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O bispo do Algarve afirmou na última sexta-feira à noite, na celebração da operação solidária da Cáritas ‘10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz’ e da ‘Luz da Paz de Belém’, que aquela chama “tem de ser alimentada com gestos de paz, de amor, solidários e fraternos”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Precisamos de construtores de pontes e não de muros”, afirmou D. Manuel Quintas, recuperando a ideia que dá mote à sua mensagem de Natal deste ano, inspirada numa imagem recorrente do Papa Francisco. “E construir uma ponte quer dizer abrir-se aos outros, à sua riqueza, mas também à sua pobreza”, sustentou, desafiando os presentes a abrirem-se “para acolher quem vem” e também disponibilizarem-se “para apoiar, enriquecer e ir ao encontro dos outros, para valer nas suas necessidades com gestos, pequenos gestos, mas que modificam o ambiente, o mundo”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Quando falamos em ‘10 Milhões de Estrelas’ queremos significar isso: gestos anónimos, simples, mas que, unidos e orientados todos na mesma direção que é o bem dos outros como construtores da paz, ganham uma força incontável e impressionante porque estes pequenos gestos depois semeiam-se pelo ambiente onde estamos, inundam tudo e todos e transformam verdadeiramente a nossa vida e a vida dos outros também”, acrescentou na vigília de oração a que presidiu na Sé de Faro, promovida em colaboração pela Cáritas Diocesana do Algarve e pela Junta Regional do Algarve do Corpo Nacional de Escutas (CNE).

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Passemos da ‘Luz da Paz de Belém’, de Jesus, que é a luz, para a luz dos nossos pequeninos gestos e atitudes que vão ao encontro das necessidades dos outros. E então, sim, viveremos iluminados e iluminaremos também, cada um como o seu pequenino contributo, este mundo que nos rodeia”, reforçou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Na celebração, transmitida em direto pelo jornal Folha do Domingo na rede social Facebook, afirmou que a verdadeira luz é Jesus, “Aquele que veio para iluminar o que estava nas trevas”, e deixou um desafio. “Examina se a luz que há em ti não se terá transformado em escuridão. E transforma-se em escuridão quando nos escondemos a essa luz. Não é a luz que se esconde. Somos nós que não queremos ser iluminados por essa luz. E todos aqueles que preferem as trevas à luz quer dizer que a sua vida não reflete nem é fonte desta paz e desta alegria que Jesus nos trouxe”, concretizou.

“Estas nossas velas trazem a marca da autenticidade do Natal do mundo”

O chefe regional do Algarve do CNE realçou que a “luz da paz de Belém é sinónimo de fragilidade, sensibilidade, mas também de poder, uma luz que viaja de mão em mão e candeia em candeia”. “Esta é a luz que nos dá esperança, que nos transmite a paz. Como escuteiros sabemos que temos a responsabilidade de a partilhar, uma responsabilidade proporcional ao papel que cada um tem no movimento escutista, na sociedade e na Igreja. Chegou o momento de exercermos esta função que muito nos honra”, afirmou Luís Cabrita a propósito da luz vinda da igreja da Natividade em Belém, o local atribuído ao nascimento de Cristo.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Na presença de representações de muitos dos 34 agrupamentos do CNE no Algarve, aquele dirigente escutista destacou a sua importância como “agentes transportadores desta luz que nunca se apaga e que é mais do que uma simples chama”. “É tempo de saborear esta luz que é Jesus. Estas nossas velas trazem a marca da autenticidade do Natal do mundo. Este ano queremos vivê-la como uma ‘Rede de paz, uma Luz que nos aproxima!’”, acrescentou, referindo-se ao tema deste ano daquela iniciativa.

“Esta luz que é Jesus Cristo será uma simbiose de união, paz, solidariedade e amor”, prosseguiu Luís Cabrita, lembrando aos presentes que o dever de “espalhar em abundância gestos de caridade amor e paz, levando a união, esperança e fé, aquecendo e iluminando a vida de quem a recebe e que mais precisa”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O presidente da Cáritas Diocesana do Algarve citou a encíclica ‘Fratelli Tutti’ do Papa Francisco, apelando à construção de um “mundo novo” e de uma “humanidade diferente, através da mudança de coração, de hábitos e de estilos de vida, cuidando dos mais frágeis e vulneráveis” da sociedade.

Carlos Oliveira desafiou à responsabilidade de “promover o caminho do diálogo, ultrapassando as conveniências pessoais”, à promoção de uma “cultura da proximidade e do encontro”. Numa sociedade em permanente e apressada mudança faz cada vez mais sentido apostar numa cultura que aproxime efetivamente as pessoas, a promover edificação da paz, onde somos chamados a ser artesãos da paz, prontos a gerar com ousadia novos processos de encontro”, afirmou, realçando ainda a importância de “promover a procura do bem comum” e exortando à construção de “uma sociedade inclusiva, saudável, justa e pacífica”.

Aquele responsável apelou ainda à “prática do perdão através de um compromisso do diálogo” e à promoção do “combate à pobreza”. “A Cáritas em todo o mundo vai levar uma campanha até dezembro de 2024 que se chama ‘Together We’, inspirada nas encíclicas do Papa Francisco a ‘Laudato Sí’ e a ‘Fratelli Tutti’, que visa ações que combatam a pobreza e protejam a natureza”.

Este ano, 65% das verbas angariadas na campanha ‘10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz’ destinam-se, no plano nacional, aos beneficiários das Cáritas Diocesanas; no âmbito internacional, os restantes 35%, serão aplicados em “projetos de resposta ao impacto das alterações climáticas” nos países lusófonos, para apoiar as populações mais vulneráveis.

No âmbito da campanha, a Cáritas propõe a todos os portugueses uma “adesão simbólica” aos valores da paz, associados à vivência do Natal, através da aquisição de uma ‘vela estrela’ de cor branca ou cor vermelha, no valor de 2 euros. As velas estarão à venda nas Cáritas Diocesanas – podendo ser pedidas à Cáritas algarvia através do email geral@caritasalgarve.pt ou do telefone 289829920 – e nas paróquias e também nas lojas Pingo Doce.

A Cáritas convida ainda cada português a acender a vela na noite de 24 de dezembro, véspera de Natal, e a colocá-la à janela de casa.

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