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Há uma regra básica na informática para quem, como eu, não percebe muito do assunto. Quando o computador está encravado, parado, com alguma anomalia que o impeça de abrir programas ou de executar alguma tarefa e não sabemos como resolver esse problema, a primeira coisa que temos que fazer é um reset ao sistema. Ou seja, desligamos tudo (em muitos casos é mesmo na totalidade e durante algum tempo) e, posteriormente, voltamos a ligar desde o início. Por vezes, até alguns desktop ou outros equipamentos informáticos têm um pequeno botão, mais ou menos discreto, que tem que ser acionado com um pequeno clip, que indica mesmo reset. Esse pequeno botão é tão discreto e escondido para que não se acione de forma involuntária e quando o for, que seja de uma forma consciente e sendo mesmo o último recurso, uma vez que acionando o reset, o sistema informático é reposto, mas, muitas vezes pode eliminar informação importante e trabalhos que estavam no disco e que não foram devidamente guardados. Ou, mais grave ainda, a necessidade de se fazer um reset algumas vezes pode significar que existe uma parte do computador que esteve danificada devido a utilização incorreta ou a algum vírus informático.

Não pretendo dar uma aula de software informático, mas as semelhanças entre um sistema deste tipo e o que a nossa humanidade vive atualmente é inegável.

A ignorância de alguns leva grande parte de nós a associar a pandemia do covid19 à população chinesa e ao seu gosto cultural por comer morcegos e pangolins, culpando indevidamente este país e esta cultura por todo o que estamos a viver agora. Mas não é esse o cerne da questão, nem tão pouco a razão explicativa para a existência desta tão mortal doença. São cada vez mais as vozes e as evidências que foi a natureza que decidiu fazer um reset à nossa forma de viver para se proteger e continuar a existir. Não se apressem a culpar os morcegos, porque, mesmo que sejam eles a origem do vírus, a culpa do vírus se ter disseminado é dos humanos. E não só dos chineses.

Segundo os cientistas, foi a forma eficaz de nos infetar que fez com que eles concluíssem que o vírus é, sim, resultado de seleção natural. Segundo o Observador, «especialistas ouvidos pela CNN explicam que foram as mudanças no comportamento humano – a destruição dos habitats naturais acompanhada de um grande fluxo de pessoas que existe no mundo – que permitiram que chegassem aos humanos doenças que antes se ficavam pela natureza e que atingiam apenas animais». Ainda o mesmo artigo nos diz que a «cientista e presidente da faculdade de Ecologia e Biodiversidade da University College London, Kare Jones, alerta para o facto de os humanos estarem a trazer os animais «numa escala que nunca fizeram antes» para o seu dia a dia seja como alimentação, para a produção de medicamentos ou simplesmente como animais de estimação. Ao mesmo tempo que, lembra Kate Jones, «os humanos ocupam os “habitats” naturais».Para além disso há todo um estilo de vida global e globalizante. Hoje é possível estar no centro de África num dia e numa capital europeia no dia seguinte. Ou seja, tudo se torna próximo e é amplificado pelo facto de haver uma tão grande conexão entre todo o mundo. Os mesmos «especialistas ouvidos pela CNN concluem, assim, que o coronavírus é o primeiro sinal claro e indiscutível para a humanidade de que os danos ambientais também podem matar seres humanos rapidamente (e que pode voltar a acontecer). Esta é, para os cientistas, a grande lição desta crise. Como sintetiza Kate Jones: «Não é bom transformar uma floresta em agricultura sem entender o impacto que tem no clima, na captura de carbono, no surgimento de doenças e no risco de inundações (…) Não se pode fazer isto isoladamente sem pensar no efeito que terá nos humanos».

Estão todos a pensar que é exagero meu pensar que esta pandemia pode ser a natureza a defender-se do mal que nós humanos lhe estávamos a fazer e que decidiu criar defesas, um género de reset à nossa vida, para se auto proteger e nos fazer voltar a uma vida com respeito pelo mundo criado por Deus.É possível que seja. Mas não podemos negar a evidência de ter os canais de Veneza novamente com a água cristalina do Adriático (esse mar que tem uma cor caribenha e eu posso comprovar, porque já o vi), e de ver os níveis de poluição atmosférica a descer abruptamente no norte de Itália e na China, devido à mudança repentina do estilo de vida naquela zona do mundo. Foi e vai ser à custa de muitas vezes vidas humanas. Quando se faz reset num PC, também podemos perder muitos trabalhos com longos anos, para ganhar o trabalho que estávamos a fazer no presente momento.

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