Vivemos dias de polarização. Ou “estás comigo”, ou “estás/és contra mim”. Parece que o meio termo e aquelas posições vindas do consenso após o pensar-se criticamente sobre as coisas, estão fora de moda, não fazem sentido e até nos enfraquecem, como se um “como assim, não fazes desta forma?” fosse de uma inviolabilidade tal que não nos deixa margem.

Ora, há sempre margem. Para pensar criticamente sobre a coisa, para nos posicionarmos conforme aquilo que, em consciência achamos, para divergir de uma outra vez qualquer em que até a nossa posição foi diferente.

Não sei se isso é incoerência. Não o creio. Prefiro pensar que é uma espécie de livre-arbítrio que, na indecisão e/ou na discussão nos faz pensar, para agir em conformidade. Prefiro pensar que isso é não entrar numa “carneirada” confortável e maioritária, mas muito informe, por vezes, sem contornos nada claros e sem nos dar margem para acolher todas as circunstâncias da vida que, por qualquer razão, tenham agora peso e influenciem a nossa decisão.

Penso nisto muitas vezes, até porque tenho tido que tomar posições destas, pensadas, ponderadas e decididas, muitas vezes contrariamente àquilo que se dita/considera como vigente. E não posso deixar de achar e de sentir que sim, perante cada dúvida, tenho o direito inalienável (e inviolável também) de decidir aquilo que considerar como o mais certo.

Por isso, posicionamento crítico sempre e por isso sim, é tão importante desenvolvê-lo, mimá-lo, enfatizá-lo desde cedo: na família, na escola, em todo o lado. Para não parecer estranho sempre que tivermos de decidir…