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DSC_0463A vila de Pêra voltou a receber no último domingo à noite uma imensa multidão para acompanhar ao vivo à Paixão de Cristo, levada a cabo pela Comissão de Festas da paróquia de Pêra e pelo Centro Paroquial local, uma iniciativa que se assume como a maior do género a sul do Tejo e uma das maiores no país.

De facto, a cada dois anos, aquela realização, que conta com uma produção cada vez maior, atrai mais pessoas e no último Domingo de Ramos foram alguns milhares, incluindo alguns estrangeiros, os que não quiseram perder um acontecimento que marca também a celebração da Semana Santa no Algarve.

A iniciativa teve início no Largo 25 de Abril, onde foi recriada a Última Ceia com os discípulos. A dramatização dos últimos momentos da vida terrena de Jesus continuou no cenário do Monte das Oliveiras onde Cristo rezou e agonizou, desejando não ter de passar pela morte, instantes antes de ser traído por Judas quando o entregou aos soldados romanos.

Depois do interrogatório do sumo-sacerdote Caifás, do “julgamento” num renovado pretório, protagonizado pelo governador Pilatos, e da flagelação executada pelos soldados, o encontro de Jesus com a sua mãe decorreu junto à antiga escola primária. Os momentos particularmente significativos continuaram pelo trajeto até ao Calvário, ao longo do qual o cireneu Simão ajudou Jesus a carregar a cruz e Verónica limpou-lhe, rumo ao amplo terreno, nas traseiras do Mercado Municipal, onde teria lugar a crucificação.

A Paixão de Cristo ao vivo contou ainda com a participação do coro Vox Albuhera do conservatório de Albufeira e do fadista Ricardo Neto que ajudaram a assistência, oriunda de vários pontos do Algarve e não só, a interpretar os acontecimentos, a interiorizar as reflexões proclamadas e as interpelações que lhe foram sendo dirigidas como proposta de reconversão de vida e de adesão a Jesus Cristo.

No terreno, emprestado por uma particular para aquele efeito, já as duas cruzes dos ladrões se erguiam quando a multidão chegou seguindo Jesus. Cumpriu-se então ali o acontecimento maior da fé cristã: a crucificação e ressurreição de Cristo. Com recurso a efeitos sonoros e luminosos, depois de crucificado e sepultado, Jesus apareceu triunfante, ressuscitado no alto de um monte.

A iniciativa sem fins lucrativos voltou este ano a contar com a colaboração de 150 voluntários, entre eles personagens, figurantes, assistentes e leitores. A preparação desta atividade, – que não é um espectáculo, como fez questão de explicar no seu início o pároco, padre Manuel Coelho, – incluiu a formação catequética dos seus intervenientes.

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