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Regresso à 125

Padre Miguel Neto

Acabado o Verão, muitos estão com a sensação de que retomam as suas rotinas, os seus ritmos de trabalho, as suas preocupações. Eu não me identifico com essa faixa da nossa população. O Verão é um tempo igual, senão mesmo muito mais complicado para mim. Não há paragens ou descansos.

Mas esses que, depois das férias descobrem as alterações dos seus percursos, resultantes das obras da 125, queixam-se amargamente daquilo que a maioria de nós já descobriu: troços intermináveis em que há total impedimento de ultrapassar, cheios de duplos traços e pinos – que espero durem muito tempo, porque não acredito que daqui a um ano estejam direitinhos nos seus lugares -, para não falar de mais e mais rotundas, que nascem como cogumelos, em todos os entroncamentos. Quem circula, sabe que vai ter de aguentar em longas filas, se encontrar um veículo que resolva circular à velocidade cruzeiro de quem ainda está de férias… Inexplicavelmente há possibilidades de ultrapassagem que nascem em locais onde há curvas, o que baralha quem, no seu esforço de entendimento do raciocínio do planeador, acreditava que a grande preocupação era a segurança dos automobilistas. E há coisas bizarras, que não são entendíveis: um amigo contava-me que, atravessando Alcantarilha, se deparou com uma enorme fila de veículos, que se formava porque, há beira da estrada, existe um posto de abastecimento de gasolina e, por falta de espaço para entrar dentro do seu recinto, quem pretendia abastecer ia ficando na 125, impedindo a circulação de quem não queria abastecer…

Na verdade, creio que terá sido essa – a segurança – a grande atenção dada a esta requalificação da via que liga todo o Algarve, mas parece-me que em determinadas circunstâncias a preocupação foi levada ao exagero. Esta estrada não é uma alternativa à Via do Infante, nunca foi, mas agora é-o menos ainda, pois as dificuldades de circulação são cada vez maiores, os tempos de espera também e os algarvios, que já pagam todos os preços e mais uns da sazonalidade, pagam mais este, que os obriga a optar ente as despesas em gasolina ou as longas esperas, ou o pagamento das portagens. Parece que nos querem mesmo obrigar a pagar as portagens…

E se o tempo de espera pelo decurso das obras – anunciadas em 2008, que deveriam ter começado em 2012, que apenas se iniciaram em 2015 e que ainda não terminaram!… – gerou indignação, desespero, frustração , manifestações e má imagem para a região, o capítulo que se segue não é de maior satisfação. Não é uma questão de criticar por criticar, de dizer mal por dizer mal; é uma questão, sim, de acreditar que quando mudamos o fazemos para melhor, para gerar maior qualidade de vida e satisfação e, neste caso, essa esperança não me invade. Pelo contrário, continuo a querer «arrancar sem destino nenhum» e fugir da confusão que é esta estrada tão falada e comentada, que até tem direito a música.

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