Na assembleia geral do clero que teve lugar na passada quarta-feira, 06 de maio, no Centro Pastoral de Pêra, para formação sobre o acompanhamento no luto, o bispo do Algarve exortou os participantes ao “primado da presença sobre a palavra”.

D. Manuel Quintas disse que, “diante da morte e da dor, o essencial é a proximidade”. “As pessoas não esperam de nós explicações, esperam não as deixemos sós. Por isso, o primeiro princípio inspirador de uma pastoral do luto é a presença”, afirmou, considerando esta “a primeira forma de comunicar”. “Antes de falar, estar. Antes de ensinar, escutar. Antes de responder, tantas vezes partilhar o silêncio”, pediu, acrescentando que “a escuta pastoral é um ato de caridade, de humildade e de grande humanismo”.

O bispo diocesano considerou mesmo que “um ministro das exéquias que permanece ao lado de quem sofre já está a anunciar o Evangelho”. “E é importante vermos isto também como uma forma de evangelização”, acrescentou. 

D. Manuel Quintas pediu ainda “respeito pelos ritmos do luto”. “Cada pessoa vive o luto de modo único. Importa também respeitar os ritmos de cada pessoa. Não podemos apressar processos nem impor esquemas, mesmo os espirituais. Somos chamados a acompanhar, não a forçar, não a apressar caminhos e processos”, lembrou, advertindo para “o risco de realizar tudo apressadamente”.

O responsável católico evidenciou que “há lutos normais” e “há situações mais complexas, lutos de revolta profunda, de depressão” e que “o sacerdote deve saber quando acompanhar diretamente e quando encaminhar para ajuda especializada estas pessoas”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

D. Manuel Quintas lembrou que “acompanhar é ajudar a pessoa a atravessar a dor com todos os recursos: afetivos, relacionais e de fé”; que “a fé não substitui o processo humano do luto”, mas “ilumina-o, sustenta-o, abre-lhe um novo horizonte”; e que “a esperança na ressurreição não elimina o sofrimento”.

O bispo diocesano explicou que “a paróquia é chamada a ser uma rede concreta de proximidade” com “grupos, visitas, acompanhamento continuado”. “A paróquia como mãe que acolhe, que acompanha, que apoia no luto”, pediu.

A propósito lembrou a experiência “muito importante”, realizada na paróquia da matriz de Portimão, de um serviço de apoio a pais em luto, orientado pela psicóloga Carla Tomás que formou o clero algarvio naquela assembleia. “Talvez uma experiência que pode ser partilhada e incrementada noutras paróquias”, disse.

A formação teve início com uma introdução feita pelo cónego Mário de Sousa sobre o tema “Jesus perante o sofrimento e a dor”. O sacerdote lembrou o clero algarvio que, perante o sofrimento, o bem do outro é a “grande opção pastoral”.

A psicóloga Carla Tomás explicou depois como deve ser feito o acolhimento no sofrimento. Num segundo momento alertou o clero para a importância do “autocuidado no sacerdócio” com a saúde mental e, na parte da tarde, explicou ao clero algarvio que o seu objetivo “não é resolver o luto”, mas “caminhar quem está a sofrer” e “ajudar a identificar recursos internos próprios [do enlutado] e comunitários”.

Cónego Mário de Sousa lembrou o clero algarvio que, perante o sofrimento, o bem do outro é a “grande opção pastoral”

 

Clero do Algarve teve formação sobre como deve ser feito o acolhimento no sofrimento

 

Clero algarvio alertado para importância do autocuidado com saúde mental

 

Luto: Psicóloga explicou ao clero algarvio que deve “caminhar com quem está a sofrer”