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Diocese do Algarve incluiu questão da deficiência na formação dos catequistas

Foto © Samuel Mendonça

Desde 2013, que a Igreja algarvia incrementou o trabalho com os portadores de deficiência, tendo realizado anualmente desde aquele ano as Jornadas Diocesanas da pastoral com aquelas pessoas e oficializado em 2015 o serviço diocesano para aquela área.

Numa nova etapa deste trabalho de inclusão das pessoas portadoras de deficiência, o curso de formação básica da Diocese do Algarve para novos catequistas, iniciado no dia 21 de outubro passado e que terminou no último domingo, incluiu este ano, pela primeira vez, um módulo dedicado à catequese com pessoas com necessidades especiais.

Foto © Samuel Mendonça

Sob o tema “A catequese para catequizandos do ensino especial”, aquela componente formativa foi levada a cabo pelo Serviço Diocesano Pastoral a Pessoas com Deficiência (SDPPD) em parceria com o Sector da Catequese da Infância e Adolescência da Diocese do Algarve que promoveu o curso de iniciação para os 54 novos catequistas.

Assim, no passado sábado, os novos catequistas algarvios foram desafiados a “acolher toda a diferença”. “Temos a obrigação, como cristãos, de convidar essas pessoas [portadoras de deficiência] para o nosso grupo de catequese. Dá trabalho? Dá. É incómodo? Muitas vezes, é. Mas é muito gratificante, acreditem”, disse o coordenador do SDPPD.

Foto © Samuel Mendonça

Cesariano Martins apelou à integração de portadores de deficiência nos grupos de catequese como fator de quebra do ciclo de estigmatização da sociedade em relação àquelas pessoas e como propulsor de crescimento e aprendizagem para os seus membros, incluindo os próprios catequistas. “Se permitirem que no vosso grupo haja alguém «diferente» já pensaram no que é que estão a dar aos outros miúdos? Qual a aprendizagem que estão a dar àqueles futuros adultos?”, interrogou, considerando que os catequizandos vão olhar para a questão da deficiência “certamente de uma maneira diferente” e quando crescerem “vão conseguir evangelizar outros” e “trabalhar com a «diferença» muito mais naturalmente” porque “cresceram com a «diferença»”.

Aquele responsável considerou assim que os portadores de deficiência conseguem muitas vezes ser “mais catequistas” do que os próprios porque ensinam aos que os rodeiam “a serem mais humildes, mais pacientes, mais acolhedores, mais atenciosos” e “até mais calmos”, particularmente no grupo de catequese e na comunidade paroquial.

Foto © Samuel Mendonça

O coordenador do SDPPD explicou assim que a reciprocidade é uma consequência da integração destas pessoas nos grupos de catequese. “É ver o efeito de retorno: o grupo a crescer com eles na humildade, como pessoas, como seres humanos, sem diferença porque a «diferença» já não importa nada. Nós recebemos muito mais em alegria por ver que eles estão a evoluir e que o grupo está a evoluir com eles. É muito gratificante e a isso chama-se reciprocidade”, afirmou.

Mas o formador destacou igualmente as consequências para o próprio portador de deficiência. “Ele pode, muitas vezes, não entender por que é que está naquele estado, mas, se nós lhe falarmos, as coisas vão acontecendo e as próprias pessoas que têm esses problemas começam a aceitá-los com uma facilidade maior. Como catequistas estamos a levá-los até ao Pai”, referiu.

Foto © Samuel Mendonça

Cesariano Martins lembrou ainda aos catequistas que, para além do próprio SDPPD, as melhores “ajudas” que têm para lidar com estas crianças são as suas famílias, amigos, cuidadores, técnicos e auxiliares e os párocos que garantiu estarem “de portas abertas” quando confrontados com esta realidade.

A importância desta cooperação foi evidenciada por Carla dos Santos, membro também da equipa do SDPPD e mãe de uma menina surda-muda de sete anos, que disse não existir em Portugal nenhum padre que saiba língua gestual. Aquela mãe contou que, desde a preparação da filha para a primeira comunhão, a tem acompanhado sempre no sacramento da confissão para realizar a tradução. “Por enquanto ela ainda não se importa, mas acredito que não ache muita piada daqui a algum tempo”, augurou.

Leonor Mendonça, membro também da mesma equipa e mãe de um filho com síndrome de Asperger, explicou que o sentido daquela ajuda é bilateral. “Nós também precisamos de sentir que temos um catequista amigo com quem contar, que temos uma comunidade onde nos sentimos integrados e já ninguém nos olha de lado na paróquia”, afirmou aquela agente da pastoral à pessoa com deficiência, que desafiou os catequistas a tornarem-se “oficiais de ligação” do SDPPD às suas paróquias. “Queremos fazer com que a nossa Igreja seja uma Igreja aberta a toda a gente, onde todos se possam sentir felizes”, complementou.

O mesmo desejo manifestou Manuel Nunes, cego congénito e membro da mesma equipa. “É bom sentir as pessoas felizes, sentirem que são Igreja. Todos somos Igreja, não há aqui excepção de, rigorosamente, ninguém. E temos um papel importantíssimo neste campo. Não estamos de fora, estamos incluídos. Deus não deixa de fora ninguém. É preciso é que nós façamos também o nosso trabalho e é isso que Ele nos pede”, afirmou aquele paroquiano e leitor da paróquia da Sé de Faro.

A responsável do Sector Diocesano da Catequese da Infância e Adolescência também exortou os catequistas a este trabalho de inclusão. “Esta realidade faz parte da nossa missão como catequistas”, afirmou a irmã Josefina Teixeira.

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