira e do Museu Municipal.

A sessão de apresentação conta com a participação da guitarrista Luísa Amaro, que interpretará temas do seu mais recente álbum, “Argvs”. Haverá ainda uma prova de sabores mediterrânicos.

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