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Festa das Tochas Floridas volta a celebrar em S. Brás de Alportel a ressurreição de Cristo

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Volta a realizar-se em São Brás de Alportel no próximo Domingo de Páscoa, 21 de abril, a tradicional Festa das Tochas Floridas, uma manifestação popular da fé em Jesus Cristo ressuscitado.

Esta festa, e concretamente a Procissão da Ressurreição, participada por milhares de pessoas, incluindo emigrantes e muitíssimos turistas (portugueses de vários pontos do país e estrangeiros), vai-se impondo no Algarve como a segunda de maior participação, logo depois da de Nossa Senhora da Piedade (Mãe Soberana), superando mesmo a Procissão do Senhor Morto em Faro, realizada em noite de Sexta-feira Santa.

No domingo, após a eucaristia das 10h na igreja matriz de São Brás de Alportel, seguir-se-á a Procissão da Ressurreição com as tochas floridas, onde os andores dão lugar às flores que ornamentam as trabalhadas tochas e as ruas, depois de uma longa madrugada de trabalho em que centenas de voluntários se lançam na árdua tarefa de preparar os tapetes floridos.

Depois de uma árdua semana na apanha e preparação da matéria-prima, é na madrugada do Domingo de Páscoa, que todos os minutos são poucos, até ao amanhecer, para que, quando o sol nasça, possa revelar uma longa tapeçaria com um quilómetro de flores que cobre o chão com símbolos, descrevendo o percurso da procissão com cores e aromas de funcho, rosmaninho, alecrim, alfazema e flores silvestres.

O tapete florido, que louva a ressurreição de Cristo, pode ser observado a partir das 9.30h nas ruas de São Brás de Alportel. A partir das 10h, o Largo de São Sebastião acolhe o Encontro de Sabores da Páscoa enquanto no adro da igreja matriz se apresenta a Mostra de Artesanato.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

As ruas, engalanadas também com bandeiras vermelhas e brancas, colchas penduradas às janelas e lonas com a imagem de Cristo ressuscitado, transformam-se num «mar» de tochas floridas com os homens a abrir a procissão, formando alas e empunhando na mão uma tocha.

Ao longo do cortejo, também conhecido como Procissão do Aleluia, reúnem-se em pequenos grupos para, alternadamente, levantarem o grito do “aleluia”. Aqui e além ouve-se uma voz potente e sonora: “Ressuscitou como disse!”. O grupo, erguendo bem alto a tocha, responde: “Aleluia, aleluia, aleluia!”.

À tarde, a partir das 15h, o adro da igreja matriz recebe a tarde cultural. Um momento de convívio animado com a mostra de artesanato, doces e petiscos, com a apresentação dos premiados em mais uma edição dos Jogos Florais e do concurso das tochas floridas e com as atuações de artistas convidados.

O historiador e antigo vigário paroquial de São Brás de Alportel, padre Afonso Cunha Duarte, explica que “esta procissão foi outrora popular em todo o Algarve”, realizando-se presentemente também ainda em Portimão.

No séc. XIX, “praticamente todas as aldeias organizavam esta Procissão da Ressurreição”, na qual as pessoas levavam nas mãos uma vela que antigamente “era designada por tocha”, conta o sacerdote. Também conhecida como a Procissão das três Marias (em alusão às mulheres que se deslocaram ao túmulo de Jesus na manhã da ressurreição), as confrarias, responsáveis pela organização, eram então obrigadas a levar uma tocha acesa ou luminária e as opas vestidas. Posteriormente, a falta de cera levou ao aparecimento de paus pintados e ornamentados com flores, no cimo do qual se colocava uma pequena vela.

Mais tarde, com o desaparecimento das confrarias, permanecem na procissão os paus enfeitados, as lanternas e as velas acesas ao lado do pálio e as opas, que ainda hoje são usadas pelos homens que transportam o pálio. “Ao longo da procissão, cantavam-se hinos, responsos e o aleluia, em honra da Ressurreição do Senhor. Antigamente havia também um ou dois coros a cantar e o povo respondia, mas com o passar do tempo, a falta de clero e de cantores, levou a que o canto ficasse na boca do povo. Com a implantação da República esta situação, que era comum em todas as paróquias, alterou-se, pois, as manifestações públicas foram proibidas. A tradição das procissões esmoreceu”, refere o padre Cunha Duarte que, a título de exemplo, relembra que, em Lagos, a primeira procissão apenas voltou em 1941.

Com a ida do antigo pároco, padre José Cunha Duarte, (irmão do padre Afonso Cunha Duarte) para a paróquia de São Brás de Alportel em 1981, a festa foi recuperada e nunca mais cessou.

A Festa das Tochas Floridas, organizada em parceria pela paróquia de São Brás de Alportel, pela Associação Cultural Sambrasense e pela Câmara Municipal de São Brás de Alportel, volta, tal como aconteceu o ano passado, a garantir a acessibilidade a pessoas com mobilidade condicionada. O Município de São Brás de Alportel em parceria com a Fisio São Brás e a Casa de Repouso e Saúde de São Brás adaptam um espaço do recinto por onde passa a procissão, com apoio logístico no acompanhamento e reservando áreas de estacionamento para dar melhores condições para a participação daquelas pessoas.

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