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No Hotel Vila Galé Albacora, em Tavira, onde se realiza a iniciativa promovida pelo Instituto Superior de Teologia de Évora sob o tema “Crise, desafios e oportunidades”, o conferencista começou por afirmar que “o que vivemos são consequências macro políticas e económicas” e enumerou as “várias crises” que estão a acontecer nesta altura, como a de combustíveis, do sistema bancário, financeira, económica, social, de políticas e institucionais, de valores, moral, entre outras, alertando que há algumas de que não se fala.

O conferencista evidenciou que “a crise põe a nu que tudo isto era postiço” e criticou a “economia do «botox»”, assente na “criação artificial do valor” e na “ganância sem limites”, deixando claro que “a crise da dívida soberana ficou também a nu”.

Sublinhando a “enorme vulnerabilidade do endividamento”, constatou que “estamos a viver acima das possibilidades”. “Temos uma dívida pública enorme, em cerca de 90% do PIB (estimada em 150 milhões de euros) e uma dívida externa porque não produzimos o suficiente para o que consumimos”, lamentou, acrescentando que a dívida nacional é maior do que a da Rússia ou do Brasil. A este respeito, Ribeiro e Castro foi perentório : “não vamos resolver o problema do endividamento enquanto não eliminarmos o défice”. “E este é muito mais difícil de atingir num quadro de austeridade”, complementou, aludindo à “pressão dos juros” na despesa que considerou também como “uma ameaça”.

O orador apontou ainda as crises “ambientais e ecológicas” e a crise “demográfica”, lembrando que “a Europa está em inverno demográfico”. “Temos dos índices mais baixos da Europa”, observou, garantindo que “não asseguramos a renovação das gerações”. “Não temos sustentabilidade demográfica para aguentar o sistema social e o modelo social europeu entra em dificuldade de sustentação. Estamos na UE mas a UE não está com grande saúde”, alertou, considerando que “esta década foi a ilustração de que a Europa que não sabe se vai para a frente ou para trás”.

Defendeu que “é preciso governar a 27, mas isso não é fácil porque nem todos são do mesmo quadrante político”. O conferencista disse existir uma “crise de modelo e de projeto ” e defendeu que “é preciso voltar ao sonho europeu”. Identificou ainda a “crise de valores e convicções”, a “crise de ideologias”e lamentou que se perdeu o “sentido do poder como serviço”. “Vivemos em sociedades democráticas representativas, mas as pessoas não se sentem representadas”, lamentou.

Apontando a “crise cultural e mediática”, evidenciou que “é muito difícil comunicar critérios num mundo fragmentado”.

Em síntese, considerou que “a crise profunda é a moral e de valores” que menospreza o valor da vida e denunciou ainda o que classificou como o “ataque à identidade cristã”, baseado no “secularismo e laicismo radical”. “Temos hoje um novo «imperador Constantino», que não é cristão, e que quer irradiar uma nova cultura e construir nova Europa sobre uma tábua rasa”, afirmou, acrescentando que “a falta de valores torna a Europa mais frágil”.

A terminar, considerou que a “atitude cristã diante da crise” deve ser a da “esperança”, defendendo que “o cristão deve ser sinal, testemunho e interprete dessa esperança com reafirmação de valores”. “Temos de evitar estar de dedo apontado a ralhar a todos”, disse, considerando que é preciso “combater o pecado e não o pecador”.

Samuel Mendonça

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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