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Não, não se trata da minha detenção em estabelecimento prisional, mas de quando estive de visita a um presidiário meu amigo, familiar ou conhecido. Não importa a quem, mas apenas o vendo nessa situação que o Senhor nos confiou de ser um nosso irmão, porque «filho do mesmo Pai que está nos Céus». Percorrendo mentalmente o caminho havido, no sentido contrário ao do tempo que passa, não me recordo de qualquer visita a uma cadeia, nos últimos dez anos. Visitar os presos é uma das sete Obras de Misericórdia Corporais, referidas por Jesus, na sua descrição sobre o Juízo Final (Mt 25, 31 – 16) e que consubstancia, em plenitude, a generosa dádiva da partilha na fé e no fraterno amor.

Vem este cogitar a propósito do excelente testemunho, todo ele uma lição de vivência cristã, a propósito da ação da Pastoral Prisional da Diocese do Algarve, que o artigo do jornalista e diretor de «Folha do Domingo», Samuel Mendonça, fez inserir quer neste Órgão da Igreja, como no site informático. Com a pertinácia, atualidade e vivência espiritual, que lhe são peculiares, deu-nos a conhecer o que é a prestimosa evangelização, em todos os aspetos, desta equipa constituída pelos Reverendos Cónego Manuel Oliveira Rodrigues (Pároco de Alcantarilha) e Padres Rafael Rocha (responsável pelas Comunidades de Conceição de Tavira, Luz de Tavira e Santo Estevão) e Nelson Rodrigues (Prior de Silves) e que repartem o seu afã evangélico pelos estabelecimentos prisionais de Faro, Olhão e da antiga capital portuguesa.

«Ajudar a formar nos reclusos uma maior capacidade de manter a calma e de agir com serenidade, ajudando a aceitar a pena de outra forma, ganhando consciência de que tem que pagar pelo que fizerem» refere como uma das missões o Cónego Manuel Oliveira Rodrigues, um verdadeiro espírito missionário que, nascido nos Açores e após viver nos Estados Unidos da América, veio para o Algarve para pastorear as Paróquias de São Pedro de Faro (1995), Olhão e Alcantarilha e integrar as equipas sacerdotais de Quarteira e Tavira, numa dedicação a Cristo e aos homens que nos empolga e emociona e que, neste caso da Pastoral Diocesana Prisional se preenche «com histórias de conversão de vida surpreendentes». A partilha eclesial com os Padres Rafael Rocha e Nelson Rodrigues, dois testemunhos à imagem de «Cristo Sacerdote» apontam-nos mais e mais para a nossa ausência desse mandato novo que é «Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei» e sermos ausentes das palavras evangélicas «Estava na prisão e foste ver-me».

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