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As academias promotoras da ‘Missão País’ expandiram-se este ano e, a sul, o projeto conseguiu ir para além de Évora e chegar até à Universidade do Algarve (UAlg). Quarenta e um estudantes, maioritariamente da UAlg (incluindo os oito chefes), iniciaram este ano, de 2 a 9 deste mês no concelho de Alcoutim, o projeto de voluntariado que terá continuidade nos próximos dois anos.

A primeira ‘Missão País’ da UAlg, para além de alunos de Ciências Biomédicas, Economia, Sociologia, Gestão de Empresas, Gestão Hoteleira, Ciências Farmacêuticas, Biologia Marinha, Biologia, Línguas e Comunicações, entre outros cursos, contou ainda com três estudantes de Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, e de outras academias.

Os jovens ficaram alojados na Escola Básica Integrada de Alcoutim que acolhe apenas 22 crianças ou não fosse aquele concelho um dos mais envelhecidos do país. Também por essa razão, a presença dos missionários durante a última semana não passou despercebida e constituiu uma animação para quem ali vive, tendo ajudado também a combater o isolamento.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Os missionários estenderam também a sua ação para além de Alcoutim, a Martim Longo, Giões, Pereiro, Vaqueiros, Balurcos, entre outras localidades, divididos por sete comunidades encarregues da visita à escola de Alcoutim, à escola de Martim Longo, ao centro de dia, ao lar, ao infantário e também pela comunidade do teatro que apresentou duas sessões (uma em Alcoutim e outra em Martim Longo) da encenação intitulada “O Ensaio – Peripécias de um espetáculo”.

A estas somou-se a “comunidade dos trolhas” – que realizou pequenos arranjos em casas de famílias mais carenciadas, selecionadas pelos serviços sociais da Câmara Municipal – e o contacto porta a porta foi feito pelos elementos de todas as comunidades. A colaboração com a autarquia foi também importante na cedência de um autocarro para as deslocações que se fizeram também numa carrinha disponibilizada pelo Centro Paroquial de Martim Longo.

Os chefes gerais da missão em Alcoutim, João Espanhol e Catarina Gonçalves • Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A missão em Alcoutim teve como chefes gerais Catarina Gonçalves, estudante de Ciências Biomédicas da UAlg, e João Espanhol, estudante de Economia daquela academia. A equipa compôs-se por mais seis chefes de serviço – Tomás Bravo e Maria Mira, chefes da comunidade da oração, Rita Marques e Xavier Mestre, chefes da comunidade de serviço, e Rodrigo Soares e Raquel Travia, chefes da comunidade de teatro – e teve a assistência espiritual do padre Nuno Tovar de Lemos, sacerdote jesuíta a trabalhar na Diocese do Algarve, e do diácono Tomás Castel-Branco, do Patriarcado de Lisboa.

Catarina Gonçalves destacou ao Folha do Domingo na passada quinta-feira o acolhimento recebido com “muitos sorrisos”. “As pessoas são muito acolhedoras, têm muita curiosidade em nos conhecer, em saber quem somos e o que é que estamos aqui a fazer. As crianças estão a adorar a nossa presença”, contou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Aquela responsável considerou que 33 participantes na primeira ‘Missão País’ levada a cabo pelos estudantes da UAlg “é um grupo significativo” e “muito importante”. “Acreditamos que pode mudar o Algarve. Queremos que a ‘Missão País’ resulte para que os católicos mostrem que existem na universidade”, sustentou Catarina Gonçalves, explicando que não está em causa a criação de um Núcleo de Estudantes Católicos, mas o reforço do serviço da Capelania já existente.

A voluntária lembra que a ‘Missão País’ “é um projeto em ascensão” e acredita que nos próximos anos “a adesão vai ser ainda maior”. “Tivemos um acolhimento muito maior do que esperávamos nas sessões de divulgação nos três Campus da Penha, Gambelas e Portimão. Nas inscrições tivemos uma adesão superior a 50 pessoas, mas algumas depois perceberam que não podiam vir. Acreditamos que muito em breve já vamos ter imensos alunos ansiosos pelas próximas edições e por poderem participar”, acrescentou, considerando que a adesão não é maior porque a semana de férias dos estudantes da UAlg não acontece entre semestres como na maioria das universidades. “A nossa semana de férias é na Semana Académica. Tivemos que realizar [a missão] na primeira semana de aulas, mas estamos muito gratos ao reitor que aprovou este projeto desde o início e nos deu força”, concluiu.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O padre Nuno Tovar de Lemos, que trabalhou com estudantes universitários durante mais de 20 anos antes de vir para o Algarve, realizou a sua quinta ‘Missão País’. Pese embora já não esperar voltar colaborar neste trabalho, o sacerdote conta ter percebido, após ter sido convidado, “que era mesmo importante apoiar o início das missões da Universidade do Algarve”.

O padre jesuíta explica que o grupo da missão de Alcoutim era “muito diversificado, sobretudo a nível de experiências de fé”. “Alguns estão muito comprometidos em paróquias, outros vieram mais pela oportunidade de fazer uma experiência de voluntariado e estão a encontrar também o lado mais espiritual”, contou, acrescentando que “muitos tiveram experiências em miúdos”, mas “alguns depois afastaram-se da Igreja”.

O sacerdote realçou que “o lado espiritual das missões é muito forte” e “exigente para todos” porque “tem todos os dias oração da manhã e oração da noite antes de deitar, terço e missa e ainda um momento de partilha em pequenos grupos a meio do dia”. “Tem sido muito bonito ver muitos a redescobrir e a quererem confessar-se para voltar à experiência de fé. Outros estarão a ver e a tentar perceber onde é que estão e quem é Deus”, referiu, explicando que a maioria do grupo era constituída por “católicos comprometidos ou gente com algum fundo católico”.

O padre Nuno Tovar de Lemos considera que o desafio será agora os estudantes conseguirem dar continuidade durante o resto do ano ao que ali viveram e acrescenta que “não está ainda muito claro o que é que vai acontecer a seguir” no âmbito da UAlg.

No Algarve, a ‘Missão País’ realiza-se ainda esta semana em Monchique e Sagres, promovida pelo segundo ano pelos estudantes do Instituto Superior Técnico.

A ‘Missão País’ é um projeto católico criado em 2003 a partir do Movimento Apostólico de Schoenstatt (embora hoje seja independente) que organiza e desenvolve missões universitárias a partir de várias faculdades de Portugal. São semanas de apostolado e de ação social que decorrem durante três anos consecutivos no período de interrupção de aulas entre o primeiro e o segundo semestres, divididas em três dimensões complementares – externa, interna e pessoal – em que o primeiro ano consiste no “acolhimento”, o segundo na “transformação e o terceiro no “envio”.

A primeira missão realizou-se com 20 jovens e este ano o projeto conta já com quase 3. 400 universitários, num total de 55 universidades envolvidas, tendo como lema da ‘Missão País’ deste ano é “Desce depressa! Eu fico contigo”, inspirado na passagem bíblica que relata o encontro de Jesus com Zaqueu, um cobrador de impostos. Para além do Algarve, o projeto expandiu-se também este ano a universidades de Aveiro, Leiria e Santarém.

Bispo do Algarve visitou a primeira ‘Missão País’ da UAlg que decorreu em Alcoutim [c/vídeo🎦]

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