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Donos de casas nas ilhas-barreira exigiram ser recebidos na Câmara de Faro

© Samuel Mendonça
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Proprietários de casas consideradas ilegais nas ilhas-barreira da Ria Formosa concentraram-se ontem à porta da Câmara de Faro para exigirem falar com o presidente, depois de terem começado a receber notificações para abandonarem as casas.

Ao início da tarde, o presidente da autarquia, Rogério Bacalhau, aceitou reunir-se com um representante dos núcleos dos Hangares, Farol e Culatra, prometendo-lhes que iria tentar que fossem recebidos pelo ministro do Ambiente, disse à Lusa José Lezinho, representante do núcleo dos Hangares na reunião.

Aquele proprietário considera que “existem enormes discrepâncias” no tratamento dado pela Sociedade Polis às diferentes ilhas – no caso do seu núcleo, por exemplo, está previsto que restem apenas três construções – e critica o facto de não se estar a valorizar o aspeto humano, defendendo que certos casos deviam ser reavaliados.

“Temos que respeitar o meio ambiente e reconhecemos que há coisas que não estão bem, mas também tem que se respeitar o aspeto humano”, afirmou, sublinhando que gostaria de convidar o ministro do Ambiente a visitar as ilhas e perceber que nem em todas existe o mesmo grau de risco, o que devia ser considerado no levantamento das casas a demolir.

© Samuel Mendonça
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Os proprietários das casas nos Hangares e no Farol já foram notificados pela Sociedade Polis Ria Formosa para esvaziar as casas para permitir a posse administrativa.

No caso do Farol, os proprietários foram notificados para abandonar as casas até ao dia 24 de abril, estando a posse administrativa prevista para 27 de abril.

No caso dos Hangares, o prazo imposto para a retirada dos bens é 11 de maio, com a posse administrativa marcada para 13 de maio.

De acordo com José Lezinho, em causa estão 156 construções nos Hangares e cerca de 270 no Farol.

Segundo fonte da PSP de Faro, que foi chamada ao local pela autarquia, algumas pessoas presentes na concentração foram notificadas, embora o procedimento seja considerado normal e não se tenha registado qualquer incidente. Os manifestantes, que chegaram ao Largo da Sé numa caravana automóvel com algumas buzinadelas, gritaram palavras de ordem como “As ilhas unidas jamais serão demolidas”.

© Samuel Mendonça
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José Lezinho adiantou que está previsto para o próximo sábado um protesto contras as demolições, em marcha lenta, na Estrada Nacional (EN) 125, entre Olhão e a Praia de Faro.

Os proprietários das casas consideradas ilegais pela Polis e sinalizadas para demolição por se tratar de segunda habitação, estão também a agendar para 4 de maio um protesto com barcos, na Ria Formosa, frente ao mercado de Olhão.

Na passada semana, a proprietária de uma casa de férias na Praia de Faro esteve durante várias horas dentro da habitação para evitar que esta fosse demolida, mas sem sucesso.

Ao todo, já foram demolidas na Ria Formosa 212 construções consideradas ilegais, na sua maioria nos ilhotes.

com Lusa

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