O VIII Encontro da Cáritas Diocesana com as Cáritas Paroquiais do Algarve que se realizou em Faro no passado sábado, 09 de maio, contou com a partilha da realidade distinta de duas Cáritas Paroquiais: uma no barrocal serrano algarvio e que não está constituída como IPSS e outra, no contexto urbano de uma grande cidade, já IPSS, ambas com quase 13 anos de fundação.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A primeira a fazer a apresentação foi a Cáritas Paroquial de São Brás de Alportel que tem como sede uma casa antiga, “cedida gratuitamente” por um particular, cujo telhado a instituição teve de recuperar com a ajuda de empresas que ofereceram materiais. “A Câmara deu-nos 4.950 euros”, contou o responsável da Cáritas são-brasense, acrescentando que a obra custou 11 mil euros.

No encontro que teve lugar no Seminário de São José, Gilberto Rodrigues explicou que o edifício conta com uma loja para doação de roupa e mobílias a quem precisa e não tem recursos ou para a venda a preço simbólico. Aquele responsável contou que desde o início do ano aquela valência já angariou 2.780 euros.

A Cáritas são-brasense apoia mensalmente 46 famílias e “pontualmente” a “compra de medicamentos, o pagamento de rendas e da luz de casa”. “Quando começou a guerra na Ucrânia, enviámos 1.000 euros em medicamentos”, contou.

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A Cáritas de São Brás de Alportel entrega ainda eletrodomésticos a quem precise. “Só tenho falta de espaço para guardar os eletrodomésticos e as mobílias. Tenho o recheio de duas vivendas para ir buscar, mas não tenho onde o pôr”, lamentou Gilberto Rodrigues.

Aquele responsável explicou que a paróquia cedeu as instalações para guardar alimentos e que “todas as quartas-feiras” vai ao Auchan de Faro buscar “excedentes e quebras”, respetivamente de alimentos e brinquedos. Também contou que, no Natal, o Auchan de Olhão também doa comida confecionada e que no último a farmácia de São Brás de Alportel “custeou os 45 cabazes” doados no valor de 49 euros cada um. “No quarto fim de semana de cada mês temos o Dia Solidário, em que cada pessoa leva para a igreja um alimento”, acrescentou.

Gilberto Rodrigues contou ainda que a Cáritas promoveu uma campanha com a Congregação do Espírito Santo em parceria com o Auchan que resultou no envio de “2.000 rolos de papel higiénico, 20 caixas com produtos de higiene e limpeza e 35 caixas com bens de primeira necessidade” para uma cantina social de São Tomé e Príncipe.

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Gilberto Rodrigues explicou que “os voluntários são o coração da Cáritas” e que “uma das catequistas é secretária da direção e consegue envolver todas as restantes catequistas e os miúdos” no que for preciso. Disse ainda que também têm o apoio da Câmara Municipal e do Centro de Cultura e Desporto dos Trabalhadores da autarquia, para além da comunidade paroquial e de benfeitores.

A segunda a fazer a apresentação foi a Cáritas Paroquial da matriz de Portimão, fundada a 15 de abril de 2013 e que passou a IPSS no dia 12 de junho de 2014. O trabalho da instituição abrange as freguesias de Alvor, Mexilhoeira Grande e Portimão e conta com as valências de banco de alimentos, incluindo alimentação entérica (para necessitados de nutrição artificial), refeitório social, banco de roupas, material técnico (empréstimo de canadianas, andarilhos, cadeiras de rodas ou camas articuladas), barbearia e loja solidária que vende roupa “a um euro ou dois”.

Atualmente ajuda 272 famílias, com uma média de 608 pessoas, das quais 127 são crianças e 84 têm mais de 65 anos. “Até ao momento, e desde que começámos a contabilizar, receberam apoio 2.337 pessoas”, explicou a responsável.

Maria Manuel Santos contou que o refeitório social tem um protocolo com a Segurança Social para 40 refeições diárias e que a barbearia social resultou de uma candidatura vencedora em 2019 ao Prémio Municipal de Voluntariado e funciona à terça-feira com uma cabeleireira e um barbeiro voluntários. “Recebemos 6.500 euros e montámos a barbearia”, explicou, acrescentando que também a venda solidária de alimentação entérica resultou de outra candidatura vencedora ao mesmo prémio no ano seguinte. “Temos à venda na loja solidária a preço praticamente de custo”, referiu, explicando que os utentes vêm encaminhados pelos hospitais, particularmente pelo hospital do Barlavento. “Temos pessoas também de fora que vão lá comprar porque compensa. Se algum utente nosso precisar, não cobramos”, acrescentou.

