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“Não sei onde é que vamos parar com estes aumentos sucessivos”, disse à Lusa Paula Silva, funcionária pública e mãe de dois filhos menores, à saída de uma grande superfície comercial na cidade de Portimão, onde efetuou algumas compras, principalmente de produtos “essenciais, como o pão”.

“Não comprei quase nada e gastei cerca de 60 euros”, lamentou aquela habitante de Portimão, apontando para os três sacos de compras que transportava.

Paula Silva e o marido, também funcionário público, é uma das muitas famílias portuguesas a quem as medidas de austeridade governamentais vão provocar a redução dos salários.

“Se anteriormente tinha dificuldades em chegar ao fim do mês com dinheiro, este ano não sei como será”, questionou aquela habitante de Portimão, apontando ainda os aumentos com a educação e assistência médica dos filhos.

“O meu filho tem problemas de saúde e necessita de tomar medicamentos, alguns dos quais de preço elevado”, observou Paula Silva, lamentando que “sejam sempre os mesmos a pagar" a crise.

“Quem ganha menos é que sente mais as dificuldades com o aumento dos preços”, desabafou.

Além dos produtos alimentares, a subida dos preços na saúde também é alvo de críticas da maior parte dos utentes do serviço de saúde.

No Centro de Saúde de Portimão, enquanto aguardava por uma consulta, Maria da Piedade, de 72 anos, reformada, classifica os preços com a saúde de “absurdos”.

“Num país onde existem muitos idosos, com reformas no limiar da pobreza, é um absurdo aumentar os preços com a saúde e com os medicamentos”, destacou.

Para Maria da Piedade, a assistência na saúde “devia ser de graça para quem tem rendimentos abaixo dos mil euros, pois é uma quantia que hoje em dia já não dá para nada”.

“Quem tem de pagar renda de casa, água, luz, gás, fica sem dinheiro para comer durante todo o mês”, observou.

A mesma opinião é partilhada por José Seguro, motorista, que recorreu ao serviço de saúde para ser assistido devido aos sintomas “gripais”.

“Num país onde existem cada vez mais pobres, é inadmissível que aumentem todo os preços e reduzam os ordenados”, observou aquele residente em Portimão, apontando “a desgovernação dos sucessivos governos, como a causa para a situação caótica em que se vive”.

José Seguro vive com uma reforma de pouco mais de 700 euros, “dinheiro que não chega para pagar as despesas mensais” com a casa e alimentação.

“Se não fosse a ajuda dos meus filhos, que também vivem com ordenados baixos, estaria a dormir à porta da Câmara Municipal ao relento”, observou.

A maioria dos habitantes de Portimão interpelados pela reportagem da Lusa, considera que o aumento dos preços ainda “não se sente muito no bolso”, apontando o final do mês como a altura em que se acentuarão as dificuldades “com menos dinheiro na carteira e o aumento das dificuldades em pagar todas as contas”.

A 1 de janeiro entraram em vigor medidas governamentais que visam o equilíbrio das contas públicas, nomeadamente a redução de benefícios fiscais, cortes salariais e a subida da taxa de IVA para 23 por cento, aumento este se reflectirá na maioria dos serviços e na alimentação.

Lusa

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