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Sistema inédito permite explorar obras no Museu Municipal de Faro com os cinco sentidos

Foto © Luís Forra/Lusa

Os visitantes do Museu Municipal de Faro já podem explorar 84 obras de arte com os cinco sentidos, através de um sistema de realidade aumentada desenvolvido por investigadores da Universidade do Algarve (UAlg) com um parceiro empresarial.

O sistema funciona com um dispositivo portátil que pode ser acoplado ao telemóvel e que emite desde sabores vaporizados, cheiros, vibrações e até sensações térmicas, explicou à Lusa João Duarte, do Instituto Superior de Engenharia da UAlg e responsável pelo desenvolvimento do dispositivo.

Além de permitir ouvir a narrativa da obra (audição) e ver pormenores da mesma aumentados (visão), o sistema, através deste aparelho, reproduz sensações de vibração, como nos comandos das consolas de jogos, e de brisa, através de uma ventoinha (tato), o cheiro a flores e amêndoas (olfato) e ainda o sabor a frutos vermelhos e café (paladar).

Foto © Luís Forra/Lusa

No caso do paladar, o sistema funciona à semelhança dos vaporizadores eletrónicos, mas com líquidos próprios usados pela indústria alimentar, que são expelidos através de tubos individuais e higienizados, referiu João Duarte, de 29 anos, que fez um mestrado em Engenharia Elétrica e Eletrónica.

O sistema, que demorou quase três anos a ser desenvolvido, foi testado no Museu Municipal de Faro, encontrando-se disponível em 84 peças, algumas das quais estão em exibição na sala conhecida como “sala das lendas”, que reúne pinturas de Carlos Porfírio alusivas a nove lendas do imaginário popular algarvio compiladas por Ataíde de Oliveira.

O professor João Rodrigues, coordenador do projeto, contou à Lusa que a grande novidade é conseguir, apontando o telemóvel em direção às obras, conhecer não só a sua narrativa, como “ter as sensações que o autor pretendia transmitir”, o que exigiu a integração na equipa de peritos em arte.

Contudo, sublinha, o objetivo é “aumentar o prazer de estar no museu, o conhecimento, mas nunca estragar a experiência de estar num museu”, pelo que foi também criado um dispositivo para por nos ouvidos em que a pessoa consegue ouvir o ambiente do museu e ao mesmo tempo ouvir o que está a passar na aplicação.

“Não queremos que a pessoa passe o tempo a olhar para um ecrã, queremos que esteja a usufruir do museu e que isto seja uma mais valia para que possa aceder a mais informação”, frisou, acrescentando que outra das funcionalidades da aplicação é a localização das pessoas que estejam a visitar o museu em grupo, o que é útil sobretudo quando se levam crianças.

João Pereira, que desenvolveu o “software” da aplicação M5SAR – Mobile Five Senses Augmented Reality System for Museums (Sistema Portátil de Realidade Aumentada com os Cinco Sentidos para Museus), contou à Lusa que uma das principais dificuldades foi conseguir fazer a identificação dos quadros em tempo real.

Segundo o investigador da UAlg, de 23 anos e também com um mestrado em Engenharia Elétrica e Eletrónica, a tecnologia existente baseava-se muito “no lado do servidor” e a equipa queria desenvolver uma aplicação do lado do cliente, “para evitar sobrecargas” nos servidores.

Paulo Bica, da empresa SPIC – Digital Studio, com sede em Loulé, que colaborou no desenvolvimento do projeto, realçou que esta solução não está apenas direcionada para a museologia, tendo potencial para ser usada em eventos e congressos, vertentes que a equipa quer explorar no futuro.

“Cada vez mais, a experiência do visitante num museu tende a ser mais interativa, mais digital, que não seja apenas uma visita estática, tradicional, de leitura de obra”, referiu, acrescentando que esta tecnologia permite que a experiência seja mais “envolvente e enriquecedora”.

Segundo Paulo Bica, o produto já está totalmente funcional e pronto a ser demonstrado, apesar de poderem existir ainda algumas melhorias, sendo a próxima fase o seu lançamento no mercado.

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