Novas residências, em Gambelas e na Penha, representam um investimento de cerca de 18 milhões de euros e acrescentam 296 camas à capacidade de alojamento da academia algarvia. Cerimónia contou com a presença do ministro da Educação, Ciência e Inovação.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
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A Universidade do Algarve (UAlg) inaugurou, no passado dia 23 de setembro, duas novas residências universitárias, localizadas nos campi de Gambelas e da Penha, numa cerimónia que contou com a presença do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre.

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A convite da UAlg, as novas instalações foram benzidas pelo novo bispo do Algarve, D. Vitorino Soares, num momento que assinalou a entrada em funcionamento de dois equipamentos considerados estratégicos para reforçar as condições de acesso e permanência no ensino superior na região. Na celebração de bênção, o responsável católico realçou que “invocar Deus é invocar sempre o bem e o melhor para todos”. “Mesmo para aqueles que achamos que não mereciam, para Deus todos merecem”, acrescentou, que esteve acompanhado do capelão da UAlg, o padre António de Freitas.

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No conjunto, as residências acrescentam 296 camas à capacidade de alojamento da Universidade do Algarve — 129 na Penha e 167 em Gambelas — e representam um investimento global de cerca de 18 milhões de euros. Deste montante, mais de 8,8 milhões de euros são assegurados por fundos próprios da instituição.

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A obra foi concretizada no âmbito do Plano Nacional de Alojamento no Ensino Superior, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Segundo a reitora da Universidade do Algarve, Alexandra Teodósio, o investimento pretende responder a um dos principais desafios enfrentados atualmente pelos estudantes e pelas famílias, sobretudo numa região marcada pela forte pressão sobre o mercado habitacional.

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“Investir em alojamento universitário é também investir em igualdade de oportunidades, no acesso e na permanência no ensino superior”, afirmou a reitora, defendendo que nenhum estudante deve ser obrigado a abandonar ou a afastar-se da universidade por não encontrar uma solução de alojamento adequada e financeiramente acessível.

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As novas residências dispõem de quartos individuais, duplos e adaptados, apartamentos, cozinhas partilhadas, lavandarias, espaços de estudo e convívio e estacionamento para bicicletas. Em Gambelas, está ainda previsto um espaço polivalente convertido em ginásio, destinado à comunidade académica, através de uma parceria com a Fundação Decathlon e outras entidades.

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Os edifícios foram concebidos segundo critérios de eficiência energética e sustentabilidade ambiental. Estão equipados com produção fotovoltaica para autoconsumo, bombas de calor, sistemas de climatização, isolamento térmico e gestão técnica centralizada dos consumos. A Universidade pretende também implementar uma experiência-piloto de separação de biorresíduos, em parceria com a FAGAR.

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Mais de 200 estudantes já se encontram alojados nas duas residências. Na Penha, cerca de 100 estudantes ocupam atualmente aproximadamente 80% da capacidade instalada, sendo cerca de 80% bolseiros. Em Gambelas, a ocupação já ultrapassou igualmente a centena de estudantes, correspondendo a mais de 60% da capacidade, com cerca de 60% de estudantes bolseiros.

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A UAlg dispõe agora de uma capacidade global para alojar 837 estudantes, com uma taxa de ocupação próxima dos 80%. Cerca de três em cada quatro estudantes alojados são bolseiros, mantendo-se a prioridade atribuída aos alunos economicamente mais vulneráveis e aos estudantes deslocados, em particular os que frequentam o primeiro ano.

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Durante a cerimónia, o administrador dos Serviços de Ação Social da Universidade do Algarve, André Botelheiro, sublinhou que as novas residências não são apenas edifícios, mas espaços de integração, pertença e participação na comunidade académica. “Uma residência universitária não é apenas um sítio onde se dorme, é um espaço de comunidade”, afirmou o responsável, acrescentando que estes equipamentos devem ser lugares “onde se estuda, onde se criam amizades” e onde os estudantes encontram “uma verdadeira oportunidade de sucesso”. Botelheiro destacou ainda que a entrada em funcionamento dos dois equipamentos representa um aumento de cerca de 55% na capacidade de alojamento da instituição.

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Também o presidente da Associação Académica da Universidade do Algarve, Tomás Silva, considerou que as novas camas constituem uma resposta concreta à subida dos preços da habitação, à sazonalidade e à precariedade da oferta disponível para os estudantes algarvios.

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Tomás Silva considerou que a abertura das residências representa uma resposta concreta às dificuldades habitacionais sentidas pelos estudantes na região. “Estas quase 300 camas representam parte de uma solução concreta para o problema da sazonalidade que afeta o mercado da habitação no Algarve”, afirmou, acrescentando que constituem também uma resposta “ao aumento extraordinário do preço da habitação nos últimos anos” e à precariedade das casas disponíveis para os estudantes. Embora reconhecendo a importância do investimento, alertou que as residências não resolvem, por si só, todos os problemas do ensino superior e da habitação estudantil na região.

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Na sua intervenção, o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, enquadrou a obra no investimento nacional promovido através do PRR, que prevê a reabilitação ou construção de 135 residências universitárias em todo o país. O programa deverá permitir aumentar a capacidade nacional de alojamento estudantil de cerca de 15 mil para 26 mil camas.

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Fernando Alexandre defendeu ainda que as residências devem deixar de ser vistas apenas como locais de alojamento e passar a funcionar como espaços de integração. “Estas residências não sejam apenas camas, mas que sejam espaços de integração e de definição da participação numa comunidade e de uma identidade dos estudantes”, afirmou.

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O governante destacou ainda a necessidade de garantir a manutenção futura das novas instalações e anunciou o reforço do financiamento destinado ao alojamento de estudantes bolseiros deslocados. Segundo o ministro, o novo modelo de ação social prevê uma comparticipação de cerca de 161 euros por cama, representando um aumento de 20% face ao regime anterior.

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A inauguração das residências de Gambelas e da Penha surge depois de, em 2025, a Universidade do Algarve ter concluído a renovação e requalificação de sete residências, abrangendo 442 camas e um investimento de aproximadamente 8,3 milhões de euros.

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Para a academia algarvia, o reforço da oferta de alojamento constitui não apenas uma resposta às dificuldades económicas dos estudantes, mas também um fator de atração e fixação de talento, estudantes internacionais e investigadores na região. As novas residências pretendem, assim, proporcionar melhores condições para estudar, viver e construir um percurso académico na Universidade do Algarve.