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Os símbolos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) visitaram ontem à tarde o Estabelecimento Prisional de Olhão.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A cruz e o ícone de Nossa Senhora, que chegaram na passada sexta-feira ao Algarve, interromperam o seu itinerário pelas paróquias da vigararia de Tavira e foram ali levados pelo padre Rafael Rocha, que para além de ser pároco de três delas – Conceição de Tavira, Luz de Tavira e Santo Estêvão -, é também o membro da equipa do Setor da Pastoral Prisional da Diocese do Algarve responsável por acompanhar aquela comunidade prisional.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O sacerdote chegou acompanhado pelo padre Nuno da Rocha, pároco de Castro Marim e Monte Gordo, e de dois colaboradores. Depois da entrada da carrinha que transportava os símbolos, alguns reclusos foram chamados para ajudar a levá-los para o pátio interior onde teve lugar o breve momento de oração.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Cerca de 40 reclusos anuíram ao convite que lhes chegou através dos altifalantes do estabelecimento para ali se dirigirem. A curiosidade de cada um acerca daqueles objetos foi desfeita pelo padre Rafael Rocha quando apresentou a história da cruz e explicou que Portugal vai receber em 2023 a Jornada Mundial da Juventude com o Papa Francisco.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Mas o convite aproveitarem da presença daqueles símbolos viria de seguida. “Pensem nos milhares ou milhões de pessoas que já colocaram a mão naquela cruz a pedir misericórdia ou perdão a Deus. Ela veio aqui para vocês”, afirmou o sacerdote.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Alguns de vocês podem não acreditar em Deus ou achar que não têm perdão. Mas isso é a vossa cabeça, porque Deus continua a acreditar em vocês. Deus continua a querer fazer história convosco”, prosseguiu, acrescentando que Deus tem “um projeto de vida para cada um”. “Não importa o pecado que eu tenha cometido, o erro que tenha feito. Em Deus há sempre perdão. Esta cruz é para que possamos sentir um pouco o perdão de Deus na nossa vida e a esperança no amanhã”, sustentou, lembrando que a lei divina é diferente da lei humana.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Muitos de vós achais que a vida terminou. Para nós há impossíveis, mas para Deus não há. Aquilo que para o homem é impossível, para Deus torna-se possível. Acho que este é um bom momento para que todos possamos tirar estas nossas «capas duras». Vamos deixar cair essa «capa dura», vamos procurar aquilo que somos verdadeiramente, aquilo que verdadeiramente sentimos que Deus pode querer para cada um de nós. Convido-vos a rezarmos todos juntos e, de seguida, vamos deixar que cada um de vós se possa aproximar da cruz e do ícone de Nossa Senhora, de forma livre, serena, à vontade”, desafiou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Após a oração proferida pelo padre Nuno da Rocha, cerca de uma dúzia de reclusos aproximou-se ordeiramente da cruz e do ícone para fazer, por breve segundos, a sua oração. Nalguns foi visível a expressão de comoção.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Após a bênção final foi feita pelo padre Nuno da Rocha, alguns prontificaram-se para ajudar a carregar os símbolos para a carrinha.

Ao Folha do Domingo, o diretor daquele estabelecimento, que também esteve presente naquele momento, considerou a visita dos símbolos muito positiva e necessária para aquelas pessoas “que estão em sofrimento e que precisam também de apoio espiritual”.

“É uma mensagem de paz que é sempre bem-vinda. Atendendo mesmo até aos momentos conturbados que vivemos a todos os níveis e toda a carga emocional que isso traz associada, a vinda destes símbolos é uma mensagem muito animadora e muito entusiasmante para as pessoas que cá estão e que também representa uma esperança no futuro”, acrescentou Alexandre Gonçalves.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O Estabelecimento Prisional de Olhão acolhe reclusos pertencentes aos círculos judiciais de Loulé, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António e neste momento tem cerca de 60 detidos. Atualmente encontra-se também destinado a receber presos que têm de fazer quarentena por causa da pandemia, muitos dos quais, terminado esse período, são transferidos para os estabelecimentos de Faro ou Silves.

Os símbolos da JMJ estão a percorrer o Algarve, segundo um itinerário já divulgado, até ao dia 27 de novembro. Nesse dia serão levados até Mértola, onde serão entregues aos representantes da vizinha Diocese de Beja.

A Cruz da JMJ foi entregue pelo Papa João Paulo II aos jovens em abril de 1984 e marcou o início de uma peregrinação da juventude de todo o mundo; em 2000, o mesmo pontífice confiou aos jovens uma cópia do ícone de Nossa Senhora ‘Maria Salus Populi Romani’.

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