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“É, de facto, muito preocupante esta situação, que demonstra as dificuldades que a economia do Algarve atravessa, as empresas e as famílias, e põe em evidência tudo aquilo que dissemos ao longo do tempo, de que a introdução de portagens na Via do Infante seriam um problema para a região”, afirmou o presidente da Câmara de Faro.

Macário Correia disse que a situação ainda é mais preocupante porque “ainda por cima a obra mais desejada para a região, que é a requalificação da EN125, parou há mais de um ano”.

“Vejo estes números como apenas a demonstração das preocupações que evidenciámos há muito tempo e espero bem que haja correção destas medidas, ou reduzindo os valores das portagens ou criando alguns períodos de isenção”, defendeu.

Macário Correia considerou que, se isso não for feito, a região vai cair “num paradoxo, que é ter uma autoestrada que está vazia, não serve para nada, porque as pessoas não a utilizam por o preço não ser aceitável”.

O presidente da AMAL, que representa os 16 municípios do Algarve, disse que, como se verifica, as pessoas não passam” na Via do Infante e, se isso não acontece, “não há receitas para o Estado, o que torna contraproducente a medida e ao mesmo tempo aumenta o trânsito na EN125, com riscos de acidentes, com engarrafamentos e tempos de deslocação a aumentar”.

João Vasconcelos, da Comissão de Utentes da Via do Infante, uma das antigas Scut (Sem Custos para o Utilizador) portajadas a partir de 08 de dezembro de 2011, disse que os números divulgados num relatório do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) vão ao encontro do que a estrutura que representa os utilizadores da A22 sempre disse.

“É sempre o que nós dissemos, a redução andará à volta de 50 por cento, de um modo geral, mais coisa menos coisa”, afirmou João Vasconcelos, frisando que “à grande quebra de tráfego junta-se, em contrapartida, o aumento do trânsito na EN125”.

“Não deixa de ser dramático, porque temos uma EN125 com obras de requalificação que nunca mais avançam, com variantes que já não vão ser construídas, e com mais mortes e feridos”, sublinhou, numa referência à Estrada Nacional que é a única alternativa à autoestrada do Algarve.

João Vasconcelos frisou ainda que esta redução “agrava ainda mais o prejuízo ao nível do pagamento ao Estado”, mas também “aos utentes e aos contribuintes, porque há um contrato feito com a concessionária de milhões e milhões de euros, que não se sabe ao certo quanto é mas que o Estado quer haja ou não tráfego”.

“Vamos continuar a protestar e temos agendado protesto de marcha lenta para Olhão na próxima semana”, concluiu.

Lusa

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