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Foto © Samuel Mendonça
Padre Miguel Neto

Admiro, com sinceridade de coração, todos aqueles que convictamente defendem os seus valores e ideais.

Animo-me ao ver gente bater-se corajosamente por sonhos em que acredita e, sobretudo, encho-me de um orgulho feliz e solidário ao observar aqueles que trabalham afincadamente em prol da construção desses projetos.

Quando são ideias, sonhos e projetos que assentam naquilo que nos transforma em cristãos – ou seja, os valores do Evangelho -, maior é o meu sentimento de respeito e de esperança, porque são estas pessoas as que verdadeiramente formam o contingente de trabalhadores da messe e agem para que ela cresça, se fortaleça e dinamize, potenciando o surgimento de uma sociedade mais justa e onde o bem de todos seja o maior ideal a defender.

E há gente de convicções fortes, gente que acredita nos seus valores – sobretudo, nos seus valores cristãos -, mas trabalha em ambientes muitas vezes hostis a eles. Enfrenta a contestação, enfrenta as maiorias, enfrenta os diferendos e referendos e segue convicto, acreditando naquilo que para si é o mais importante. E dá, ao mundo, uma imagem de retidão e dignidade, de força verdadeira, que para alguns sectores divide, mas que para a maioria dos cidadãos de boa vontade, une e congrega respeito e admiração.

Todas estas reflexões me tomaram conta do pensamento nestes últimos dias, ao saber da eleição de António Guterres para o cargo de Secretário-geral da Organização das Nações Unidas, pois olho para este homem – e sempre o fiz – muito mais como um cristão empenhado, do que como um político do establishment.  Desde a sua atuação como simples militante de um partido, passando pela sua atuação como Primeiro-ministro, sempre colocou em destaque as suas convicções. Veja-se o caso do aborto, em relação ao qual nunca foi favorável; ou as questões laborais, onde procurou que pudesse haver equilíbrio e respeito por quem pudesse ser a parte mais fraca; ou a aposta nas políticas de apoio social e de apoio à integração de pessoas de outras nacionalidades. A sua passagem pelo Alto Comissariado para os Refugiados continuou a revelar esse homem preocupado, atento, cujo coração é capaz de se tocar pelos dramas que foi encontrando.

Por isso, muito mais do que o orgulho nacionalista de ter um português no mais alto cargo da maior instituição do planeta, o que prevalece em mim é a profunda alegria de saber que há um cristão convicto a trabalhar num posto em que muito poderá ser feito pela melhoria das relações entre os povos, pela preservação do planeta, pela cultura, pela educação e pelos direitos humanos. Um cristão que, com os seus valores sólidos, poderá ser exemplo para muitas gerações, exemplo de entrega e de empenho no trabalho de mais e melhor respeitar o próximo.

E por isso, estou feliz e olho para o mundo com um bocadinho mais de esperança: há um trabalhador especial na grande messe.

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