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Igreja de Stº. António dos Capuchos restaurada por reclusos para fins litúrgicos e culturais

© Samuel Mendonça
© Samuel Mendonça

A igreja de Santo António dos Capuchos foi restaurada com recurso ao trabalho de reclusos do Estabelecimento Prisional de Faro.

A obra foi feita por cinco elementos a cumprir pena de prisão com conhecimentos na área da pintura e construção civil, após o estabelecimento de um acordo entre a comunidade paroquial e os Serviços Prisionais de Faro, autorizado pelo Ministério da Justiça.

O trabalho, desenvolvido sob a coordenação da arquiteta da Câmara de Faro, Teresa Valente, durou três meses e incluiu o reboco exterior, caiação interior, pintura exterior com tinta de silicatos e restauro da imagem do orago daquela igreja da paróquia de São Pedro, que já não tinha braço, nem o menino ao colo, nem a inscrição latina que estava num nicho escondido.

Ao Folha do Domingo, o pároco de São Pedro de Faro considerou estas parcerias uma “grande riqueza” porque constituem um “instrumento para a reinserção social dos presos”. “Deu-me uma grande experiência porque agora posso fazer uma pedagogia sobre o assunto”, afirma o cónego Carlos César Chantre, considerando que “em todo o país, os serviços prisionais poderiam ser utilizados para dar vida, vigor e trabalho àqueles que lá estão dentro”. “Acho que a sociedade deve rever a sua relação com as prisões”, sustenta.

O prior testemunha que, também para a paróquia, “foi uma mais-valia”. “Pagámos o seguro e o salário devido, de acordo com a lei, a cada um dos reclusos, que depois receberam esse dinheiro via serviços prisionais”, completa. O sacerdote acrescenta que sem aquele acordo “não teria sido possível fazer a obra” porque a paróquia não tinha capacidade financeira para tal, uma vez que o arranjo não teve qualquer apoio oficial, tendo sido totalmente custeado pelos paroquianos.

© Samuel Mendonça
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Advertindo que “o aspeto também é catequese porque educa”, o sacerdote lembra que a imagem exterior do templo era de “degradação”. “Era urgente [o restauro] porque o senhor cónego Manuel Rodrigues [pároco antecessor] também já tinha iniciado, no interior da igreja, uma boa obra de conservação dos pavimentos e era necessário continuar esse trabalho”, explicou.

Lembrando que esta segunda fase das obras, cujo custo total foi de cerca de 20 mil euros, teve início com a substituição de parte do telhado (telhas e emadeiramentos) por causa de infiltrações de água, o cónego César Chantre adianta ainda que, no interior do templo, foram ainda revelados uns pilares de pedra que anteriormente estavam pintados.

O prior explica haver ainda um “novo projeto em andamento” na capela-mor da igreja que compreende a recuperação de pinturas por detrás da tela de Nossa Senhora da Conceição que “devem ser visitadas e vistas pelos fiéis”. Neste sentido, o cónego César Chantre manifesta vontade de abertura da igreja ao público. “Gostaria que aquela igreja passasse a ser visitada por todos aqueles que vêm a Faro, portanto pretendo reabri-la, e para isso espero vir a ter apoio dos serviços oficiais para que haja alguém permanentemente com a igreja aberta”, afirmou, referindo-se concretamente à colaboração da Câmara Municipal ou do Turismo do Algarve. “Faço apelo a todas a entidades oficiais que tenham competência na área que ajudem a que a igreja dos Capuchos passe a estar aberta e visitada porque neste momento passou a ser um templo bonito e visitável”, pediu, explicando que o templo passará a ter outra utilização para além das celebrações exequiais. “Para além dos funerais penso celebrar outras atividades, seja de caráter litúrgico, seja de caráter cultural. Por exemplo, a acústica daquela igreja é belíssima onde se podem fazer pequenos concertos”, esclareceu o pároco, acrescentando qual a finalidade definitiva que gostaria de atribuir ao templo. “Um dia, se tivesse uma igreja funerante, aquela igreja seria um belíssimo museu de arte sacra da paróquia”, concluiu.

© Samuel Mendonça
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A igreja, agora restaurada, pertencia ao antigo convento de Santo António dos Capuchos, um edifício setecentista mandado construir em terrenos doados, na altura na periferia da cidade. Durante o Liberalismo foi ocupado e remodelado pela Guarda Nacional Republicana, que ainda ali tem o quartel do Destacamento Territorial de Faro, tendo servido ainda de cadeia comarcã.

As obras de restauro da igreja dos Capuchos, em Faro, foram inauguradas no passado sábado no decurso de uma celebração da eucaristia promovida pela paróquia de São Pedro e presidida pelo seu pároco.

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