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Clero do sul do país debateu em Albufeira os desafios de uma Igreja “sempre em renovação”

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O clero das dioceses do Algarve, Beja, Évora e Setúbal voltou a reunir-se, de 29 de janeiro a 1 deste mês, para a formação anual, que este ano procurou perceber os “Desafios para uma Igreja «Semper Renovanda»”, isto é, sempre em renovação, tendo em conta, sobretudo, as dimensões da secularização, do diálogo e do discernimento.

A iniciativa, que teve lugar uma vez mais no Algarve, em Albufeira, promovida pelo décimo primeiro ano consecutivo pelo Instituto Superior de Teologia de Évora (ISTE), teve como “ponto de partida” o Concílio Vaticano II (1962-1965), “como imperativo de uma igreja atualizada no mundo em mutação”, explicou o presidente daquela instituição na abertura das jornadas. “O tema deste ano convida-nos a reconhecer as mudanças sociais e culturais e a necessidade que a Igreja sente de estar em contacto com este mundo que é diferente e que exige de nós respostas pastorais adequadas”, afirmou o cónego José Morais Palos.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Aquele responsável referiu-se às “raízes históricas da secularização que é preciso reconhecer”, bem como a “participação na Europa e os compromissos que a adesão à Comunidade Europeia trouxe e que tem também implicações na esfera cultural e religiosa”.

Relativamente àquelas jornadas de formação que, desde 2016 passaram a contar também com o clero da Diocese de Setúbal, o presidente do ISTE assegurou que “a experiência tem sido muito enriquecedora porque em vez de cada diocese, com um número cada vez mais reduzido de padres, suportar o peso da realização de encontros formativos, poupam-se assim recursos e as jornadas adquirem também outro dinamismo”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Assim, a edição deste ano da iniciativa do clero do sul teve como momento alto a intervenção do presidente do Conselho Pontifício para a Cultura que veio defender a “abertura ao diálogo” por parte da Igreja, advertindo ser preciso “entrar no horizonte do mundo e sujar as mãos e os pés”. O cardeal Gianfranco Ravasi pediu aos bispos, padres e diáconos presentes para prosseguirem o esforço de “inculturação” q ue o Cristianismo “sempre fez”.

O padre e teólogo Juan Pablo García disse que a Igreja está a viver com o papa Francisco uma nova fase do acolhimento às diretrizes emanadas do Concílio Vaticano II.

O investigador do Centro de Estudos de História Religiosa do Instituto de História Contemporânea, Sérgio Ribeiro Pinto, explicou que, relativamente ao fenómeno de secularização, as suas raízes – pese embora ele tenha um “caráter tardio” – remontam à “própria estruturação da organização eclesial” e que as suas causas são “de natureza teológica”, não obstante terem implicações nos âmbitos económico, social e político.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O antigo vice-presidente do Parlamento Europeu, João de Deus Pinheiro, considerou que, na Europa, “a situação hoje pode ser quase explosiva”, lamentando o fim de “50 anos de crescimento económico e de desenvolvimento” europeu desde a Segunda Guerra Mundial e lembrando que o continente, “no dealbar do século XXI, começou a ver a estagnação a crescer, o aumento do desemprego, dos défices públicos e privados e da dívida”.

A formação do clero do sul contou ainda com duas mesas redondas sob o tema “Diálogo em várias frentes”, que num primeiro momento abordou as questões da ética e das ciências da vida e do diálogo interreligioso e num segundo tempo as questões dos cristãos na política e da educação/ensino.

As jornadas concluíram-se com um painel sobre “experiências positivas de diálogo e evangelização, numa sociedade multicultural, multirreligiosa e secularizada” que contou com participantes oriundos de cada uma das igrejas diocesanas.

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