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Aquela responsável disse também que o refeitório social era um restaurante que a paróquia adquiriu. “A Junta de Freguesia também deu um contributo muito bom durante quatro anos, 5.000 euros por ano. As pessoas têm condições para lá comerem, mas normalmente isso nunca acontece. Vão buscar as marmitas ao fim do dia com o jantar desse dia e o almoço do dia seguinte porque assim não têm de se expor”, testemunhou, contabilizando que no ano passado foram distribuídas 13.336 refeições.

Aquela responsável acrescentou ainda que em 2025 foram contabilizadas 14.013 horas de voluntariado e feitos 13.129 atendimentos, sendo 864 no atendimento social, 5.767 no banco de alimentos, 5.684 no refeitório, 684 no roupeiro pessoas e 122 na barbearia. “Distribuímos praticamente 133 toneladas de alimentos”, acrescentou, explicando que a Cáritas da matriz de Portimão tem uma câmara frigorífica, adquirida por via de um concurso que lhe atribuiu 7.000 euros para a compra daquele equipamento.

“Estes alimentos são provenientes de doações particulares ou de empresas”, explicou Manuela Santos, realçando receberam alimentos do Banco Alimentar Contra a fome do Algarve, do Auchan de Portimão e do Intermarché de Alvor. “Temos ainda o Fundo Europeu de Ajuda a Carenciados, através da Segurança Social, os alimentos que compramos. Complementamos, por exemplo, com o azeite e com proteína. Compramos frango congelado ou pescada congelada para podermos complementar os cabazes para serem mais nutritivos”, acrescentou.

Manuela Santos contou que o banco de roupas doou, em 2025, 13.995 peças, incluindo fraldas e calçado. “Noutros apoios demos 11.945 euros em alojamento; 2.343 euros em despesas básicas, que como água, luz e gás; 1.281 euros em medicação (porque o município também tem comparticipações na medicação das pessoas carenciadas e só quando acaba o valor base municipal para essas famílias é que reencaminham para nós); e 435 euros em transportes, documentação, etc.”, acrescentou, referindo também a oferta de “30 garrafas de gás em vales da instituição Entreajuda”.

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Aquela responsável explicou que estes apoios são dados a famílias inscritas, encaminhadas pela Segurança Social, pelo hospital do Barlavento, pelos agrupamentos escolares do concelho, pela Rede de Emergência Social do Município de Portimão e pelas Juntas de Freguesia, ao abrigo dos contratos-programa firmados com estas autarquias, à exceção de Alvor.

Manuela Santos adiantou que este ano a instituição pretende ainda “formar os utentes na gestão doméstica e na gestão alimentar”. “Temos um protocolo com a Universidade do Algarve e com o Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes, que nos dão os formadores e também do município”, revelou, acrescentando também a importância da “formação humana e espiritual dos voluntários”. “Aqui a oração é muito importante”, disse, acrescentando que a instituição conta atualmente com 102 voluntários “dos 14 até aos quase aos 90 anos”.

Manuela Santos contou que no décimo ano da catequese, “os jovens fazem sempre o compromisso com a comunidade” e alguns comprometem-se com o trabalho na ação social. Mas disse ser preciso ajustar os horários à sua disponibilidade e que “as pessoas que frequentam a catequese de adultos também são encaminhadas para serviços”.

Aquela responsável enumerou as “muitas mais-valias” de a Cáritas ser IPSS, como o apoio por via da consignação do IRS, das multas do tribunal, dos excedentes dos hipermercados, as candidaturas a apoios da Segurança Social no âmbito de contratos-programa e ao Fundo Europeu de Ajuda a Carenciados, e ainda de contratos-programa com as autarquias.

Manuela Santos revelou ainda que a Cáritas da matriz de Portimão aspira a um projeto de criação de uma Estrutura Residencial para Pessoas Idosas. “Pedimos o terreno ao município e já nos foi perguntada qual a área que precisávamos”, contou.

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