O bispo do Algarve destacou hoje a “vida longa, fecunda, totalmente dedicada ao Senhor e à Igreja” do padre David Sequeira, falecido aos 94 anos de idade na passada sexta-feira, 22 de maio.

“A vida de um sacerdote é sempre um ato de generosidade e de amor de Deus para com o seu povo. Assim foi a vida do padre Sequeira, que exerceu o seu ministério sacerdotal ao longo de quase sete décadas na nossa Igreja diocesana”, afirmou D. Manuel Quintas na Missa exequial, a que presidiu na igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Tavira.

O bispo diocesano começou por realçar que aquela celebração seria de “ação de graças ao Senhor pelos 94 anos de vida” do falecido e pelos “69 como sacerdote” da diocese algarvia. D. Manuel Quintas lembrou que o padre David Sequeira começou o seu ministério presbiteral no serviço no Seminário de Faro como prefeito e professor. “Frequentou depois, em Roma, o Instituto Pontifício de Música Sacra, onde concluiu o curso ali ministrado de canto gregoriano e composição de música sacra”, prosseguiu, considerando ter sido, sobretudo, o ministério paroquial exercido na cidade de Tavira desde 1969, primeiro na paróquia de São Tiago e, mais recentemente, na paróquia de Santa Maria que marcou a sua vida.

“Destaco ainda o tempo dedicado ao ensino, como professor da Escola Secundária Dr. Jorge Correia, marcando assim sucessivas gerações de jovens”, acrescentou, considerando que “o ministério paroquial, o ensino e a música preencheram os seus longos anos de serviço” à Igreja diocesana. D. Manuel Quintas enumerou ainda os “diferentes bispos [do Algarve] a que esteve ligado”: “D. Francisco Rendeiro, que o ordenou em 1956, passando por D. Júlio Rebimbas, D. Florentino Silva, D. Ernesto Costa, D. Manuel Madureira e eu próprio”.

O bispo do Algarve disse ter sido um “ministério exercido com verdadeiro sentido de entrega e dedicação”. “A Diocese do Algarve está-lhe profundamente reconhecida pelo seu testemunho sacerdotal e pelo seu ministério. A cidade de Tavira, onde ele passou a maior parte dos anos da sua vida, também muito lhe deve, pelo seu reconhecido contributo no campo da cultura artística e musical, reconhecimento que o próprio município lhe tributou ao emitir uma nota de pesar e ao decretar um dia de luto municipal”, referiu.

D. Manuel Quintas referiu que “a vida de um cristão, e ainda mais de um sacerdote, só se compreende em estreita relação com a Eucaristia que o padre Sequeira tantas vezes celebrou e distribuiu, até ao limite das suas forças e das suas possibilidades”. “Recordo o telefonema, relativamente recente, com o qual me comunicou que já não se sentia com forças para continuar a celebrar a Eucaristia, mesmo em sua casa. Referi-lhe que o teria ainda mais unido à minha Eucaristia diária e recordei-lhe que também a sua vida era Eucaristia, enquanto oblação total de si mesmo, numa identificação plena com Cristo, tanto na Última Ceia — onde instituiu a Eucaristia e o sacerdócio — como na cruz, onde consumou a sua entrega pela humanidade”, contou, lembrando que o falecido sacerdote “encontrou Cristo na sua vida, acolheu o seu chamamento e decidiu-se a consagrar-lhe toda a sua existência”.

“Acreditamos que o padre Sequeira já vive na comunhão dos santos. Na morte realizou a sua Páscoa, a passagem deste mundo para o Pai”, prosseguiu, acrescentando que “para os que têm fé, a morte é sempre um «até logo» ou um «até já». “Cedo ou tarde, todos havemos de morrer. Encontraremos, naturalmente, aqueles que nos precederam e que amamos. Será o reencontro, a comunhão de vida para sempre, sem sofrimento e sem lágrimas. Esta é a nossa fé e a nossa esperança, que tem o seu fundamento em Cristo vivo e ressuscitado”, sustentou.

O bispo do Algarve evidenciou que “o mistério da morte projeta sempre luz sobre o mistério da vida”. “A vida assume tanto mais valor e significado quanto mais for vivida na doação e no amor, como a de Cristo e a de todos os que lha entregam incondicionalmente, como este nosso irmão sacerdote”, desenvolveu, acrescentando: “O padre David Sequeira foi à nossa frente; passa a estar agora à nossa espera para celebrarmos com ele a bondade e a misericórdia de Deus, que ele pregou e da qual foi dispensador durante a sua vida. Que o Senhor lhe conceda a recompensa do servo bom e fiel e o acolha no Seu reino de bondade e de paz para sempre”.

No final da Eucaristia, duas sobrinhas-netas do padre David Sequeira deram “graças a Deus pelo privilégio” de terem tido na família “a presença de alguém tão especial”, destacando o sacerdote como “uma pessoa de rara grandeza humana e intelectual, e cuja cultura, visão, sensibilidade e modo de estar marcaram profundamente todos os que tiveram a honra de o conhecer e de com ele privar”. Destacaram ainda a “sua serenidade, pela elevação do pensamento e pela capacidade única de encontrar sempre as palavras certas”, as “suas memórias” e “palavras sábias”, “a sua calma, paciência, ternura e carinho”. Agradeceram “o seu exemplo de fé, de amor e dedicação; pelo abraço sempre amigo, por tanta generosidade e amizade e por estar sempre atento” aos seus.

A Eucaristia foi concelebrada pelo bispo emérito de São Tomé e Príncipe, a colaborar com a Diocese do Algarve nas paróquias daquela cidade de Tavira; pelo vigário-geral da diocese, cónego César Chantre; e por imensos outro padres da diocese algarvia, tendo sido servida também pelos diáconos Albino Martins e Rogério Egídio. Participaram ainda na celebração – que contou com cânticos do sacerdote falecido, interpretados por antigos membros do Psallite Chorus, por ele fundado – a presidente da Câmara de Tavira, Ana Paula Martins, e o vice-presidente da autarquia, Eurico Palma, o deputado à Assembleia da República e antigo presidente da Câmara de Tavira, Jorge Botelho, entre inúmeras outras pessoas que não couberam todas dentro da igreja.


O corpo do sacerdote ficou sepultado, como era seu desejo no cemitério local daquela cidade onde viveu os últimos 56 anos de vida. A Missa de Sétimo Dia de falecimento será celebrada no próximo domingo, 31 de maio, às 11h30, na igreja de Santiago de Tavira.



Faleceu o padre David Sequeira que foi pároco de Tavira quase 40 anos e professor na cidade










