Pub

"É uma má medida porque quem não pagava ontem, hoje já paga", disse à Lusa Macário Correia, manifestando-se preocupado com o possível agravamento do desvio de trânsito da Via do Infante (A22) para a EN 125, cujas obras estão suspensas há seis meses.

Já os presidentes das duas autarquias localizadas nos extremos daquela via, Lagos e Vila Real de Santo António, têm visões diferentes da medida que hoje entrou em vigor.

Enquanto o presidente da Câmara de Lagos (PS), Júlio Barroso, considerou que este é mais um "mau momento" para a vida do país, o da Câmara de Vila Real de Santo António, Luís Gomes (PSD), defendeu que qualquer melhoria nos preços "é de saudar".

Júlio Barroso acusou o Governo de não olhar a meios para sobrecarregar as empresas e as famílias, considerando que o pagamento de portagens é uma sobrecarga que não devia existir enquanto não terminasse a requalificação da EN 125.

"Infelizmente, trata-se de mais austeridade sem investimento", lamentou, afirmando que o município de Lagos será discriminado, já que esta medida irá refletir-se no desenvolvimento económico do seu concelho e dos vizinhos Aljezur e Vila do Bispo.

Na extremidade oposta da região, o presidente da Câmara de Vila Real de Santo António considerou que a medida revela a "sensibilidade" do Governo na matéria, já que é a própria União Europeia que impede o critério da residência na aplicação de descontos ou isenções.

Frisando que o seu princípio é estar contra a introdução de portagens, Luís Gomes sublinhou, no entanto, que tudo o que seja a melhoria das condições de preço face àquelas que foram impostas pelo anterior Governo do PS "é de saudar".

"O Governo tinha de decidir se fazia desconto ou se não fazia desconto nenhum, tendo optado pelo desconto. Acho que é uma medida que revela a sensibilidade do Governo para esta matéria", concluiu.

O Ministério da Economia anunciou no domingo que, a partir de hoje, há uma baixa de preços de 15 por cento em todas as antigas vias Sem Custos para o Utilizador (Scut) do país, independentemente de se tratar de residentes ou não residentes e do número de passagens.

Até hoje, as empresas locais e os residentes beneficiavam de um regime de isenções que implicava a gratuitidade nas primeiras dez passagens mensais e tinham ainda um desconto de 15 por cento nas restantes.

Lusa

Pub