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A Universidade do Algarve (UAlg) assinalou ontem os seus 40 anos de existência.

Na sessão solene que à tarde se realizou no Grande Auditório do Campus de Gambelas, o reitor Paulo Águas relembrou que a academia é a única Instituição de Ensino Superior criada pela Assembleia da República, Lei 11/79, publicada a 28 de março. “É uma singularidade que muito nos orgulha”, afirmou, elencando alguns dos momentos mais marcantes da academia, desde o período de instalação, passando pelo período de grande expansão, até à última década, marcada pela internacionalização.

Perante um auditório completamente lotado, Paulo Águas centrou o seu discurso em três elementos estruturantes: as comemorações dos 40 anos; o contrato de legislatura; terminando com um balanço de 2019 e as perspetivas para 2020, à luz dos objetivos estratégicos definidos para o mandato reitoral 2017-2021.

Sobre a internacionalização, esclareceu que esta “não pode ser entendida apenas como captação de estudantes internacionais, onde a UAlg tem vindo a registar um êxito assinável pois quase 25% dos atuais estudantes são de nacionalidade estrangeira”. “A internacionalização deve alicerçar-se na criação de redes de investigação e de alianças estratégicas entre instituições, dimensões em que já temos trabalho realizado e que continuaremos a aprofundar”, acrescentou o reitor.

Se foi na última década que, “respondendo a um desafio dos governantes e do país, se iniciou, de forma inovadora, o ensino médico, reforçando a formação na área da Saúde, 2019 ficará ainda marcado pela passagem do Departamento de Ciências Biomédicas e Medicina a Faculdade de Medicina e Ciências Biomédicas”. Todavia, o reitor recordou que “a última década também foi marcada, há que dizê-lo, por fortíssimos constrangimentos financeiros, que continuam presentes”.

Sobre o balanço sumário de 2019 e as perspetivas para 2020, o reitor considera que os resultados alcançados são muito animadores. “Em 2018/19, o número de inscritos voltou a aumentar (4,3%). Foi o 3.º ano de consecutivo de crescimento. Os indicadores disponíveis apontam para novo crescimento em 2019/20, prevendo-se que a UAlg volte a ultrapassar os 8 mil estudantes de grau (ou seja, sem mobilidade), o que não acontece desde 2011/12. O crescimento manteve-se mais forte entre os estudantes de nacionalidade estrangeira, que passaram a representar 21% do total (estão incluídos os estudantes de mobilidade). Em 2019/20 poderão ser mais de 2 mil, passando a representar, aproximadamente, 25% da comunidade estudantil”, referiu.

A questão do alojamento também mereceu especial atenção pelo reitor que aproveitou para referir que “desde 2016 as mais de 500 camas dos Serviços de Ação Social passaram a ter ocupação plena”, mencionando ainda que “a reorganização dos espaços letivos em 2018/19 permitiu libertar o edifício da Escola Superior de Saúde, o qual foi sinalizado pelo Plano Nacional de Alojamento para o Ensino Superior”. Ainda assim, constatou que “em 2019 os progressos foram lentos” e que “são aguardados novos desenvolvimentos” que poderão possibilitar “uma nova residência em 2021”.

No seu último discurso enquanto presidente da Associação Académica relembrou “todos aqueles que lutaram para que esta casa fosse uma realidade”. Pedro Ornelas evocou todos os reitores, “os deputados eleitos pelo círculo de Faro à época, que conseguiram uma rara unanimidade na Assembleia da República, numa altura em que o próprio governo era contra a criação da Universidade Algarve”.

A UAlg atribuiu ainda ao académico brasileiro Paulo Henrique Faria Nunes o prémio Manuel Gomes Guerreiro, no valor de 10 mil euros, por uma obra sobre a Amazónia.

Na obra “A Institucionalização da Pan-Amazónia”, o professor universitário aborda o tema da cooperação amazónica à luz das Relações Internacionais e do Direito, tentando apontar soluções para a promoção de um maior diálogo entre os vários países que integram aquele território.

Em declarações à Lusa, à margem da entrega do prémio, que coincidiu com a sessão que assinalou dos 40 anos da UAlg, o autor considerou a sua atribuição como “um grande reconhecimento”, cujo valor é “muito simbólico”, sobretudo, por ser um prémio atribuído em Portugal a um académico brasileiro.
Segundo Paulo Nunes, a forma como os vários governos conduzem os problemas daquele território, que ocupa 50% do Brasil, nem sempre é a mais indicada, havendo ainda o problema de se tratar de uma zona muito pouco habitada e que os próprios brasileiros mal conhecem.

“Há mais brasileiros a viajar para a Europa do que para a Amazónia”, resumiu, notando que a Amazónia é “uma questão secundária para o desenvolvimento de políticas” por parte dos vários países que partilham aquele território, referindo que é preciso promover o diálogo entre todos.

Por outro lado, o professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás defendeu que é preciso mudar o modelo de exploração económico da Amazónia, que é todo virado para o setor primário, nomeadamente a extração de madeira e de minérios.

“É um cenário que leva obrigatoriamente a haver diálogo e tanto os governos precisam de estabelecer esse diálogo, como buscar parcerias com a sociedade internacional para a discussão e implementação de soluções”, concluiu.

Paulo Henrique Faria Nunes é graduado em Direito, mestre em Geografia e doutor em Ciências Políticas e Sociais.

Esta é a primeira edição do prémio batizado com o nome do primeiro reitor da UAlg, Manuel Gomes Guerreiro, e cujo objetivo é distinguir uma obra ou tese de doutoramento que contribua para o desenvolvimento científico numa das áreas de conhecimento da universidade.

O júri, do qual faz parte a escritora algarvia Lídia Jorge, decidiu ainda atribuir uma menção honrosa a Daniel Henrique Alexandre Santana pela obra “Diogo Tavares e Ataíde”, tendo em conta o seu contributo para a divulgação do trabalho artístico do arquiteto e mestre canteiro algarvio mais importante do século XVIII.

O prémio de caráter anual, organizado pela Universidade do Algarve, com o patrocínio das Câmaras de Faro e Loulé, foi entregue pelas três instituições.

com Lusa

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